Dante segurou meu braço com força, seu aperto possessivo.
Meus pais estavam na mesa principal. Eles sorriram nervosamente, erguendo suas taças em uma saudação vazia. Estavam sentados ao lado dos Bianchi.
Então, as portas se abriram novamente.
Sofia entrou.
Ela usava vermelho. Vermelho-sangue. Uma declaração.
Ela segurava a mão de Leo.
A multidão se abriu para ela como o Mar Vermelho. Ela caminhou com o queixo erguido, a rainha usurpadora vindo reivindicar seu território.
Ela caminhou diretamente até nós.
"Dante", ela ronronou, beijando sua bochecha. "E Elena. Você parece... cansada."
Ela se virou para Leo. "Olha, Leo. Diga olá para a moça."
Leo olhou para mim. Ele usava um smoking em miniatura e parecia tanto com o pai.
Eu me ajoelhei. Estendi uma mão. "Leo, sou eu. Sou a mamãe."
Leo recuou. Ele enterrou o rosto na saia vermelha de Sofia.
"Não!", ele gritou. Sua voz ecoou no salão silencioso. "Você é o monstro! Mamãe disse que você é um fantasma! Vai embora!"
A sala ofegou.
Senti como se tivessem me estripado. Olhei para Dante. Faça alguma coisa, implorei em silêncio. Diga a ele.
Dante olhou para a multidão. Vi seus olhos se moverem para os soldados Bianchi observando, medindo a trêmula aliança política.
"Leo está confuso", disse Dante em voz alta, dirigindo-se à sala. "Já faz muito tempo."
Ele não corrigiu o menino. Ele não afastou Sofia.
Minha mãe correu até nós. Ela colocou o braço em volta de Sofia. "Oh, ele está apenas cansado, coitadinho. Sofia é uma mãe tão boa para ele."
A traição foi total. Meu próprio sangue havia escolhido o lado vencedor.
Sofia sorriu para mim. Era um sorriso de pura vitória.
"Você deveria ir descansar, Elena", ela sussurrou, baixo o suficiente para que apenas eu pudesse ouvir. "Os mortos não deveriam assombrar os vivos. Assusta as crianças."
Ela tirou uma pequena caixa de sua bolsa e a pressionou em minha mão. "Um presente de boas-vindas."
Eu abri. Era uma passagem de avião só de ida para a Suíça.
Eu me levantei. A dor no meu peito se cristalizou em algo afiado e frio. Gelo.
Dante tentou pegar minha mão novamente. Ele ergueu uma taça. "À família", anunciou.
"À família", a sala ecoou.
Olhei para a vela piscando na mesa.
Inclinei-me perto de Dante.
"Aproveite seu brinde", sussurrei. "Porque eu vou queimar todos eles."
O sorriso de Sofia vacilou. Ela agarrou o peito, soltando um suspiro dramático. "Oh! Estou me sentindo fraca!"
Dante imediatamente soltou meu braço. "Sofia!"
Ele a segurou enquanto ela desmaiava, um desmaio perfeito e ensaiado.
"Peguem o carro!", ele gritou para seus homens.
Ele a pegou nos braços, embalando-a como se fosse um vidro precioso. Ele correu em direção à saída, com Leo correndo atrás dele, chorando por sua mamãe.
Eu fiquei sozinha no centro do salão de baile.
Trezentas pessoas assistiram o Dom levar sua amante embora e deixar sua esposa de pé nos destroços.
Virei-me para um garçom que passava com uma bandeja de champanhe.
Peguei uma taça.
Bebi de um só gole.
Então espatifei a taça no chão.