Gênero Ranking
Baixar App HOT
Contrato de esposa  - Guerra de herdeiros
img img Contrato de esposa - Guerra de herdeiros img Capítulo 3 A TEMPORAL
3 Capítulo
Capítulo 6 ALIANÇA INDIGESTA img
Capítulo 7 CAFÉ SEM AÇÚCAR img
Capítulo 8 O SORRISO DE BIANCA img
Capítulo 9 PROTOCOLO DE APARÊNCIAS img
Capítulo 10 O HOSPITAL EM RISCO img
Capítulo 11 MADRUGADA DE NEGÓCIOS img
Capítulo 12 A SOMBRA DE CAETANO img
Capítulo 13 O RELÓGIO DE OURO img
img
  /  1
img

Capítulo 3 A TEMPORAL

Eu nunca gostei de tempestades no Rio. Elas começam bonitas, com aquele vento morno levantando o cabelo, e terminam com árvore caindo na rua e o trânsito virando um inferno. A cidade pulsa demais para ser silenciosa, mas naquela tarde o céu resolveu pesar, ficou quase roxo sobre a Barra, e eu estava na varanda da cobertura observando o mar agitado como se aquilo fosse algum tipo de presságio. Eu não acredito nessas coisas, mas também não sou idiota. Quando tudo parece calmo demais, normalmente não está.

O contrato tinha três dias.

Três dias oficialmente casada com Dante Albuquerque.

E ainda parecia mentira.

A cobertura era grande demais para duas pessoas que fingiam naturalidade, os móveis minimalistas demais, o vidro da varanda refletindo uma imagem que eu ainda estava tentando aceitar. Eu estava usando uma camisa branca dele, larga nos meus ombros, o cabelo preso num coque bagunçado porque o calor não dava trégua, e segurava uma xícara de café já frio enquanto pensava na cláusula do testamento que tinha nos colocado ali. "Somente herdeiro legalmente casado poderá assumir a presidência." Eu quase conseguia ouvir a voz seca do avô dele dizendo aquilo numa sala cheia de homens engravatados.

Atrás de mim, ouvi o som baixo de passos firmes. Não precisei virar para saber que era ele. Dante não fazia barulho desnecessário, mas a presença dele ocupava espaço, o tipo de energia que altera o ar antes mesmo de tocar.

- Vai chover - ele comentou, aproximando-se da porta de vidro, o tom neutro, como se estivesse falando de números.

- Uau, sério? - respondi, virando o rosto para encará-lo. - Achei que era o sol se escondendo por timidez.

Ele inclinou a cabeça levemente, quase sorrindo.

- Você sempre responde com ironia ou é só comigo?

- Só com quem merece - retruquei, dando de ombros.

Ele estava de camisa social azul clara, mangas arregaçadas até o antebraço, o relógio escuro ajustado no pulso. Eu odeio admitir, mas aquela combinação deveria ser proibida por lei. O tecido esticava discretamente no bíceps quando ele cruzou os braços, e eu desviei o olhar rápido demais. Autopreservação. Não tinha nada a ver com o fato de que ele ficava ridiculamente bem assim.

- Precisamos sair em quarenta minutos - ele avisou, consultando o relógio. - Reunião extraordinária no Centro. Murilo pediu urgência.

Murilo pedindo urgência é igual criança pedindo doce. Sempre tem algo por trás.

- E você atende? - questionei, apoiando a xícara no aparador.

- Ele está no conselho - Dante respondeu, a voz firme. - Ignorar seria dar munição.

Eu me aproximei, encostando na bancada da cozinha americana que dividia o espaço com a sala, e cruzei os braços automaticamente.

- Isso tá com cheiro de problema.

Ele observou o gesto, como se analisasse cada movimento meu.

- Você já desconfiava dele antes de casar comigo? - perguntou, quase casual.

- Eu não confio em gente que sorri demais em reunião tensa - declarei. - E ele sorri como se estivesse em comercial de pasta de dente.

Dante soltou um sopro que poderia ter sido uma risada contida.

- Você é direta demais.

- E você é controlado demais.

A chuva começou naquele exato momento, grossa, pesada, batendo no vidro com força. O som ecoou pela cobertura, preenchendo o silêncio que se instalou entre nós. Eu devia ter ido me trocar. Devia mesmo. Mas fiquei ali, encarando o mar e fingindo que não sentia o olhar dele percorrendo minhas costas cobertas apenas pela camisa dele.

- Você vai assim? - ele perguntou, finalmente.

- Assim como?

- Com a minha camisa.

Eu virei devagar, sustentando o olhar.

- Tá te incomodando?

Ele demorou um segundo antes de responder.

- Não - disse, firme. - Só não é exatamente traje de conselho administrativo.

Eu mordi o lábio inferior, segurando um sorriso.

- Relaxa, eu sei me vestir.

Passei por ele propositalmente perto demais, sentindo o calor do corpo dele misturado com o perfume discreto que sempre usava. Foi rápido. Um roçar quase acidental. Mas suficiente para alterar o ritmo da minha respiração. Ele não recuou. Também não avançou. Só ficou ali, sólido.

Quando entrei no quarto para me arrumar, fechei a porta e apoiei as costas nela por dois segundos.

Respira, Aurora.

É só um contrato.

Escolhi um vestido cinza de corte reto, elegante, discreto, que marcava a cintura sem exagero. Salto preto. Cabelo preso num rabo de cavalo baixo. Maquiagem leve. Profissional. Blindada. Eu sabia exatamente qual imagem precisava projetar na sede do Grupo Bastos & Albuquerque. Não era sobre beleza. Era sobre presença.

Quando voltei para a sala, Dante já estava de blazer. O contraste da camisa clara com o terno escuro realçava ainda mais a postura dele. Ele me analisou de cima a baixo sem pressa, os olhos verdes frios demorando um segundo a mais do que o necessário.

- Está adequada - afirmou.

- Ufa - respondi, teatral. - Eu estava ansiosa pela sua aprovação.

Ele se aproximou, ajustou discretamente uma mecha do meu cabelo que tinha escapado e murmurou:

- Não dramatiza.

O toque foi rápido. Mas não foi profissional.

O elevador desceu em silêncio, o reflexo de nós dois no espelho metálico parecia capa de revista corporativa. Eu percebi o olhar de Dante fixo na tela do celular, digitando mensagens curtas, provavelmente organizando a reunião antes mesmo de chegar.

- Você confia em Bianca? - perguntei, de repente.

Ele ergueu os olhos.

- Por quê?

- Ela te olha como se estivesse escolhendo um apartamento para comprar.

Ele arqueou a sobrancelha.

- Isso é ciúme?

Eu ri baixo.

- Do quê? - respondi, sustentando o olhar. - É só observação estratégica.

Ele não comentou. Mas o maxilar dele ficou levemente tensionado.

O carro seguiu pela Avenida das Américas sob chuva intensa, os faróis refletindo no asfalto molhado, o trânsito lento, típico de tempestade carioca. A cidade nunca para, mas também nunca facilita.

Quando chegamos à sede no Centro, o prédio espelhado parecia ainda mais imponente contra o céu carregado. Subimos direto para a sala do conselho. O ar-condicionado estava forte demais, como sempre, e o cheiro de café fresco misturava-se ao perfume caro de executivos acostumados a fingir cordialidade.

Murilo estava lá, sorrindo.

Sempre sorrindo.

- Aurora - ele cumprimentou, abrindo os braços como se fôssemos velhos amigos. - Que prazer tê-la oficialmente na família.

Eu apertei a mão dele com firmeza.

- O prazer é todo meu - respondi, seca.

Ele se aproximou demais, como de costume, inclinando-se levemente.

- Espero que esteja gostando do novo cargo.

- Eu gosto de desafios - retruquei.

Do outro lado da mesa, Bianca ajustava a pasta de documentos com elegância impecável. O vestido azul marinho, o cabelo loiro liso perfeitamente alinhado, o batom discreto. Ela ergueu os olhos e sorriu para Dante antes mesmo de me cumprimentar.

- Dante, revisei a apresentação de marketing - informou, tocando levemente o braço dele ao entregar o tablet.

Toque desnecessário.

Dante recebeu o aparelho sem reagir ao contato.

- Obrigado, Bianca.

Ela então virou-se para mim.

- Aurora, você está linda - comentou, inclinando a cabeça levemente. - Combina com esse ambiente.

Eu sorri educadamente.

- Eu me adapto rápido.

Ela sustentou o olhar por um segundo longo demais.

A reunião começou com números, contratos hospitalares, novas licitações públicas e projeções de expansão para tecnologia médica. Era tudo plausível, técnico, denso. Eu acompanhava cada gráfico com atenção real, não estava ali como adereço. Murilo conduzia parte da apresentação, exageradamente didático, quase performático.

- Precisamos acelerar o processo de aquisição - ele declarou, batendo levemente na mesa. - A concorrência está se movendo.

- A concorrência não tem o nosso capital - Dante respondeu, firme.

- Capital pode evaporar - Murilo rebateu, sorrindo torto. - Principalmente quando mal administrado.

A sala ficou silenciosa.

Eu observei Dante ajustar o relógio.

Sinal claro.

Ele estava irritado.

- Está insinuando algo? - Dante perguntou, a voz baixa demais.

Murilo abriu as mãos.

- Só estou sendo prudente.

Bianca interveio suavemente.

- Talvez possamos revisar os relatórios com mais calma antes de qualquer decisão precipitada - sugeriu, a voz doce demais para ser inocente.

Eu anotei mentalmente: ela protege ele.

Ou usa ele.

Ou os dois.

Quando a reunião terminou, Murilo saiu primeiro, falando ao telefone com alguém em tom baixo. Bianca recolheu os papéis com calma excessiva. Eu me aproximei da janela da sala, observando a chuva diminuir lá fora.

Dante veio para perto.

- O que você achou? - ele perguntou.

- Que alguém está escondendo alguma coisa - respondi, sem rodeios.

Ele ficou em silêncio por um segundo.

- Eu resolvo.

- Não dramatiza - eu devolvi, imitando o tom dele.

Ele quase sorriu.

Do outro lado da sala, percebi algo rápido demais para ser coincidência: Bianca e Murilo trocaram um olhar. Curto. Calculado. Familiar demais.

Aquilo não era só alinhamento profissional.

Aquilo era segredo.

E eu senti, pela primeira vez, que o contrato que eu tinha assinado era a parte mais simples daquela guerra.

A tempestade lá fora estava passando.

Mas dentro daquela empresa, ela estava só começando

Saímos da sede já com a noite caindo sobre o Centro, o asfalto ainda molhado refletindo luz vermelha de farol e amarelo de poste, a cidade respirando vapor depois da tempestade como se estivesse cansada demais para fingir normalidade. O motorista abriu a porta, Dante entrou primeiro, eu deslizei para o banco ao lado dele, e por alguns segundos ficamos em silêncio, aquele silêncio que não é confortável nem desconfortável, é apenas carregado.

Eu estava pensando no olhar que Bianca trocou com Murilo. Não foi profissional. Não foi casual. Foi o tipo de olhar que carrega informação.

- Você viu? - perguntei de repente.

- O quê? - ele respondeu sem tirar os olhos do celular.

- A troca de olhares.

Ele ergueu os olhos devagar.

- Entre quem?

- Não se faz de distraído comigo, Dante.

Ele bloqueou a tela do aparelho e finalmente me encarou.

- Murilo e Bianca trabalham juntos há anos.

- Não daquele jeito - eu rebati, inclinando levemente o corpo na direção dele. - Aquilo foi comunicação silenciosa.

Ele me observou como se estivesse avaliando se eu estava exagerando.

- Você está procurando problema.

Eu ri baixo.

- Eu não preciso procurar. Ele se oferece.

O carro entrou na Zona Portuária revitalizada, prédios antigos misturados com estruturas modernas de vidro, bares acesos, gente caminhando mesmo com o chão ainda úmido. A tal "Faria Lima carioca" fervilhava de executivos jovens fingindo que não estavam competindo uns com os outros.

- Murilo não é burro - Dante disse, finalmente. - Se estivesse fazendo algo ilegal, não seria tão óbvio.

- Quem disse que ele acha que está sendo óbvio?

Ele ficou em silêncio.

Eu senti que tinha acertado.

Quando chegamos à cobertura, o ar estava úmido e pesado. O cheiro de mar subia com o vento da noite. Tirei os saltos assim que a porta fechou, caminhando pela sala com passos mais leves, soltando o cabelo que caiu pelos ombros.

- Você anda rápido quando está irritada - Dante comentou atrás de mim.

- Eu sei.

- E está irritada.

- Também sei.

Eu fui até a cozinha pegar água, sentindo o olhar dele nas minhas costas de novo. Aquilo estava virando hábito. Abri a geladeira, peguei a garrafa, bebi direto mesmo, sem elegância nenhuma.

- Você não acha estranho? - insisti, limpando a boca com as costas da mão.

Ele tirou o blazer, jogou sobre o sofá e afrouxou a gravata.

- Eu acho que você está querendo transformar suspeita em certeza.

- E você está querendo transformar certeza em comodidade.

Ele caminhou até mim devagar, parando do outro lado da bancada. Próximo demais.

- Você acha que eu sou ingênuo? - perguntou, a voz baixa.

- Não - respondi, sustentando o olhar. - Acho que você está acostumado a controlar tudo. E talvez tenha algo que você não esteja vendo.

O silêncio que se seguiu foi denso. A luz da cozinha era mais quente, mais íntima, refletindo no mármore claro da bancada. Ele apoiou as mãos na superfície, inclinando-se levemente para frente.

- Você quer investigar - ele afirmou.

- Eu quero entender onde eu me enfiei.

Ele respirou fundo.

- Isso não é da sua conta.

Eu senti o sangue subir.

- Fala sério, Dante. Eu casei com você. Meu nome está vinculado à empresa. Se isso desmorona, cai em mim também.

Ele apertou o maxilar.

- Eu resolvo.

Eu ri, nervosa.

- Você não pode resolver tudo sozinho.

Ele ficou muito perto agora. Eu sentia o calor dele atravessar o espaço mínimo entre nós.

- Eu preciso que você confie em mim - ele murmurou.

- Confiança não é decreto presidencial - respondi, quase sussurrando também. - Se constrói.

Ele me encarou por um segundo longo demais. O ar parecia pesado. O cheiro do perfume dele misturado com a umidade da noite me deixou estranhamente consciente do próprio corpo.

- Você está tremendo - ele observou.

- Estou com frio.

- Não está.

Eu respirei fundo.

- Não complica as coisas.

Ele inclinou o rosto levemente, os olhos descendo por um segundo até minha boca. Eu percebi. Claro que percebi. Meu coração deu aquele salto irritante que eu me recuso a analisar.

- Você que complica - ele murmurou.

A campainha tocou.

Eu quase pulei para trás.

Dante fechou os olhos por um segundo, irritado com a interrupção, e se afastou. Eu ajeitei a postura rapidamente, cruzando os braços como se nada tivesse acontecido.

Era Caetano.

Claro que era.

Ele entrou com aquele sorriso de quem sabe demais.

- Espero que eu não esteja atrapalhando - disse ele, olhando de mim para Dante com uma expressão divertida.

- Está - Dante respondeu seco.

Caetano ignorou o tom e caminhou pela sala como se estivesse em casa.

- Temos um pequeno problema jurídico - anunciou, abrindo a pasta que carregava. - Surgiu um questionamento sobre uma das últimas licitações. E adivinha quem levantou a dúvida?

- Murilo - eu respondi antes de Dante.

Caetano apontou para mim.

- Ela aprende rápido.

Dante lançou um olhar que poderia congelar água.

- Vai direto ao ponto.

Caetano apoiou os documentos na mesa.

- Há indícios de inconsistência contábil no setor de aquisição hospitalar. Nada escandaloso ainda. Mas suficiente para abrir investigação interna.

Eu senti um frio percorrer a espinha.

- Ele quer forçar auditoria - murmurei.

- Ele quer desestabilizar - Dante corrigiu.

Caetano cruzou os braços.

- Ou quer esconder algo maior criando distração.

Silêncio.

- Você está do nosso lado hoje? - Dante perguntou, seco.

Caetano sorriu.

- Eu trabalho com fatos. Não com sentimentos.

- Isso não responde - eu observei.

Ele me olhou por um segundo a mais.

- Depende de quem estiver mentindo melhor.

Dante se aproximou dele.

- Cuidado.

- Sempre - Caetano respondeu, tranquilo.

Eu observei a troca com atenção. Havia tensão ali. Competição. Ego.

E um leve traço de ciúme.

Eu percebi quando Caetano comentou, casualmente:

- Aurora estava impecável hoje no conselho.

Dante não respondeu. Mas a mão dele pousou nas minhas costas, firme, quente, marcando território sem dizer uma palavra.

Eu engoli seco.

Caetano percebeu.

Claro que percebeu.

- Interessante - ele murmurou.

- O quê? - Dante perguntou.

- Nada. Só... dinâmica.

Eu revirei os olhos.

- Vocês dois são insuportáveis.

Mas, no fundo, algo estava mudando. A guerra corporativa começava a ganhar forma concreta. Investigação interna significava exposição. Exposição significava risco.

Quando Caetano finalmente foi embora, a cobertura ficou silenciosa de novo. A cidade lá fora ainda pulsava, mas aqui dentro parecia suspensa.

Eu caminhei até a varanda, abrindo a porta de vidro. O vento noturno trouxe cheiro de mar e as luzes da Barra refletiam na água escura.

Dante apareceu atrás de mim.

- Se isso escalar, você pode se machucar - ele disse.

- Eu não sou frágil.

- Eu sei.

Eu virei para encará-lo.

- Então para de me tratar como se eu fosse.

Ele passou a mão pelo cabelo, exausto.

- Eu odeio perder controle.

- Então se prepara - eu retruquei. - Porque isso aqui não está sob controle.

Ele se aproximou de novo, a luz da cidade desenhando o contorno do corpo dele sob a camiseta preta agora mais justa, o peito amplo subindo devagar com a respiração.

- Você não tem ideia do que pode acontecer - ele murmurou.

- Então me conta - eu desafiei.

Ele segurou meu rosto de repente, as mãos firmes nas laterais, não agressivas, mas decididas.

- Eu não vou deixar nada acontecer com você - declarou, a voz baixa, intensa.

Meu coração disparou.

- Você não pode prometer isso.

- Posso tentar.

A distância entre nossos rostos era mínima. Eu sentia a respiração dele. O calor. O peso da escolha.

Por um segundo inteiro, eu pensei que ele ia me beijar.

E eu não teria recuado.

Mas ele fechou os olhos, respirou fundo e soltou meu rosto.

- É só um contrato - ele disse, quase para si mesmo.

Eu engoli seco.

- É - confirmei, mesmo sabendo que a palavra estava ficando pequena demais.

Lá embaixo, a cidade continuava viva. Carros passando. Sirenes distantes. Gente vivendo.

Aqui em cima, a guerra estava oficialmente declarada.

E eu tinha a sensação incômoda de que alguém já estava preparando o próximo movimento.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022