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Capítulo 5 Perdida

A preparação para minha reintrodução à sociedade de Los Angeles começou como uma operação militar disfarçada de mimos. Minha mãe havia passado a manhã e parte da tarde me guiando por ateliês exclusivos e salões de beleza em Beverly Hills. O objetivo não era apenas me deixar bonita, mas me transformar em uma armadura de seda e diamantes, pronta para a guerra fria que seria o chá das mulheres Barone e o jantar do consiglieri.

No fim da tarde, no entanto, a rota do nosso motorista mudou. Em vez de voltarmos para Pacific Palisades, o carro parou em frente a um edifício imponente de tijolos escuros e arquitetura clássica no centro da cidade.

Era o The Continental, um clube de cavalheiros antiquado e exclusivo. Oficialmente, era um refúgio para empresários bilionários fumarem charutos e beberem uísques envelhecidos. Oficiosamente, era o centro nervoso das operações dos Barone, e o lugar onde meu pai, o principal gerente do sindicato, passava a maior parte do tempo lidando com rotas e fornecedores.

Assim que passamos pelas portas duplas de mogno, o cheiro de couro, cera de abelha e tabaco caro me envolveu. O ambiente era denso, masculino, com uma iluminação baixa e dourada que parecia guardar segredos.

- Me aguarde na sala de bilhar, Serena, e peça algo para bebermos, voltarei em um instante - minha mãe instruiu, ajeitando a alça da própria bolsa. - Vou até a administração ver se encontro seu pai ou deixo um recado de que estamos aqui.

Assenti, obediente. Minha mãe virou à direita no corredor principal, e eu caminhei em direção às portas duplas entreabertas no fim do saguão esquerdo.

A sala de bilhar estava silenciosa, exceto pelo som suave de jazz em volume baixo e agradável. O lugar era deslumbrante, eu particularmente gostava de decoração mais antiga, e com uma imensa mesa de sinuca verde-esmeralda no centro. Mas não estava vazio.

Parei abruptamente na entrada.

Inclinado sobre a mesa, o taco de sinuca na mão e a atenção fixada nas bolas de marfim, estava Daniel Barone. Ele havia tirado o paletó. A camisa social escura estava com os dois primeiros botões abertos e as mangas dobradas, revelando antebraços fortes e o contorno sutil de tatuagens escuras que subiam em direção aos ombros. Ele parecia perigosamente à vontade.

Daniel controlava a Inteligência da família, a rede invisível de vigilância, rastreamento e dados que mantinha tudo funcionando. Vê-lo ali, em um ambiente tão físico e clássico, era um lembrete de que ele era tão letal com as próprias mãos quanto com informações.

A batida seca do taco contra a bola vermelha ecoou pela sala. A bola caiu na caçapa com perfeição, e só então ele se endireitou, erguendo os olhos escuros diretamente para mim.

- Achei que este fosse um clube estritamente para cavalheiros - a voz dele cortou o espaço, baixa e carregada daquela mesma ironia sombria que eu ouvira no carro.

Senti meu rosto aquecer, mas me forcei a manter o queixo erguido e dei um passo para dentro da sala. Se eu fugisse, seria como admitir que ele me intimidava. E ele me intimidava. Muito.

- Minha mãe foi procurar o meu pai. Ela me mandou esperar aqui.

- Caterina confia demais nas portas destrancadas - ele murmurou, deixando o taco de sinuca encostado na mesa. Ele caminhou na minha direção com a graça predatória de um felino grande. Cada passo diminuía o oxigênio da sala. - Ou talvez ela tenha esquecido a regra de ouro do nosso mundo, Serena: nunca deixe uma garota bonita desacompanhada em uma sala cheia de lobos.

- Eu só vejo um - rebati, a voz saindo um pouco mais trêmula do que eu gostaria.

Um sorriso lento, perigoso e incrivelmente atraente curvou o canto dos lábios de Daniel.

- E você acha que um não é o suficiente?

Ele parou na minha frente. Perto. Perto demais. Tão perto que o perfume amadeirado dele invadiu meus pulmões, misturado ao cheiro fresco de menta e ao calor do corpo dele. Eu precisava inclinar a cabeça para trás para encará-lo. Meu coração disparou em uma batida frenética e surda contra as minhas costelas. Estávamos completamente sozinhos. Se alguém entrasse e me visse tão próxima do herdeiro da máfia, minha reputação estaria arruinada.

Tentei recuar um passo, esbarrando as costas em uma pequena mesa de bebidas. O susto fez com que a minha clutch de couro - a pequena bolsa de festa que eu segurava como um escudo - escorregasse dos meus dedos apertados, caindo no tapete espesso com um baque surdo.

Instintivamente, me abaixei para pegá-la. Daniel fez o mesmo.

Nossas mãos se encontraram sobre o couro macio da bolsa. Os dedos longos e quentes dele roçaram nos meus. O contato foi rápido, mas a corrente elétrica que subiu pelo meu braço foi tão intensa que soltei um pequeno arfar.

Daniel não afastou a mão. Em vez disso, seus dedos deslizaram milímetros, cobrindo os meus. O toque era firme, possessivo. O calor da pele dele queimava a minha.

Meus olhos voaram para o rosto dele. Estávamos a centímetros de distância. A diversão havia sumido do olhar dele, substituída por um foco escuro, pesado e faminto que me paralisou. O mundo lá fora simplesmente deixou de existir.

Lentamente, ele se ergueu, trazendo a bolsa e minha mão junto, forçando-me a levantar também. Minhas costas estavam contra a mesa, e o corpo dele era um muro impenetrável à minha frente. Senti o rubor incendiar minhas bochechas. Os olhos de Daniel caíram para os meus lábios e demoraram ali. A respiração dele bateu no meu rosto. Ele inclinou a cabeça para baixo, apenas uma fração. O ar entre nós estalou de tensão.

A milímetros de distância, a voz dele não passou de um sussurro rouco.

- Você devia ter mais cuidado, Serena...

Continua...

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