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Capítulo 6 Confia em mim

Capítulo 6

João Miguel Prass Fernandes

Eu não gosto quando algo foge do meu controle, e naquele momento... estava tudo errado.

As imagens das câmeras passavam repetidamente na tela, sempre no mesmo ponto, como se em algum momento fossem me entregar uma resposta diferente. Mas não entregavam. Eu conhecia cada centímetro daquele sistema, cada ângulo, cada corredor, cada ponto que deveria estar coberto. Fui eu quem organizei aquilo nos últimos meses, quem decidiu onde haveria redundância, onde não haveria falhas, e mesmo assim... Nils simplesmente desapareceu.

Inclinei o corpo para frente, apoiando os antebraços na mesa, enquanto pausava a imagem no exato segundo em que ele aparecia pela última vez. A postura dele estava normal, atento como sempre, um bom soldado. Disciplinado. Confiável. E, pelo jeito que Astrid reagiu... importante demais para ela.

Respirei fundo e voltei alguns segundos na gravação. Observei cada movimento com mais atenção, diminuindo a velocidade, analisando até o que parecia insignificante. Foi quando percebi. Não era ausência. Não era falha. Algo estava bem errado.

Franzi o cenho, aproximando o rosto da tela.

- Não... - murmurei baixo pra Alexei e Hugo - Alguém sabia exatamente onde mexer. - Minha mandíbula travou. - Filho da puta...

Eu ainda estava tentando identificar o ponto exato da alteração quando ouvi a voz dela atrás de mim.

- João Miguel, vem comigo.

Fechei os olhos por um segundo, controlando a irritação. Eu não queria sair dali porra, não agora, não quando estava perto de entender o que tinha sido feito. Mas eu fui. Porque, querendo ou não, agora ela também fazia parte disso.

Segui Astrid até o pequeno escritório que agora estava sob responsabilidade do Ragnar como Consigliere. Assim que ela fechou a porta, o ambiente mudou. O ar ficou mais pesado, mais direto, sem espaço para disfarces. A mulher endoidou.

- Foi você que fez algo a Nils, não foi? - ela perguntou, sem rodeios. - O que fez com ele?

Virei devagar, tentando entender se ela realmente estava falando aquilo ou era eu que estava ficando louco.

- Quê?

Soltei uma risada curta, sem humor.

- Você ouviu perfeitamente João Miguel. Eu quero a verdade dessa vez. - Respirei fundo tentando não esganar minha recente esposa.

- Eu aqui tentando resolver essa merda e você me acusando?

Ela não recuou um centímetro.

- Resolver? O que eu vi foi você procurando a porta por onde ele saiu. Mas já vimos que não aparece em nenhuma. Você sabe perfeitamente que Nils foi levado e está tentando enrolar. Isso só me diz que pode estar envolvido... ou você mesmo fez alguma coisa.

Aquilo foi o suficiente. Em dois passos, eu já estava na frente dela. Segurei seu braço e a empurrei contra a parede, firme o bastante para deixar claro que eu não estava brincando.

Não levantei a voz. Nem precisei.

- Se você não confiar em mim... - falei baixo, controlado, muito mais perigoso do que qualquer grito - eu vou me irritar com você.

Inclinei o rosto, ficando perto o suficiente para que ela sentisse minha respiração. Senti seu corpo tremer levemente. - E vai por mim... ninguém chegou a me ver irritado. Vai me odiar.

Ela tentou me empurrar, incomodada, respirando mais rápido.

- Tá, tudo bem... posso ter me precipitado, mas é que te vi perto de onde ele sumiu e só consegui pensar nisso.

Soltei o braço dela devagar, sem perder o olhar. Passei a ponta dos dedos na sua pele branquinha e rosada.

- Precisa apurar melhor sua interpretação das coisas. Não é um movimento isolado que te diz o que aconteceu em determinada situação, branquinha.

O olhar dela mudou, mais atento.

- Está falando da Chiara? - Aquilo me pegou de surpresa. - O que foi? Tá surpreso porque eu já sei o nome dela?

Franzi o cenho. Que Caralho fez ela saber algo sobre Chiara? Poucos souberam dela.

- O quê? Não misture as coisas. Pouco me importa se sabe o nome daquela mulher.

Afastei um pouco, passando a mão pelo maxilar.

- Só não esquece que você passou a vida toda ao lado de um velho que dizia ser seu pai... e era um filho da puta. Mentiroso, assassino e abusador.

Assim que as palavras saíram, eu vi o efeito.

O corpo dela travou. O ar pareceu faltar.

Que merda eu fiz?

- Astrid? - Ela soltou meus braços devagar, como se estivesse voltando para si. - Astrid, você está bem?

Encostou na parede e desviava do meu olhar. Demorou alguns segundos, mas ela assentiu, ainda afetada.

- Só me diz que não fez nada com Nils. Ele é um bom rapaz. - Sua voz era baixa agora. Sustentei o olhar dela, sem desviar.

- Não. Eu não fiz nada. - Dei um passo à frente. - Espero que minha palavra baste pra você, porque eu não vou me esforçar em provar nada que eu não tenha feito.

O silêncio entre nós ficou pesado.

- Você vai ter que escolher, Astrid - continuei, mais baixo. Esperei. - Ou confia em mim e compartilha sua vida comigo... e eu com você. Ou seremos dois inimigos, desconhecidos na mesma casa. - Inclinei levemente a cabeça. - O que vai ser?

Ela estava ofegante, irritada, ainda desconfiada... mas racional o suficiente para entender o peso daquilo.

- Eu... Eu acredito - disse, mesmo sem convicção total. Respirou fundo. - Então o que faremos agora?

Virei sem responder.

- Vem comigo.

- Pra onde? - Abri a porta.

- Vai vir ou não?

Ouvi os passos dela atrás de mim enquanto descíamos. O caminho até o porão era silencioso, pesado, como se cada degrau carregasse a tensão daquela noite.

Quando chegamos, Karl já estava lá. Ajoelhado ao lado do corpo, morto de um soldado para enfiar no saco.

Sangue fresco na testa do tiro que eu disparei.

Astrid parou ao meu lado.

- O que aconteceu?

Cruzei os braços, observando a cena.

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