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O Amor Oculto Dele, O Arrependimento Cego Dela
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Capítulo 5

A dor era incandescente, uma onda de calor branco que roubou o fôlego de Arthur. Sua pele gritava, formando bolhas com o impacto. Ele não conseguia nem emitir um som, apenas um suspiro sufocado enquanto seu corpo se contraía em choque.

"Arthur!"

A voz de Júlia cortou a névoa de agonia. Ela se desembaraçara de Caio e agora estava ao seu lado, os olhos arregalados com um pânico genuíno que ele não via desde o dia em que ela pensou que havia perdido o Coração do Mar.

"Você está bem? Dói?", ela perguntou, a mão pairando sobre o braço dele, com medo de tocar a pele que rapidamente avermelhava. "Precisamos te levar para um hospital."

Por um único e tolo momento, Arthur sentiu um lampejo de algo. Talvez ela se importasse.

Então Karina gritou. "Caio! Meu Deus, você está ferido!"

A cabeça de Júlia se virou bruscamente para Caio. A preocupação fugaz por Arthur desapareceu, substituída por um terror frenético e avassalador.

"O quê? Onde?", ela gritou, correndo de volta para o lado de Caio.

Algumas gotas da sopa haviam respingado no paletó caro de Caio. Uma pequena marca vermelha, não maior que uma moeda de dez centavos, era visível no dorso de sua mão.

"Ah, não é nada", disse Caio, fazendo uma careta dramática e segurando a mão como se estivesse quebrada. "Estou bem, de verdade. Arthur é quem está gravemente ferido."

"Não seja um herói, Caio!", lamentou Karina. "Sua pele é tão sensível! Olha, já está inchando! Precisamos ir para o pronto-socorro agora mesmo!"

Caio soltou um pequeno gemido de dor, seu rosto uma máscara de nobre sofrimento. "Mas o Arthur..."

O coração de Júlia se apertou. Ver Caio com dor, por menor que fosse, era insuportável para ela. Todo pensamento racional fugiu.

Ela pegou o braço de Caio gentilmente. "Nós vamos. Agora." Ela o puxou em direção à saída, então parou, olhando para Arthur por cima do ombro. Seu rosto era uma confusão de culpa e lealdades divididas.

"Arthur, me desculpe", disse ela, a voz apressada. "A mão do Caio... parece ruim. Você... você consegue pegar um táxi para o hospital, não é? Eu te encontro lá."

E então ela se foi, meio que carregando um Caio mancando e gemendo para fora do restaurante, com Karina agitando-se ansiosamente atrás deles.

Arthur foi deixado sozinho à mesa, o caos do restaurante se desvanecendo em um zumbido distante. A dor era um fogo violento em seu braço e peito. Ele os observou partir, uma clareza final e arrepiante se instalando sobre ele.

Abandonado. De novo.

Ele cerrou os dentes, o suor frio brotando em sua testa. Uma garçonete gentil correu com uma tigela de água gelada e panos limpos, seu rosto marcado pela pena.

"Aqui, senhor. Isso pode ajudar."

Ele conseguiu um aceno fraco de agradecimento. Depois de alguns minutos e dois analgésicos do kit de primeiros socorros do restaurante, o fogo violento diminuiu para uma queimadura controlável. A garçonete lhe emprestou uma camisa limpa do uniforme. Ele cambaleou para fora do restaurante e chamou um táxi, indicando o hospital mais próximo.

O médico do pronto-socorro estava sério enquanto limpava e enfaixava as queimaduras. "São de segundo grau, alguns pontos beirando o terceiro. Você teve sorte. Alguns centímetros mais para cima e poderia ter sido seu rosto. Você terá algumas cicatrizes significativas."

Arthur apenas fechou os olhos, a ardência do antisséptico um contraponto surdo à pulsação em sua alma. Enquanto o médico trabalhava, ele ouviu duas enfermeiras conversando baixo no posto próximo.

"...você acredita naquela mulher do quarto 3? O namorado dela teve um pingo de sopa na mão, e ela exigiu que o chefe da dermatologia fosse chamado."

"Eu sei! O cara com as queimaduras de verdade teve que pegar um táxi até aqui sozinho. Ela simplesmente o deixou no restaurante."

"Tem gente pra tudo. Aquele Caio Oliveira é um artista famoso ou algo assim, né? Ela deve ser louca por ele. Não se vê um amor assim todos os dias."

Arthur não pôde evitar uma risada seca e silenciosa que enviou uma nova onda de dor pelo seu peito. Amor. Eles achavam que era amor.

Quando suas feridas foram enfaixadas, ele agradeceu ao médico e saiu para a noite. Seu celular vibrou. Era um e-mail. Ele o abriu sob as luzes fortes do hospital.

FUNDAÇÃO KELLERMAN DE ARTES - ACEITAÇÃO OFICIAL

As palavras dançaram diante de seus olhos. Era real. Seu bilhete de saída.

Ele não voltou para a mansão. Pegou um táxi para uma loja de artigos de arte 24 horas, as luzes fluorescentes um brilho forte em seu rosto pálido. Então dirigiu seu próprio carro, estacionado em uma garagem próxima, para uma cabana remota que seu amigo Fábio possuía nas montanhas.

Por três dias, ele não olhou para o celular. Não pensou em Júlia ou Caio ou na vida que estava deixando para trás. Ele apenas sentou-se à beira do lago, cercado pela majestade silenciosa das montanhas, e pintou. A dor em seu braço era uma pulsação surda, um lembrete físico da ferida em seu coração, mas enquanto trabalhava, ela começou a desaparecer. Ele pintou o nascer do sol, o verde profundo dos pinheiros, o reflexo das nuvens na água. Ele pintou com uma liberdade que não sentia há cinco anos. Ele se pintou de volta à existência.

No terceiro dia, sua obra-prima completa, ele desceu a montanha para enviar a tela para a galeria que Fábio havia arranjado. Enquanto esperava no escritório de expedição, ele finalmente ligou o celular.

Ele explodiu.

Dezenas de chamadas perdidas. Uma enxurrada de mensagens de texto.

Júlia.

Júlia.

Júlia.

Arthur, onde você está?

Atende o telefone!

Você está tentando me deixar preocupada? Isso é algum tipo de jogo?

ARTHUR, ME LIGA DE VOLTA AGORA!

Ele encarou a tela, uma estranha sensação de distanciamento tomando conta dele. Por cinco anos, ele ansiara pela atenção dela. Agora que a tinha, não sentia nada.

Seu celular tocou novamente. Desta vez, era Karina. Ele atendeu por impulso.

"Onde diabos você está?!", ela gritou, sem qualquer cumprimento. "Você tem ideia de como a Júlia está desesperada? Você some por três dias sem uma palavra! Está tentando chamar a atenção dela se fazendo de difícil? É patético! Não vai funcionar!"

Ela desligou antes que ele pudesse responder.

Arthur franziu a testa. Chamar a atenção dela? Ele apenas... tinha sumido. A ideia de que Júlia, que o deixara queimado e com dor, agora estava "desesperada" era tão absurda que era quase engraçada. A preocupação dela não era por ele. Era pela interrupção de sua rotina. A máquina bem oleada de sua vida tinha uma peça quebrada, e ela estava irritada. Era só isso.

Mas o volume de chamadas e mensagens confirmava. Pela primeira vez em cinco anos, Júlia Romero estava procurando por ele.

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