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Sua Joia Descartada: Brilhando Nos Braços do Don Implacável
img img Sua Joia Descartada: Brilhando Nos Braços do Don Implacável img Capítulo 3
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Capítulo 3

POV Aurora

As portas do elevador se abriram diretamente na cobertura. *Nossa* cobertura.

Ou pelo menos, era.

Eu saí, meus saltos afundando no tapete felpudo que eu escolhi no ano passado. O cheiro de baunilha e sândalo - minhas velas - ainda pairava no ar.

"Nossa, isso aqui cheira a uma confeitaria." Karina torceu o nariz, passando por mim como se estivesse evitando um cheiro ruim. "Vamos ter que reformar este lugar. É muito... doméstico."

Caio a seguiu, afrouxando a gravata. Ele nem olhou para mim.

"Karina vai ficar com a suíte principal", ele disse, com a voz neutra. "Mova suas coisas para o quarto de hóspedes, Aurora."

Eu congelei. "Como é que é?"

"O quarto de hóspedes", ele repetiu, finalmente encontrando meus olhos. Não havia pedido de desculpas neles, apenas o pragmatismo frio de um Capo dando ordens. "Precisamos da suíte principal. Tem o cofre e a linha segura."

"Esta é a minha casa", eu disse, minha voz tremendo.

"É minha propriedade", Caio corrigiu suavemente. "Eu pago a hipoteca. Eu pago a luz. Eu pago as roupas que você veste."

Ele passou por mim em direção à cozinha, servindo-se de uma bebida sem olhar para trás.

Eu fiquei ali, minha pele queimando de humilhação. Karina já estava caminhando em direção ao nosso quarto - *meu* quarto.

Eu me virei e marchei para a suíte principal. Karina estava parada ao lado da cama, passando a mão na colcha que eu comprei para o nosso aniversário.

"Gracioso", ela murmurou. Ela me olhou com as sobrancelhas arqueadas. "Ah, você ainda está aqui? Caio disse quarto de hóspedes. Rápido, rápido."

Peguei minha mala do armário. Comecei a jogar roupas dentro dela. Não para o quarto de hóspedes. Para a porta.

Eu não ia ficar aqui. Eu dormiria em um banco de praça antes de dormir no mesmo corredor que eles.

Caio apareceu na porta, copo na mão. Ele me observou fazer as malas com um divertimento distante.

"Não seja dramática", ele disse. "Você está fazendo as malas para o apartamento na Paulista? Tudo bem. Mando um motorista levar suas caixas amanhã. Apenas pegue o que precisa para esta noite e vá para o quarto de hóspedes."

Ele achava que eu estava me mudando para o apartamento de amante. Ele não conseguia conceber um mundo onde eu realmente o deixaria.

"Eu não vou para o apartamento", eu disse, fechando a mala com um estalo decisivo.

"Então para onde você vai?", ele riu. "Para a casa do seu pai? Ele te vende de volta para mim por uma ficha de pôquer."

Eu não respondi. Apenas passei por ele.

Ele agarrou meu braço. "Aurora. Pare."

"Me solta."

"Você vai ficar", ele ordenou. "Temos uma reunião de café da manhã aqui amanhã. Preciso que você cozinhe. Karina não cozinha."

Eu o encarei, incrédula. "Você quer que eu faça panquecas para você depois de trazer sua noiva para a nossa cama?"

"Eu quero que você faça a frittata que eu gosto", ele disse, seu rosto endurecendo. "E pare de chamar de *nossa* cama. É um móvel."

Karina saiu do banheiro, agora vestindo um robe de seda. *Meu* robe de seda.

"Amor", ela disse para Caio, me ignorando completamente. *"Ho fame. Ordiniamo da quel posto francese?"* (Estou com fome. Vamos pedir daquele lugar francês?)

*"Sì, amore. Quello che vuoi,"* (Sim, amor. O que você quiser.) Caio respondeu, mudando sem esforço para o italiano.

Ele olhou para mim, depois de volta para ela, e continuou falando na língua rápida e lírica do nosso mundo - a língua dos negócios, dos segredos, da família.

Eu entendia italiano. Eu aprendi por ele. Mas ele fingia que não. Ele usava isso como um muro para me excluir, para me lembrar que eu era uma turista em seu país.

"Comida de plebeu me dá azia de qualquer maneira", disse Karina em português, olhando para o fogão onde os ingredientes para o nosso jantar de aniversário ainda estavam intocados.

Ela foi até a adega e pegou uma garrafa.

Minha respiração prendeu. Era um vinho tinto de safra. Uma das poucas garrafas que Caio guardava para ocasiões especiais.

Era também uma mistura pesada em sulfitos. Eu era gravemente alérgica. Caio sabia disso. Passamos uma noite no pronto-socorro há três anos com ele segurando minha mão por causa de uma garrafa igual a essa.

"Abra esta", disse Karina, entregando-a a ele.

Caio pegou a garrafa. Ele a desarrolhou sem hesitar. Serviu duas taças.

Ele nem olhou para o rótulo. Ele tinha esquecido. Ou pior, ele não se importava se eu parasse de respirar, desde que sua nova Rainha estivesse feliz.

Ele entregou uma taça para Karina. Eles brindaram.

Eu soltei a alça da minha mala. Eu não precisava de roupas. Eu precisava de ar.

Eu caminhei até a porta da frente.

"Aqui", Caio chamou. Ele não se virou. Ele apenas jogou algo na mesa de entrada de mármore. Aterrissou com um barulho de plástico.

Seu cartão Black.

"Vá comprar algo bonito para você", ele disse. "Esfrie a cabeça. Volte quando estiver pronta para se comportar."

Eu abri a porta.

Quando a trava clicou, ouvi Karina dar uma risadinha. Então ouvi o som de uma taça sendo posta na mesa, seguido pelo som suave e úmido de um beijo.

"Quarto", Caio rosnou, sua voz grossa de desejo.

Eu bati a porta, cortando o som. Mas o silêncio no corredor era mais alto. Ele gritava.

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