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O Despertar para a Traição do Chefão da Máfia
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Capítulo 5

O esconderijo era um pequeno e discreto sobrado no Brooklyn que Dante mantinha para armazenamento. Peguei a chave escondida sob um tijolo solto no beco.

Entrei. Cheirava a poeira e ao ar pesado e viciado de velhas memórias.

Fui ao armário onde guardara as coisas de Leo antes do acidente. E lá encontrei.

O cachorro de pelúcia. Bidu. Faltava-lhe um olho, e o pelo estava emaranhado por anos de amor. Leo costumava dormir com ele todas as noites. Ele não fechava os olhos sem ele.

Apertei-o contra o peito, inalando o cheiro de talco de bebê que ainda persistia fracamente, um fantasma dos últimos cinco anos.

A porta da frente se abriu.

Eu congelei.

Leo entrou. Ele estava sozinho. Devia ter escapado da babá no carro lá fora, movido por alguma curiosidade distorcida.

Ele me viu. Ele viu o cachorro.

Seu rosto se contorceu em uma carranca que parecia velha demais para suas feições.

"Me dá isso!", ele gritou.

Ele correu em minha direção e arrancou o cachorro das minhas mãos.

"Leo", eu disse suavemente. "Eu comprei isso para você. Lembra? Você deu o nome a ele."

Ele olhou para o brinquedo, depois para mim.

"Mamãe Sofia diz que você colocou uma maldição nisso", ele cuspiu. "Ela diz que tudo que você toca vira veneno."

Ele não apenas largou o cachorro.

Ele pegou um copo de suco de uva que um segurança havia deixado na mesa mais cedo.

Ele derramou sobre o brinquedo. O líquido roxo encharcou o pelo bege, manchando-o como sangue fresco.

Então, ele agarrou o cachorro pelas pernas e rasgou. A costura velha cedeu. O enchimento explodiu no ar como neve suja.

"Eu te odeio!", ele gritou, jogando a carcaça arruinada aos meus pés. "Eu queria que você tivesse continuado morta! Por que você voltou? Nós éramos felizes!"

O suco respingou nos meus sapatos.

Olhei para meu filho.

Procurei pelo bebê que eu amamentei. Procurei pelo menino que costumava chorar quando eu saía do quarto.

Ele não estava lá.

Sofia tinha feito um trabalho completo. Ela não apenas roubou meu marido; ela reescreveu a alma do meu filho.

Se eu o levasse agora, ele me odiaria. Ele lutaria comigo a cada passo. Ele seria um veneno na nova vida que eu estava tentando construir.

Para salvá-lo, eu tinha que deixá-lo ir. Eu tinha que destruir a estrutura que o corrompeu antes que pudesse ter esperança de reconstruí-lo.

Enfiei a mão no bolso e tirei um lenço.

Abaixei-me e limpei a mancha roxa do meu sapato.

Levantei-me. Meu rosto parecia esculpido em mármore.

"Adeus, Leo", eu disse.

Não tentei abraçá-lo. Não chorei.

Passei por ele, saí pela porta e entrei na noite.

Deixei a porta aberta atrás de mim.

Cansei de ser a vítima. Cansei de ser a mãe.

Catarina Alves nasceu naquele corredor. E ela tinha trabalho a fazer.

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