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Tarde demais, Senhor Don: A esposa que você enterrou
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Capítulo 5

Ponto de Vista de Alina

Voltei para a mansão de táxi, o silêncio da casa pressionando meus ouvidos como água.

Subi e peguei a mala de debaixo da cama.

A porta da frente bateu lá embaixo.

"Alina!"

A voz de Dante trovejou pelos corredores. Fez tremer os cristais do lustre do hall.

Ele me encontrou no quarto antes que eu pudesse sequer abrir os fechos. Sua camisa estava rasgada, uma mancha de sujeira no peito, e um corte recente sangrava lentamente em sua bochecha. Ele parecia selvagem.

"Onde você foi?", ele gritou, avançando sobre mim. "Você nos abandonou!"

Mantive minha posição, minha voz oca. "Você tem eles. Você não precisa de mim."

"Eles estão feridos!", ele gritou, as veias do pescoço saltando. "O carro atingiu a perna da Jade. Léo está em choque. Eles estão na clínica agora mesmo."

"Então vá até eles", eu disse.

"Eu preciso de você", disse ele.

Congelei. Por um único e traiçoeiro segundo, a esperança brilhou em meu peito. Uma coisa quente e desesperada.

"Jade perdeu muito sangue", ele continuou, ofegante. "Ela tem um tipo raro. Você é compatível. Verifiquei sua ficha médica."

A esperança morreu, fria, instantânea e absoluta.

"Você quer que eu doe sangue para sua amante?"

"Quero que você salve a mãe do meu herdeiro!", ele rugiu, agarrando meu braço. "Entre no carro."

Ele não esperou que eu andasse. Ele me arrastou. Ele me puxou fisicamente escada abaixo, meus saltos prendendo nos degraus, e me empurrou para o banco de trás de seu carro.

Na clínica particular, o médico da máfia não fez perguntas. Ele não me olhou nos olhos.

Ele apenas me conectou.

Observei meu sangue vermelho fluir pelo tubo de plástico transparente, saindo de mim para encher as veias da mulher que estava envenenando meu casamento.

Dante andava de um lado para o outro na pequena sala como um tigre enjaulado. Ele não me ofereceu água. Não perguntou se eu estava tonta. Ele apenas observava a bolsa encher, seus olhos fixos no fluido que salvaria seu prêmio.

Quando terminou, sentei-me. A sala inclinou-se perigosamente.

"Venha", disse Dante, verificando o relógio. "Você precisa se desculpar."

"Me desculpar?", eu ri. Foi um som fraco e quebradiço, como folhas secas pisando em pedra. "Pelo quê?"

"Por deixar a cena. Pela falha na segurança."

Ele colocou a mão na base das minhas costas, não para me firmar, mas para me empurrar para a sala de recuperação.

Jade estava deitada na cama, parecendo corada e saudável com minha força vital correndo em seu sistema. Léo estava sentado na cadeira, batendo agressivamente em um videogame portátil.

"Olha quem decidiu aparecer", Jade zombou, alisando os lençóis.

"Eu salvei sua vida", sussurrei.

Léo se levantou. Seus olhos estavam arregalados, maníacos. Ele pegou um pesado vaso de cristal da mesa de cabeceira.

"Fora!", o menino gritou. "Você nos odeia!"

Ele jogou o vaso.

Não foi um arremesso desajeitado de criança. Foi pesado, mirado com intenção cruel. Ele se espatifou contra meu ombro, o impacto enviando uma onda de dor ofuscante pelo meu braço. Cambaleei para trás, ofegante.

Léo imediatamente se jogou no chão, gritando a plenos pulmões.

"Ela me bateu! Ela me bateu primeiro!"

Dante entrou correndo do corredor, seus olhos varrendo a cena. Ele viu o vidro quebrado. Viu seu filho chorando no chão.

Ele se virou para mim.

"Você acabou", Dante sussurrou. Ele me olhou com puro, absoluto ódio. "Você não é digna de ser uma Vitale. Saia da minha vista antes que eu mesmo te mate."

Apertei meu ombro latejante. Olhei para os três: o pai, a amante, o filho.

O retrato de família do inferno.

Virei-me e saí da clínica.

Estava chovendo lá fora. Uma chuva fria e miserável.

Andei pelo beco escuro em direção à rua principal para pegar um táxi. Eu estava tonta pela perda de sangue, dolorida pela picada da agulha e pelo hematoma que florescia em meu ombro.

Sombras se desprenderam das paredes de tijolos molhados. Três homens. Eles usavam máscaras de esqui.

Um deles bateu um cano de metal na palma da mão.

"Isso é do Don", disse o líder, sua voz abafada. "Uma lição de respeito."

Eu não lutei. Não tinha forças.

O primeiro golpe atingiu minhas costelas. Ouvi o estalo úmido do osso. Caí de bruços na lama.

Eles me bateram até o mundo ficar cinza. Eles me chutaram até eu não sentir mais o frio cortante da chuva.

Enquanto eu estava ali, sangrando na água suja, um deles pegou um telefone.

"Está feito, Chefe", disse ele no receptor. "Ela aprendeu."

Ele desligou. Passos se afastaram na água, me deixando ali.

Fechei os olhos.

Eu não era mais Alina Vitale. Alina Vitale morreu neste beco.

Arrastei-me em direção às luzes da rua, centímetro por centímetro doloroso. Eu tinha um avião para pegar.

E quando eu voltasse, não seria a esposa.

Eu seria a Ceifadora.

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