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Uma Babá para o Chefe
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Capítulo 6 6

Tinham passado três semanas desde que chegou àquela casa e era a babá de Roxana.

Sua vida não é que tivesse mudado muito; movia-se pela mansão só em quatro quartos e em uma só direção. Dias após dias, a mesma rotina.

Podia ir ao jardim, à sala de jogos e estudos de Roxana, à cozinha e àqueles dois quartos.

Mais da metade da casa não conhecia e tampouco podia bisbilhotar; Aisha sempre tinha os olhos sobre ela como se fosse uma intrusa ou um perigo, e aonde quer que observasse havia homens vigiando-a, não só quando estava sozinha, também quando iam para fora da casa; em cada espaço havia homens pertencentes à segurança da casa.

De vez em quando se sentia muito agobiada por tantos homens por toda a casa, tantos olhos sobre ela.

Aquela segurança havia sido aumentada desde que Roxana chegou ali.

Seu pai queria mantê-la segura e, em vista de que sua mãe ainda não aparecia, Vasily sempre tinha um mau pressentimento a respeito.

Nerea não conseguia se sentir confortável na casa. Não se acostumava a ser vigiada; Roxana já o tinha sob controle.

A menina havia deixado de chorar nas noites; acostumou-se a dormir sozinha, sempre que Nerea lhe contasse um conto até dormir; dizia algumas frases e praticavam a pronúncia com vídeos que Aisha lhes proporcionou, porque o sotaque de Nerea era muito ruim e temia que o da menina fosse igual.

Viu Vincent um par de vezes e entre essas vezes ela lhe disse que ficaria sendo a babá de Roxana, que não faria nada para estragá-lo.

Bastou a primeira semana para se apegar à menina, sobretudo porque Roxana a tomava como se fosse sua mãe, grudada nela o dia todo. Para Roxana, Nerea era a segurança que lhe fazia falta. E para Nerea, essa menina era também um refúgio.

A Vincent, que queria possuir Nerea, isso não lhe fez muita graça e não voltou a falar com ela; estava em casa também, mas não se viam; a evitava; havia querido fazê-la sua puta pessoal, mas não pôde conseguir.

Ali ele não podia se aproximar de Nerea, não com as intenções que ele tinha para com ela.

A última vez que Nerea viu Vasily foi aquela manhã quando ela achou que Roxana estava sequestrada; desde esse dia não o voltou a ver, só em umas ocasiões quando o via sair, mas sem falar.

Nem sequer sabia se ele estava em casa; era suficientemente grande como para estar ali sem que duas pessoas se encontrassem; os espaços eram imensos.

Depois da soneca, chegou a hora de Roxana estudar o idioma.

Tinha horários para cada coisa, com a finalidade de que Roxana se acostumasse a estudar e não se queixasse na hora de fazê-lo; criar-lhe um hábito era importante. Nerea havia investigado muito; queria fazer bem seu trabalho para que não a destinassem a outra coisa. Estava levando muito a sério.

Quando entraram no quarto de estudos, ali estava Vasily Ivanov, esperando junto à janela.

De trás se via sua larga espalda debaixo daquele traje cinza e o tecido esticado através de seus músculos que se tensionavam com seus braços cruzados.

A menina, ao ver seu pai depois de tanto tempo, caminhou para ele.

Nerea ficou na porta, observando a iniciativa de Roxana quando seu pai nem se havia dignado em virar-se para vê-la.

- Como vai com o idioma? Tem que aprender também a escrevê-lo. - Olhou para a menina a seus pés; a loira de cachos de ouro lhe sorriu.

O corpo de Vasily se agachou frente a ela e deixou uma mão em seu ombro. Em sua mente buscava alguma frase em espanhol que pudesse dizer-lhe, mas Vasily se envergonhava um pouco de sua má pronúncia e algo que sempre evitava era fazer o ridículo, assim que se limitou a olhar para sua filha.

Roxana tomou a mão do homem musculoso e o guiou para uma pequena mesa; aquele espaço onde sua filha estudava estava projetado com mesas e banquinhos muito pequenos, onde nem em sonhos Vasily caberia. Vendo que esse era o desejo de sua filha, fingiu que se sentava, não apoiando seu corpo na pequena cadeira.

A loira começou a trazer desenhos que ela mesma havia feito, mostrando ao seu pai; falava-lhe em espanhol e ele mal compreendia algumas palavras. Não assentia até processá-las; seu domínio do espanhol não tinha um bom fluxo.

Nerea se aproximou dos dois, guardando a distância, traduzindo rapidamente as palavras que a menina dizia a seu pai.

Levou outros desenhos e o caderno de tarefas para que o pai os visse.

Ele deu uma olhada crítica a cada coisa; Nerea notava, mas isso não apagava a alegria de Roxana.

- Talvez deva mostrar um pouco mais de entusiasmo - aconselhou-lhe, irritando-se pela maneira tão fria que o homem mostrava para com sua filha, que com tanto entusiasmo lhe ensinava tudo. - Leva semanas sem ver sua filha e agora ela lhe mostra todos os seus avanços. Pergunta por você todos os dias e quando por fim você está aqui tem uma expressão... fria com cada coisa que ela lhe mostra. Só é uma menina - lembrou-lhe; surpreso, Vasily tocou seu rosto, massageou suas bochechas e depois tentou sorrir. O homem não estava acostumado a crianças, muito menos a mostrar expressões de agrado ou fingi-las; em seu rosto estava desenhada a mesma expressão que usava com os demais. Claro que lhe alegrava ver sua filha; era seu pai e desde que a menina chegou à sua casa ele se sentia bem, mas nada mais além disso; tampouco sentia a necessidade de estar sempre com ela, mas a queria desde o momento em que a viu. Sua forma de expressar seus sentimentos era muito diferente do acostumado.

Deixou uma mão na cabeça de Roxana, querendo fazer um gesto agradável com ela; a menina ficou muito quieta e ele esboçou seu melhor sorriso para ela. Tomou-a pelos braços e a sentou em suas pernas, mas nesse preciso momento seu corpo se apoiou na cadeira e esta se desmoronou no chão, caindo ambos.

Suas mãos protegeram a menina sem que nada lhe acontecesse.

Roxana, longe de se assustar, começou a rir; começou a rir entre os braços de seu pai.

Ele a abraçou contra si e beijou sua testa, sustentando a pequena entre seus braços.

Olhando aquele momento tão terno e inesperado, Nerea observou algo no Pakhan; seu sorriso se tornou sincero, natural, totalmente espontâneo.

Aquilo que sulcava seus lábios fazia seu rosto parecer diferente, relaxado.

Um agradável calafrio acariciou seu corpo enquanto o olhava; ele e Roxana seguiram brincando; no final, Nerea os deixou a sós para que compartilhassem mais tempo de pai e filha.

Refugiou-se em seu quarto, reproduzindo em sua mente o sorriso agradável do Pakhan uma e outra vez.

Brincava com seus dedos sobre a cama, imaginando Vasily se comportar de forma agradável com Roxana.

Poderia esse homem ser alguém carinhoso e atento? Um bom pai?

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