Gênero Ranking
Baixar App HOT
A Traição Fria e Amarga do Bilionário
img img A Traição Fria e Amarga do Bilionário img Capítulo 1 1
1 Capítulo
Capítulo 6 6 img
Capítulo 7 7 img
Capítulo 8 8 img
Capítulo 9 9 img
Capítulo 10 10 img
Capítulo 11 11 img
Capítulo 12 12 img
Capítulo 13 13 img
Capítulo 14 14 img
Capítulo 15 15 img
Capítulo 16 16 img
Capítulo 17 17 img
Capítulo 18 18 img
Capítulo 19 19 img
Capítulo 20 20 img
Capítulo 21 21 img
Capítulo 22 22 img
Capítulo 23 23 img
Capítulo 24 24 img
Capítulo 25 25 img
Capítulo 26 26 img
Capítulo 27 27 img
Capítulo 28 28 img
Capítulo 29 29 img
Capítulo 30 30 img
Capítulo 31 31 img
Capítulo 32 32 img
Capítulo 33 33 img
Capítulo 34 34 img
Capítulo 35 35 img
Capítulo 36 36 img
Capítulo 37 37 img
Capítulo 38 38 img
Capítulo 39 39 img
Capítulo 40 40 img
Capítulo 41 41 img
Capítulo 42 42 img
Capítulo 43 43 img
Capítulo 44 44 img
Capítulo 45 45 img
Capítulo 46 46 img
Capítulo 47 47 img
Capítulo 48 48 img
Capítulo 49 49 img
Capítulo 50 50 img
Capítulo 51 51 img
Capítulo 52 52 img
Capítulo 53 53 img
Capítulo 54 54 img
Capítulo 55 55 img
Capítulo 56 56 img
Capítulo 57 57 img
Capítulo 58 58 img
Capítulo 59 59 img
Capítulo 60 60 img
Capítulo 61 61 img
Capítulo 62 62 img
Capítulo 63 63 img
Capítulo 64 64 img
Capítulo 65 65 img
Capítulo 66 66 img
Capítulo 67 67 img
Capítulo 68 68 img
Capítulo 69 69 img
Capítulo 70 70 img
Capítulo 71 71 img
Capítulo 72 72 img
Capítulo 73 73 img
Capítulo 74 74 img
Capítulo 75 75 img
Capítulo 76 76 img
Capítulo 77 77 img
Capítulo 78 78 img
Capítulo 79 79 img
Capítulo 80 80 img
Capítulo 81 81 img
Capítulo 82 82 img
Capítulo 83 83 img
Capítulo 84 84 img
Capítulo 85 85 img
Capítulo 86 86 img
Capítulo 87 87 img
Capítulo 88 88 img
Capítulo 89 89 img
Capítulo 90 90 img
Capítulo 91 91 img
Capítulo 92 92 img
Capítulo 93 93 img
Capítulo 94 94 img
Capítulo 95 95 img
Capítulo 96 96 img
Capítulo 97 97 img
Capítulo 98 98 img
Capítulo 99 99 img
Capítulo 100 100 img
img
  /  2
img
img

A Traição Fria e Amarga do Bilionário

Autor: Ethyl Minow
img img

Capítulo 1 1

A chuva se misturava às lágrimas em seu rosto, quente e salgada contra a água gelada. Ela soltou uma risada curta e engasgada que soou mais como um soluço. Ela quase morrera hoje. Tinha visto o chão correndo ao seu encontro. E, no entanto, aquele impacto não doera nem metade do que isso.

As luzes fluorescentes acima eram brilhantes demais, zumbindo numa frequência que parecia vibrar diretamente contra o crânio de Anajê. Ela piscou, sentindo as pálpebras como lixa, e tentou levantar o braço direito. Uma dor aguda e queimante disparou do ombro até o pulso, forçando um gemido de sua garganta seca. Ela cerrou os dentes contra uma onda de tontura, um fantasma persistente da concussão sobre a qual o médico a alertara. Olhou para baixo. Seu braço estava envolto em gaze grossa, um branco gritante contra o hematoma que já florescia em violeta e verde na sua pele.

Ela estava viva.

A memória da turbulência, os alarmes gritando no jato particular e o silêncio aterrorizante que se seguiu à queda voltaram numa onda fragmentada e caótica. Ela se lembrava do ar frio entrando por uma brecha na fuselagem. Lembrava-se de esperar pelo fim.

Uma enfermeira entrou apressada no quarto, verificando a bolsa de soro pendurada ao lado da cama. Ela não olhou para o rosto de Anajê, apenas para o equipamento.

- Com licença - Anajê coaxou. Sua voz era uma ruína. - Alguém esteve aqui? Meu marido?

A enfermeira parou, os olhos oscilando em direção à porta e depois voltando para a prancheta em suas mãos. Parecia desconfortável, mudando o peso de um pé para o outro.

- Apenas a entrega de flores, Sra. Hortêncio. De uma Gertrudes Hortêncio. Sem visitas.

Gertrudes. A avó de Adão. A única que olhava para Anajê com algo além de desprezo. Mas e Adão?

Anajê alcançou o telefone na mesa de cabeceira com a mão boa. A tela estava rachada, uma teia de aranha distorcendo o vidro, mas ganhou vida. Ela tocou no registro de chamadas. Seu coração martelava contra as costelas, um pássaro frenético preso numa gaiola.

Havia três chamadas perdidas. Todas da seguradora sobre a aeronave.

Zero de Adão.

Ela abriu o aplicativo de notícias. A manchete gritava em letras pretas e ousadas: "Pouso de Emergência do Jato Particular Hortêncio – Piloto e Passageira Sobrevivem". Abaixo, havia uma foto. Não era do local do acidente. Era uma foto de arquivo de Adão, parecendo elegante e severo num terno grafite, cortando uma fita num novo centro tecnológico. O horário da reportagem era de duas horas atrás.

Adão estava sorrindo na foto. Ele estava cortando uma fita enquanto ela sangrava numa vala.

Um frio que nada tinha a ver com o ar-condicionado do hospital instalou-se fundo em sua medula. Começou no peito e se espalhou, adormecendo as pontas dos dedos. Ela não era apenas desimportante; ela era inexistente.

Ela levantou a mão e arrancou a fita do acesso venoso de sua mão.

- Senhora! Não pode fazer isso! - a enfermeira gritou, deixando cair a prancheta.

Anajê não olhou para ela. Deslizou as pernas para fora da cama. O chão estava congelante contra seus pés descalços.

- Estou assinando minha alta contra o conselho médico - disse Anajê. Sua voz estava mais forte agora, alimentada por uma raiva súbita e gélida. - Tenho uma abrasão de grau 2 e provavelmente uma concussão leve. Eu mesma monitorarei vômitos e dilatação da pupila. Me dê a papelada.

A enfermeira parecia atordoada pela mudança repentina de comportamento, pela terminologia médica fluindo da mulher que assumiram ser apenas uma esposa troféu traumatizada.

Dez minutos depois, Anajê saiu pelas portas de vidro deslizantes da emergência. Usava sua camisola hospitalar enfiada num par de calças cirúrgicas largas que a enfermeira lhe dera por pena, e um corta-vento fino e descartável.

Estava chovendo. Claro que estava chovendo. Uma garoa fria que encharcou o tecido fino instantaneamente, colando o cabelo na testa.

Ela ficou no meio-fio, tremendo. Não queria voltar para a cobertura. A ideia daquele mausoléu de vidro fazia seu estômago revirar.

Um veículo preto elegante virou a esquina, os faróis cortando a escuridão. A respiração de Anajê falhou. Ela conhecia aquele carro. Era um Bentley Mulsanne. O carro de Adão.

Por uma fração de segundo, uma esperança patética brilhou em seu peito. Ele tinha vindo. Ele tinha ouvido.

Ela recuou para trás de uma coluna de concreto, uma vergonha súbita tomando conta dela. Ela parecia um destroço. Não queria que ele a visse assim.

O carro não parou na área geral. Deslizou por ela, suave e silencioso, e parou na entrada VIP a quinze metros de distância.

O motorista, um homem que ela conhecia bem, saiu e abriu um grande guarda-chuva preto. Ele abriu a porta traseira.

Adão saiu.

Anajê pressionou-se contra o concreto frio da coluna. Ele estava impecável. Sem gravata, botão superior desfeito, mangas enroladas até os cotovelos. Ele parecia preocupado. A testa franzida, o maxilar tenso.

Ele se virou para o interior do carro e se inclinou.

Não puxou uma pasta. Não se afastou. Inclinou-se e pegou alguém nos braços.

Era uma mulher. Pequena, loira, frágil.

Cássia Inácio.

Cássia tinha o rosto enterrado na curva do pescoço de Adão, os braços enrolados firmemente em seus ombros. Parecia pequena e preciosa, como porcelana fina que precisava ser manuseada com extremo cuidado.

Anajê assistiu, paralisada. Não conseguia ouvir o que diziam, mas viu os lábios de Adão roçarem a testa de Cássia. Foi um gesto de tamanha ternura, tamanho instinto protetor, que pareceu um soco físico no estômago de Anajê.

Adão virou-se e carregou Cássia em direção aos elevadores VIP. Ele não olhou para a esquerda. Não olhou para a direita. Certamente não olhou para a saída geral onde sua esposa, que acabara de cair do céu, estava parada na chuva.

O telefone vibrou em seu bolso. Ela olhou para baixo, entorpecida. Era uma mensagem automática da companhia aérea: "Pedimos desculpas pelo inconveniente em relação à sua bagagem..."

Ela olhou para cima, mas as portas automáticas já haviam se fechado atrás deles. Eles tinham ido embora.

Anajê olhou para sua mão esquerda. A simples aliança de platina em seu dedo parecia pesada, como uma algema. Ela a segurou com a mão direita, girando-a sobre o nó do dedo. Parecia fria, estranha. Ela não a jogou fora. Em vez disso, uma resolução fria tomou conta dela. Isso merecia mais do que um gesto desesperado na chuva. Merecia um enterro final e deliberado.

Um táxi amarelo passou por uma poça e diminuiu a velocidade perto dela. Anajê levantou a mão.

- Para onde? - perguntou o motorista, observando sua roupa estranha.

- Mansão Hortêncio - sussurrou ela. Então limpou a garganta e disse novamente, mais alto. - Mansão Hortêncio.

Ela entrou no banco de trás e fechou os olhos, mas a imagem de Adão carregando Cássia estava queimada na parte de trás de suas pálpebras.

            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022