- Bom dia a todos - Andrius começou, sua voz firme. - Antes de iniciarmos a aula, quero apresentar a vocês o novo auxiliar da disciplina. Este é Tomas Brand.
Ao ouvir o nome, alguns alunos olharam curiosos, mas foi entre as alunas que a reação foi mais visível. Um grupo de meninas na segunda fileira trocou olhares animados, sorrisos discretos surgindo nos lábios. Uma delas sussurrou algo para a amiga, que segurou o riso.
- Olá a todos - Tomas disse, ajustando os óculos e tentando parecer confiante. - Espero poder ajudar vocês no que for necessário.
Uma das alunas, uma jovem de cabelos longos e olhar expressivo, ergueu a mão sem esperar convite.
- Professor Tomas, você é novo na cidade?
Andrius estreitou os olhos, irritado com a ousadia da pergunta.
- Isso não é relevante para a aula - cortou, sua voz saindo mais ríspida do que pretendia.
Mas Tomas sorriu, tentando aliviar a tensão.
- Ah... sim, sou novo aqui. Acabei de me formar e estou animado para trabalhar com vocês.
A resposta só serviu para aumentar a excitação das alunas. Algumas riram baixinho, trocando olhares cúmplices.
Andrius sentiu um nó se formar em seu estômago.
Ele não gostava da forma como Tomas capturava a atenção da turma com tanta facilidade. Não era só o fato de ele ser jovem e bonito - o que claramente impressionava as alunas -, mas também o jeito acessível, a forma como se comunicava de maneira natural.
Durante a aula, Andrius percebeu algo ainda pior.
Tomas era bom. Muito bom.
Os alunos gostavam dele rapidamente. Ele explicava com paciência, ajudava os que tinham dúvidas, fazia pequenas piadas que quebravam o gelo, e até os mais desinteressados pareciam prestar atenção. Era como se tivesse um dom natural para lidar com jovens, algo que Andrius nunca teve ou sequer tentou ter.
Enquanto escrevia no quadro, Andrius olhou de relance para Tomas interagindo com os alunos e, por um momento, sentiu um arrepio.
Não era Tomas que ele via ali.
Era Tom.
A forma como ele gesticulava. O brilho nos olhos quando falava de algo que gostava. A maneira como se inclinava ligeiramente para ouvir melhor alguém.
Era como se o tempo tivesse dado um nó, trazendo um fantasma do passado para assombrá-lo.
O susto percorreu seu corpo como um choque. Ele segurou o giz com força, os dedos se contraindo.
Não. Isso não podia estar acontecendo.
Respirando fundo, ele voltou a focar na lousa, tentando afastar os pensamentos. Mas o incômodo permaneceu.
E o pior de tudo?
Parte dele não queria desviar o olhar.