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Minha Vida Roubada, A Derrocada Amarga Deles
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Capítulo 2

Na manhã seguinte, entrei no apartamento que dividia com Juliano. Ele estava na cozinha, fazendo café, com uma aparência bonita e completamente despreocupada.

"Você voltou", disse ele, sorrindo enquanto se virava para me beijar. Eu me encolhi, virando a cabeça para que seus lábios pousassem na minha bochecha.

"Cansada", murmurei, usando a desculpa que ele esperaria. "É muita coisa para processar, estar de volta."

"Coitadinha", disse ele, envolvendo-me em seus braços. Seu abraço parecia uma jaula. Cada palavra, cada toque era uma mentira. "A festa de aniversário da Clara foi até tarde. Deveríamos fazer algo para comemorar sua volta para casa... e bem, é um novo começo."

Olhei para ele, minha expressão cuidadosamente vazia. "Um novo começo?"

"Já que o... incidente da Clara ficou para trás", disse ele, seus olhos cheios de falsa simpatia. "Eu sei que o que ela fez foi difícil para você. Pensei que talvez nós, e seus pais, pudéssemos ter um jantar tranquilo. Para marcar a ocasião. Para celebrar o quão longe chegamos."

A audácia dele era de tirar o fôlego. Eles queriam celebrar o "novo capítulo" da mentira que construíram ao meu redor. Senti uma raiva fria e afiada cortar a dor.

"Isso é... uma ideia atenciosa, Juliano", eu disse, minha voz firme. "Vamos fazer isso."

Seu rosto se iluminou de alívio. "Ótimo. Vou avisar seus pais. Eles ficarão muito felizes por você estar bem com isso."

Ele estava tão seguro de mim, tão confiante em seu engano. Ele saiu para o trabalho, assobiando, me deixando sozinha no apartamento estéril e bonito que agora parecia uma prisão. No momento em que a porta se fechou, fui direto para o escritório dele.

Estava sempre trancado. Ele me disse que era por causa de documentos de trabalho confidenciais. Eu costumava respeitar isso. Agora, eu sabia que era um cofre para seus segredos. Mas eu era médica. Eu conhecia pontos de pressão, sabia como encontrar fraquezas. E eu conhecia Juliano. Sua senha não era complexa; era arrogante. Era a data em que ele me pediu em casamento.

Eu digitei. A fechadura se abriu com um clique.

A sala era impecável, dominada por uma grande mesa de mogno. Comecei por ali. Em uma gaveta trancada, encontrei um pequeno álbum de fotos encadernado em couro. Minhas mãos tremiam enquanto eu o abria.

Não estava cheio de fotos nossas. Eram fotos e mais fotos de Juliano, Clara e seu filho, Theo. No parque, na praia, comemorando aniversários com bolos e velas. Uma família perfeita e feliz. Em uma foto, meus pais também estavam lá. Minha mãe segurava Theo, radiante, enquanto meu pai estava com o braço em volta de Clara. Eles pareciam mais felizes naquele momento roubado do que eu jamais os vi comigo.

A evidência era condenatória, mas eu precisava de mais. Fui para o laptop dele. A senha era a mesma. Seus arquivos estavam meticulosamente organizados. Encontrei uma pasta chamada "Pessoal". Dentro, outra pasta: "C".

Era tudo. Vídeos dos primeiros passos de Theo. Suas primeiras palavras. Cópias de sua certidão de nascimento, listando Juliano como o pai. E uma subpasta chamada "Finanças".

Cliquei para abrir e meu sangue gelou. Havia transferências bancárias mensais de uma conta conjunta pertencente aos meus pais, Ricardo e Eleonora Sampaio, para uma empresa de fachada. Os valores eram impressionantes. Milhões de reais ao longo do último ano. A descrição em cada uma era a mesma: "Despesas de Moradia C.R.".

Eles não apenas permitiram isso; eles financiaram. Cada palavra gentil que já me disseram, cada presente caro, cada promessa vazia de família, foi pago com o mesmo dinheiro que usaram para sustentar a mulher que me incriminou e a família secreta que meu noivo estava criando com ela.

A ilusão do amor deles não era apenas uma mentira; era uma transação. Eu era o preço que eles pagavam para aliviar a culpa que sentiam por Clara.

Copiei tudo para um pequeno pen drive criptografado. Cada foto, cada vídeo, cada extrato bancário. Enquanto os arquivos eram transferidos, meu celular vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido.

"Se divertindo de detetive? Você nunca vai encontrar nada. Eles me amam, Helena. Sempre amaram. Você foi só uma substituta conveniente."

Era Clara. Ela devia ter uma câmera escondida no escritório. A ideia fez minha pele arrepiar.

Ela enviou uma foto. Era da foto de família que eu acabara de ver, aquela com meus pais.

"Ficamos bem juntos, não acha? Como uma família de verdade."

Outra mensagem se seguiu. "Juliano só está com você por pena. E seus pais? Eles estão apenas pagando suas dívidas. Você sempre será a de fora, a garota do orfanato que não pertence a este mundo."

As provocações eram para me quebrar. E por um momento, elas conseguiram. Apoiei-me na mesa, com o pen drive na mão, e uma única lágrima quente de raiva e dor escorreu pelo meu rosto.

Mas então, a dor se transformou em outra coisa. Algo frio e claro.

Ela estava errada. Eu não ia quebrar. Eu ia queimar o mundo deles até as cinzas.

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