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Capítulo 4 03

Capítulo 03 – Ecos do Passado

Sofia Castellano

Eu estava bem.

Pelo menos, fisicamente. O alívio de ver Rafael, de saber que ele estava vivo, me dava forças para continuar. Mas meu corpo estava exausto. Depois de um plantão de 48 horas, ser arrastada para o meio de um terremoto de magnitude 8.1 e passar por um resgate sufocante me deixava à beira do colapso.

As autoridades disseram que estávamos fora de perigo-por enquanto. Mas eu sabia que as consequências do terremoto estavam longe de acabar.

Enquanto Rafael verificava os sobreviventes junto aos bombeiros, eu me sentei por um momento, encostada nos escombros, tentando recuperar o fôlego.

A adrenalina finalmente começava a se dissipar. E, no meio do cansaço, entre um cochilo e outro, minha mente me levou para outro lugar.

Outro tempo.

---

Flashback On

A noite estava tranquila. Meu turno começava há pouco tempo, e até agora não havia emergências graves. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios. Depois de semanas caóticas no pronto-socorro, finalmente uma madrugada parecia serena.

Mas minha paz durou pouco.

- Boa madrugada, Dra. Castellano. - A voz grave e carregada de um sotaque italiano inconfundível ecoou atrás de mim.

Meu coração acelerou no mesmo instante. Eu sabia de quem era aquela voz antes mesmo de me virar.

Darius Moretti.

O cirurgião-chefe. Meu chefe.

E o homem que bagunçava meus pensamentos mais do que eu gostaria de admitir.

Me virei devagar e encontrei aquele sorriso torto e confiante que sempre fazia minhas pernas tremerem.

- Boa madrugada, Dr. Moretti. - Respondi com um sorriso contido, tentando ignorar o jeito que seu olhar percorria meu rosto, como se pudesse enxergar cada um dos meus segredos.

Tentei passar por ele, fingindo indiferença, mas antes que pudesse dar mais dois passos, senti sua mão segurar meu pulso.

- Onde vai com tanta pressa, mia cara? - Sua voz saiu baixa, um sussurro carregado de provocação.

Engoli em seco.

- Tenho trabalho a fazer - respondi, tentando soar firme, mas minha voz falhou levemente.

Darius sorriu, aquele sorriso perigoso que sempre indicava que ele estava prestes a ultrapassar limites.

- Trabalho? - Ele inclinou a cabeça, fingindo considerar minha resposta. - Acho que pode esperar um minutinho.

Antes que eu pudesse reagir, ele me puxou para dentro do almoxarifado, fechando a porta atrás de nós com um movimento ágil.

- Darius! - Protestei, mas minha voz se perdeu quando ele me encurralou contra a parede, seu corpo quente pressionado contra o meu.

- Você anda me evitando - ele murmurou, seus olhos escuros analisando cada traço do meu rosto. - Por quê?

Meu coração batia forte. Meu corpo estava traindo qualquer argumento racional que eu pudesse usar para afastá-lo.

- Não estou... - tentei dizer, mas Darius apenas arqueou uma sobrancelha, cético.

- Ah, não? Então por que sempre foge quando me vê?

Tentei manter a compostura, mas era difícil quando ele estava tão perto, quando sua presença dominava cada milímetro do espaço ao nosso redor.

- Porque isso não é certo. - murmurei, sentindo o calor de seu corpo.

Darius soltou uma risada baixa e rouca.

- E desde quando "certo" tem algo a ver conosco?

Ele não me deu tempo para responder. Antes que eu pudesse formular qualquer pensamento coerente, seus lábios tomaram os meus com urgência.

O beijo era voraz, faminto. Como se ele estivesse esperando por aquilo há tempo demais.

Minhas mãos foram para seus ombros instintivamente, e eu deveria ter o afastado, deveria ter dito que aquilo era um erro, mas, em vez disso, puxei-o para mais perto.

Darius gemeu contra minha boca, suas mãos deslizando por minha cintura, segurando-me como se tivesse medo que eu desaparecesse.

O mundo fora daquela sala deixou de existir.

Ali, no almoxarifado, sob o cheiro de remédios e o brilho fraco da lâmpada fluorescente, éramos só nós dois.

E nada mais importava.

Flashback Off

---

Minha respiração voltou ofegante quando abri os olhos.

O céu cinza do pós-terremoto substituiu a lembrança quente do passado, e meu peito se apertou com a realidade.

Darius Moretti...

Fazia tanto tempo que eu não pensava nele.

Mas agora, ele voltava à minha mente como um fantasma, justo quando minha vida estava virando de cabeça para baixo.

---

Rafael Castellano

O calor sufocante e a poeira densa tornavam o ar quase irrespirável. O cheiro de concreto quebrado e queimado impregnava minhas narinas, enquanto meus olhos corriam por entre os destroços, buscando sinais de vida.

O caos ainda dominava as ruas. Pessoas feridas, gritos de desespero, sirenes ecoando. Mas eu não podia parar. Não agora.

- Castellano! - Um dos bombeiros me chamou, apontando para um prédio parcialmente desmoronado. - Precisamos de ajuda para retirar alguns sobreviventes!

Assenti, correndo na direção do chamado. Meu corpo já estava no limite, mas meu dever falava mais alto. Eu precisava continuar.

Então, tudo aconteceu rápido demais.

Um estalo alto cortou o ar, como se o próprio mundo estivesse se partindo mais uma vez.

Levantei o olhar e vi o pedaço de concreto se soltando do topo da estrutura acima de mim.

Não havia tempo para correr.

O impacto foi brutal.

O peso esmagador me atingiu em cheio no ombro e na cabeça, jogando-me para trás com violência. Tudo girou ao meu redor, e um zumbido ensurdecedor tomou conta dos meus ouvidos.

A última coisa que vi antes da escuridão me engolir foi o céu cinzento se distorcendo acima de mim.

---

Flashback On

Dor.

Mas não a dor física.

Aquela dor era diferente.

Era o tipo de dor que queimava por dentro, consumia como fogo e deixava cicatrizes invisíveis.

- Você não pode simplesmente ir embora assim, Catarina! - Minha voz saiu rouca, misturando-se ao som da tempestade lá fora.

Catarina Lancaster me olhava com aqueles olhos cheios de fúria e tristeza. Seu rosto estava molhado, e eu não sabia se era pela chuva que batia contra as janelas ou pelas lágrimas que ela tentava esconder.

- E o que mais eu deveria fazer, Rafael? - Sua voz tremia, carregada de raiva e desespero. - Ficar e assistir enquanto você me empurra para longe, um dia após o outro?

Fechei os punhos.

- Eu nunca quis te machucar...

- Mas machucou. - Ela deu um passo para trás, como se colocar distância entre nós pudesse amenizar a dor. - Você sempre me coloca em segundo plano, Rafael. Sempre me trata como se eu fosse só mais uma coisa na sua vida que pode esperar.

- Isso não é verdade.

- Não? Então me diz, quando foi a última vez que você escolheu eu em vez do seu trabalho? Em vez da sua obsessão de salvar o mundo?

Minha respiração acelerou. Eu não queria ter essa conversa. Não agora. Não desse jeito.

Mas Catarina nunca fugia de uma briga.

- Você sabia desde o começo que meu trabalho era tudo para mim! - Exclamei, frustrado.

- E eu fui idiota o suficiente para acreditar que, em algum momento, eu seria tudo para você também.

Suas palavras foram um golpe direto.

E o pior de tudo?

Ela tinha razão.

O silêncio caiu entre nós. A tempestade lá fora rugia, mas dentro daquela sala o som mais alto era o do meu coração batendo descompassado.

Ela deu um suspiro trêmulo.

- Eu te amei, Rafael. Te amei tanto que doeu. Mas eu cansei de implorar pelo seu tempo.

- Catarina...

Ela fechou os olhos, como se estivesse se preparando para fazer algo que doía tanto quanto ouvir.

- Adeus, Rafael.

E então, ela se virou e foi embora.

Dessa vez, eu não tentei impedi-la.

Flashback Off

---

A dor aguda no meu corpo me puxou de volta à realidade.

Tossi, sentindo o gosto metálico do sangue na boca. O peso sobre mim era esmagador, me prendendo contra o chão frio. Meu ombro latejava, minha cabeça girava, mas eu ainda estava vivo.

Abri os olhos devagar, piscando contra a poeira e o entulho ao meu redor.

A tempestade do meu passado se misturava ao caos do presente.

Catarina Lancaster...

A mulher que um dia foi tudo para mim.

E que eu deixei escapar.

{...}

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