Denis olhou para os dois italianos que estavam com a gente, eu sorri sem saber o que responder, afinal, nem sei quem são e um deles me parece ser totalmente desequilibrado.
- Estou.
- Podemos fazer nosso pedido ou vão ficar de conversinha o dia todo, piccola strega? - Matteo me lançou um olhar feroz, céus aquele homem me assustava de verdade. Fizemos os pedidos e Denis saiu, Marco sorriu para mim.
- Vocês moram nesse bairro mesmo? - ele perguntou de maneira suave, como um pode ser tão diferente do outro? Meu Deus, era gritante o quanto um era calmo e o outro estourado, um verdadeiro bruto.
- Sim, nós moramos num condomínio perto daqui! - falei me afastando um pouco do bruto, que segurou minha cadeira com o pé, me impedindo de me afastar mais.
- Fique onde está, eu gosto do seu cheiro, há um profumo delizioso, piccola strega !
- Você poderia ser um pouco mais educado com suas palavras e atitudes ao invés de sair assustando as pessoas desta forma, Sr. Bellini! - eu falei e ele deu um sorriso de lado, de puro sarcasmo e superioridade, muito lindo aliás.
- Se se assustam comigo logo de cara, serei respeitado, se não me respeitarem, ao menos serei temido, piccola strega - ele falou e nem respondi, não tinha que ficar de papo com aquele doido.
Quando chegaram os pedidos, eu e Ariane só demos atenção a Marco que era bem divertido e nos entretia numa conversa boa e calma.
Sentia o olhar de Matteo sob mim quase que constantemente, aquele cara era esquisito e claramente não foi com a minha cara. Porém, seu olhar intenso sob mim me deixou desconfortável, mas também me fazia sentir um calor estranho, ele era assustador.
Mas lindo e gostoso demais, e isso me deixou um pouco tensa com sua presença, os dois me deixavam com um sentimento estranho.
O meu aparelho auditivo apitou e doeu meu ouvido, ele estava com problemas e o outro que meus pais encomendaram ainda não estava pronto, eu não ouço nada sem eles! Vi Ariane falando comigo, ela falava rápido e não conseguia ler seus lábios, fiz sinal para ela falar mais devagar, até esse aparelho parar com o apito.
- Está tudo bem? – ela falou mais devagar e pude entender.
- Sim, só fiquei fora do ar por uns instantes! - eu falei e nós rimos, eu brincava que era um rádio ambulante que sempre tinha que estar ligado.
Vi que os italianos falaram comigo e não entendi, pois eles misturam muito meu idioma com o deles e complica um pouco. Quando trouxeram a comida, meu aparelho voltou a funcionar.
- Está tudo bem, me parece aérea, bella mia?
- Sim, só estava pensativa! - eu sorri para Marco, ele parecia preocupado comigo.
- Parecia uma maluca, olhando para o nada enquanto falávamos com você! - Matteo resmungou e eu o olhei furiosa, mas que cara abusado.
- Maluco é você, que nem me conhece e fica me tratando assim, seu idiota!
Ele riu, me concentrei em minha comida, ou bateria nesse imbecil. Senti quando segurou e levou meus cabelos para trás, eu havia soltado para parecer menos bagunçada ao entrar no restaurante fino com roupas de ginástica, e ele fez com uma delicadeza que achei impressionante, para esse bruto.
- Está atrapalhando você comer, piccola strega! -ele falou e eu fiquei olhando ele por uns instantes, isso foi bem fofo para um bruto feito ele. - Ou você é algum tipo de porca que gosta de comer com os cabelos na comida, piccola atrevida?
Eu revirei os olhos, até parece que ele poderia ser fofo, não passava de um bruto selvagem.
- Não toca em mim, por favor - falei voltando a atenção para minha refeição.
Quando terminamos, conversamos mais um pouco e resolvemos ir embora, temos que nos arrumar para a festa do nosso amigo ainda e como a doida da Ariane convidou esses italianos, ainda teria que aturar esse bombado grosseirão.
Marco ao se despedir de mim, me deu um caloroso abraço me tirando com facilidade do chão, me levantou como se eu fosse uma pena, apesar do susto pelo ato inesperado dele, eu adorei sentir seu calor corporal e seu cheiro másculo tão de perto. Novamente aquele calor me invadiu inteira e fiquei corada quando ele me soltou e recebi um beijo dele quase na minha boca.
- Até daqui a pouco, bella mia! - Ele falou e eu sorri assentindo, o outro apenas passou por mim e já foi entrando no carro sem nem se despedir ou dizer uma palavra.
Eles se foram e assim que o carro partiu desci a mão na Arie, batendo nela que ria feito boba.
- O que deu na sua cabeça de nos fazer almoçar com dois desconhecidos e ainda chamá-los para festa do Bernardo?!
- Relaxa, só estou te ajudando, os caras ficaram babando em você, se divirta uma vez na vida, escolha um deles e o pegue sem dó! - ela ria que nem uma besta, eu bati nela de novo.
- Não preciso que me arrume macho, Ariane!
- Não precisa mesmo você é a maior gata da porra e fica toda tímida ai, se divirta amiga, eles nem são brasileiros, dá uns beijos e uns amassos, trepa até se for possível, nunca mais vai ver eles de novo, aproveita a vida um pouco!
- Não preciso de pica para aproveitar a vida, sua maluca e eu não vou sair com nenhum deles, um até que é aceitável, mas o outro Deus me livre, não quero nem papo.
- Sei... pensa que não vi seu olhar para os dois, tu dá é para os dois se eles quiserem!
- Ariane! - eu a repreendi.
- Se diverte um pouco, é só ir e dar uns pegas caramba, tenho certeza de que se fizer, logo vai viciar, vai por mim é bom para cassete.
- Meu Deus Arie, não sou como você!
- Mas deveria, e esse aparelho novo chega quando?
- Não sei ao certo, talvez mês que vez.
Nós fomos embora conversando e empurrando nossas bicicletas nas mãos, não queria causar outro acidente e vai que conheço mais algum doido, Deus me livre!