Gênero Ranking
Baixar App HOT
Um Don para a Dama da Máfia
img img Um Don para a Dama da Máfia img Capítulo 8 Medo
8 Capítulo
Capítulo 9 Vai me explicar img
Capítulo 10 Me beija, branquinha... img
Capítulo 11 Finge que é anjo da Strondda img
Capítulo 12 Regras iguais img
Capítulo 13 Pesadelo img
Capítulo 14 Negócios img
img
  /  1
img

Capítulo 8 Medo

Capítulo 8

João Miguel Prass Fernandes

Observei o rosto dela com atenção quando disse que tinha algo pra me contar. O jeito que desviou levemente o olhar, a tensão no corpo, a forma como parecia medir cada palavra antes de dizer... aquilo me levou direto para uma única conclusão.

Eu já conhecia esse tipo de conversa. Soltei o ar pelo nariz e a interrompi antes que começasse.

- Fica tranquila - falei, com naturalidade. - Eu não ligo se você não é mais virgem. O importante é que você é minha agora. Não me importo com o passado... e você também não deveria se importar.

Ela piscou, surpresa. Encostou na parede fixando o olhar em mim como se me estudasse. Por um segundo, pareceu até perdida.

Mas então... o olhar mudou.

- Está dizendo isso pra apagar sua traição com a Chiara?

Bufei, passando a mão pelo rosto. Claro... Ela estava indo por esse caminho. Respirei fundo, olhei bem pra ela.

- Eu não sei o que a Chiara disse pra você - respondi, já sentindo a irritação crescer - mas eu não encostei nela hoje. Você não consegue acreditar em nada do que eu digo?

Dei um passo pelo quarto, soltando o restante da gravata. Ela parecia frágil, que iria surtar, mas engoli seco quando percebi que me enganei.

- Só fiz uma pergunta João Miguel. - Falou firme, com o olhar fixo pra mim, rosto erguido, postura de ataque.

Entendi. Era a primeira vez que daria satisfação a uma mulher, mas é minha esposa agora. Então lá vamos nós...

- Ela se ofereceu pra fazer uma aliança comigo há um tempo. Eu até considerei a possibilidade de casar com ela. Cheguei a conversar com o Don Vinícius e ele disse que pra Strondda era vantajoso. - Olhei de lado pra Astrid.

- Então não fui seu primeiro acordo? Ninguém comentou nada sobre isso... - reclamou.

- É porque não cheguei a oficializar, poucos ficaram sabendo. Eu até casaria, só que ela apareceu numa boate da Strondda, me ofereceu uma bebida dizendo que precisava conversar... e acabou amanhecendo na minha cama.

- Transou com ela e depois mandou pastar? - sentou na cama com a boca aberta.

- Ela me drogou. Acha mesmo que eu aceitaria passar o resto da minha vida com uma mulher que eu nunca confiaria? Não. Pra mim acabou antes de começar.

Vi o olhar dela pesar. Continuei, direto:

- Também fiquei sabendo que ela é mais rodada que catraca de ônibus... - dei uma pausa - eu a recusei.

Astrid cruzou os braços.

- E por que ela veio no nosso casamento? Você a convidou não foi?

- O pai dela é um cara importante na polícia - respondi sem hesitar. - Tem parceria com a Strondda. Foi o Don Vinícius quem pediu pra convidar. Então sim. Eu mesmo convidei.

Ela não parecia satisfeita. Virou o rosto para o lado, olhando coisas aleatórias, tentando fazer parecerem importantes.

- E por que ela esteve no seu quarto... e gemeu daquele jeito?

Inclinei a cabeça, encarando.

- Está com ciúmes branquinha? - sentei ao seu lado. Um leve sorriso puxou meu canto de boca. - Pensei que não ligaria... já que deixou bem claro que era cada um por si. - Provoquei. Já notei que se importa.

Ela não recuou.

- Então você transou com ela no dia do nosso casamento?

Minha expressão fechou.

- Não. - Fui mais firme dessa vez. - Eu realmente troquei de quarto porque achei que estava com um cheiro estranho naquele. - Sustentei o olhar dela. - Você disse mais cedo que confiaria em mim.

O silêncio ficou pesado por um instante. Ela respirou fundo, desviando o olhar.

- Tá... vamos esquecer isso por agora. - Voltou a me encarar. - Eu preciso te explicar algo importante... eu não sou como a Chiara, mas não te dei detalhes.

Soltei um leve ar pelo nariz, aproximando-me novamente.

- Ei... já disse pra relaxar quanto a isso - falei, mais baixo, apoiando seus ombros com as mãos. - Se não é virgem, tudo bem. Significa que não vai sentir dor. - Parei bem na frente dela e sussurrei - E eu vou ser cuidadoso.

Segurei o rosto dela com uma das mãos. Caralho, é gostosa pra porra. Tem uma pele perfeita, tão branquinha e bochecha rosada. Seus cabelos parecem desenhados a mão. Um loiro bonito, claro o suficiente pra me deixar bobo. Ela cheira a flores, tem uma delicadeza sem igual e uma postura calculista de mafiosa nata que me deixa louco.

Não a amo ou algo parecido, mas sua beleza é suficiente pra me manter olhando pra ela por horas.

A beijei.

No começo, o beijo foi contido, ela não se soltou como já se soltou uma vez. Era quase uma pergunta pra mim, se eu realmente estava fazendo aquilo.

Mas ela correspondeu aos poucos, e isso foi o suficiente pra que eu continuasse.

Aprofundei o beijo, puxando-a pela cintura, sentindo o corpo dela se ajustar ao meu. A respiração dela mudou, acompanhando o ritmo, e por um momento tudo ficou simples.

Só o gosto dela, o calor. A proximidade. Apertei um pouco mais a cintura, trazendo-a pra mim, sentindo o desejo crescer de forma inevitável. O corpo reagia rápido demais quando estava perto dela e meu pau pulsava, apertado pela cueca.

Mas... algo não encaixava. Havia pequenas pausas, movimentos mínimos dela que me deixavam em parafuso.

Como se, em alguns momentos, ela quisesse se afastar... e logo depois voltasse.

Afastei um pouco, apenas o suficiente para observar seus olhos, porque eles não mentem.

Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela se adiantou.

A mão dela segurou levemente meu peito.

- Você pode buscar minha mala? - disse, tentando manter a voz firme. - Eu preciso de um banho... - Respirava tão rápido que parecia ter corrido uma maratona.

Fiquei alguns segundos em silêncio, analisando.

Ela estava evitando, mas não era rejeição, era outra coisa.

Algo que ela ainda não tinha dito. Assenti devagar.

- Claro. - Soltei o corpo dela, levantando e dando um passo para trás.

- Já volto.

Mas antes de sair, parei na porta e olhei novamente para Astrid. Ela estava ali, imóvel, ainda segurando o controle que insistia em não perder. E foi nesse momento que tive certeza de uma coisa.

Ela não estava com medo de mim. Estava com medo... do que eu ainda não sabia. Mas o que poderia ser mais importante que não ser virgem? Será que tem algo de errado com ela?

Anterior
                         
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022