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Sua Joia Descartada: Brilhando Nos Braços do Don Implacável
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Capítulo 2

POV Aurora

O champanhe na minha taça ficou quente, mas a memória do sangue de Caio em minhas mãos ainda é implacavelmente gelada.

Não consigo parar o flashback. Ele me atinge bem ali no salão de festas, sobrepondo-se aos rostos risonhos da elite do Clã como um filme de dupla exposição.

De repente, estou de volta à faculdade. A lanchonete onde eu fazia turnos duplos para pagar os livros de arquitetura.

Caio costumava sentar no reservado do canto, com um café preto que nunca bebia, me observando com olhos que pareciam um toque físico.

Ele já era perigoso naquela época. Ele dirigia um SUV blindado, mas me levava para casa todas as noites, deixando-o estacionado a três quarteirões de distância para não me assustar.

Ele interpretou perfeitamente o papel do garoto durão do lado errado da cidade.

Então veio o ataque.

Uma gangue rival. Um tiroteio de dentro de um carro, destinado a ele, na beira do campus.

Ele não se abaixou. Ele não hesitou. Ele jogou seu corpo sobre o meu.

Lembro-me do som da bala atingindo a carne. Parecia um tapa molhado no concreto. Lembro-me da mancha vermelha se espalhando por sua camiseta branca, da maneira como ele cerrou os dentes e olhou para mim - não para sua ferida, mas para mim - para verificar se eu tinha arranhões.

"Você é a única civil que eu vou proteger, Aurora", ele sussurrou na clínica clandestina enquanto o médico da máfia retirava o chumbo. "Você é minha para manter segura."

Eu acreditei nele. Deus, como eu estava faminta por essa segurança. Eu era uma garota com um pai viciado em jogo e uma mãe morta cujo nome era lama nesta cidade. Caio me ofereceu uma fortaleza.

Mas fortalezas são apenas prisões com paredes mais bonitas.

"Sorria, Aurora!"

A voz aguda de Karina me arrasta de volta ao presente com a sutileza de um tiro.

Um fotógrafo está na nossa frente. Karina passou o braço pelo meu, seu aperto machucando. Ela está me puxando para a foto.

"Precisamos de uma foto com a *amiga*", ela diz, enfatizando a palavra com uma inclinação cruel da cabeça.

O flash me cega.

Caio entra na foto. Ele envolve um braço na cintura de Karina e a puxa para si. Ele a beija.

Não é um beijo casto. É uma reivindicação. Uma performance de poder para a imprensa.

Ele a beija com a mesma boca que me disse que me amava esta manhã.

Sinto o bile subir na minha garganta.

Eu me afasto, tropeçando para trás. "Eu preciso... ir ao banheiro."

Eu fujo em direção ao guarda-volumes, meus saltos batendo um ritmo frenético no mármore.

Não chego ao banheiro. Caio me alcança no corredor estreito perto do guarda-volumes.

Ele agarra meu cotovelo, me virando. Seu aperto é familiar, mas agora queima.

"Que diabos você está fazendo?", ele sibila. "Você está fazendo uma cena."

"Eu estou fazendo uma cena?", eu rio, um som quebrado e irregular. "Você acabou de pedir outra mulher em casamento na minha frente, Caio. Você deu a ela o anel da sua mãe."

Ele suspira, passando a mão pelo cabelo. Ele parece irritado, como se eu fosse uma criança fazendo birra por um brinquedo que ele se recusou a comprar.

"São negócios, Aurora. Você sabe como isso funciona. O território dos Valente faz fronteira com o nosso. É uma fusão. Isso não muda a gente."

"Isso muda tudo!", eu tento puxar meu braço, mas ele segura mais forte.

"Pare com isso", ele ordena. Sua voz baixa uma oitava. "Estou fazendo isso por nós. Com a aliança Valente, eu garanto a cadeira de Chefe. Terei dinheiro suficiente para te bancar em qualquer lugar. Já aluguei o apartamento na Paulista. A cobertura. É sua."

"Eu não quero um apartamento", eu sussurro. "Eu queria você."

"Você me tem", ele diz, aproximando-se, me encurralando contra a parede. Ele cheira a uísque caro e traição. "Karina é apenas um título. Ela é a Sra. no papel. Você é a minha garota. Você sempre foi a minha garota."

Ele enfia a mão no bolso do paletó e tira uma bolsinha de veludo.

"Aqui", ele diz, pressionando-a na minha mão. "Pelo incômodo."

Eu abro. Brincos de diamante. Pesados. Caros.

Dinheiro para me calar.

"Você acha que pode comprar meu silêncio?", eu pergunto.

"Acho que posso comprar sua obediência", ele diz, seus olhos escurecendo. "Seja esperta, Aurora. Você não tem para onde ir. Seu pai está se afogando em dívidas. Sua mãe está morta. Sem mim, você é uma presa."

Ele está certo. Ou estava, cinco minutos atrás.

Antes de eu mandar a mensagem para Heitor Montenegro.

"Vamos", ele diz, ajustando as abotoaduras. "O carro está esperando. Karina vai com a gente. Seja educada."

A viagem para casa é um cortejo fúnebre para o meu coração.

Eu sento de frente para eles no banco de trás da limusine. Karina está bebendo champanhe, com as pernas sobre o colo de Caio.

"Então", Karina diz, olhando para mim por cima da borda da taça. "Aqui estão as regras, Aurora. Já que o Caio é sentimental."

Ela levanta um dedo.

"Um. Você nunca liga para ele depois das 22h. Esse é o meu tempo."

"Dois. Sem aparições públicas, a menos que eu autorize."

"Três. Você não engravida. Se engravidar, você resolve."

Caio não diz nada. Ele apenas observa a cidade passar, sua mão acariciando o tornozelo de Karina distraidamente.

"E Aurora?", Karina sorri. "Você deveria me agradecer. A maioria das esposas mandaria te esfolar. Eu estou deixando você manter suas penas."

Eu olho pela janela para as luzes borradas da cidade.

*O preço é o casamento.*

Eu aperto meu celular no escuro.

*Estou pronta para pagar.*

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