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A Secretária Comprada: O Preço da Vingança
img img A Secretária Comprada: O Preço da Vingança img Capítulo 2 A Reunião
2 Capítulo
Capítulo 6 Assistente ou Mascote img
Capítulo 7 O Fantasma do Passado img
Capítulo 8 Insônia img
Capítulo 9 A Exibição img
Capítulo 10 Ciúmes Primitivos img
Capítulo 11 Na Boca do Lobo img
Capítulo 12 Bem-vinda a casa img
Capítulo 13 A Sabotagem img
Capítulo 14 A Prova de Lealdade img
Capítulo 15 Um Presente Envenenado img
Capítulo 16 O Jantar com a Noiva img
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Capítulo 2 A Reunião

- Eu não disse sim - apressou-se em dizer seu pai, segurando as mãos dela com desespero. - Eu disse não a ele! Preferiria morrer a entregá-la a esse monstro. Irei para a prisão, Valeria. Não me importo.

Valeria olhou para o pai. Viu o tremor em suas mãos, o terror em seus olhos diante da ideia da prisão, a fragilidade de sua velhice. Se ele fosse para a prisão, morreria lá. E Dante Volkov ficaria com tudo de qualquer maneira.

Ela se soltou suavemente do aperto do pai e se levantou. Caminhou até a grande janela que dava para os jardins escuros. Em algum lugar daquela cidade, em uma torre de vidro e aço, um homem estava esperando para destruir a sua vida.

Um homem que acreditava poder comprar tudo.

Valeria secou uma lágrima solitária que escapou por sua bochecha. Sua vida de luxos, festas e preocupações superficiais havia terminado cinco minutos atrás. Agora, restava apenas a sobrevivência.

Ela se virou para o pai, de queixo erguido e com uma frieza nova no olhar.

- Você não irá para a prisão, papai - disse com voz firme. - Ligue para Volkov. Diga a ele que aceito o acordo.

Amanhã ela conheceria o Diabo. E pretendia olhá-lo diretamente nos olhos.

A Torre Volkov cortava o céu da cidade como uma adaga de obsidiana.

Valeria de la Vega ergueu o olhar da calçada, sentindo que o edifício se inclinava sobre ela, ameaçando esmagá-la antes mesmo de entrar. Cinquenta andares de vidro fumê e aço negro. Um monumento à arrogância.

Ela alisou a saia de seu terninho Chanel branco - sua armadura para a batalha - e respirou fundo. O ar-condicionado do saguão a atingiu com um tapa gelado assim que as portas giratórias a engoliram. Tudo ali dentro gritava dinheiro novo e poder absoluto: o chão de mármore negro sem um único veio, a recepção que parecia mais um altar do que uma mesa, e o silêncio religioso que reinava no ambiente.

- Tenho uma reunião com o senhor Volkov - disse Valeria, esforçando-se para que sua voz não tremesse.

A recepcionista, uma mulher loira de beleza clínica e fria, nem sequer a olhou nos olhos enquanto digitava.

- 50º andar. Estão esperando por você, senhorita De la Vega. O elevador privativo é o da esquerda.

Valeria caminhou em direção ao elevador de queixo erguido, sentindo os olhares dos seguranças em suas costas. Quando as portas se fecharam e a caixa de metal começou a subir a uma velocidade vertiginosa, seus ouvidos taparam.

"É apenas um homem", repetiu para si mesma mentalmente. "Um homem de negócios cruel, mas um homem, afinal de contas. Posso negociar. Posso oferecer minhas ações, meu fundo fiduciário, meu trabalho... mas sob as minhas condições."

O elevador parou com um suave ding e as portas se abriram diretamente para um escritório que ocupava o andar inteiro.

Não havia secretária. Não havia sala de espera. Apenas um vasto espaço aberto com paredes de vidro que ofereciam uma vista panorâmica da cidade a seus pés. O sol do entardecer banhava a sala em tons de laranja e vermelho, dando a impressão de que o céu estava em chamas.

E lá, no fundo da sala, atrás de uma mesa de madeira escura tão grande quanto uma mesa de banquete, estava ele.

Estava de costas, olhando pela grande janela, com as mãos nos bolsos de uma calça social que se ajustava perfeitamente à sua figura.

- Senhor Volkov - chamou Valeria, dando um passo à frente. Seus saltos ecoaram contra o chão de madeira polida, um som solitário e agudo. - Sou Valeria de la Vega. Vim discutir os termos da... dívida do meu pai.

O homem não se virou imediatamente. Valeria notou a largura de seus ombros sob o tecido fino da camisa branca. Ele era alto. Muito mais alto e atlético do que imaginava para um tubarão financeiro.

- Sei a que veio, Valeria - disse ele.

A voz a fez parar bruscamente.

Era grave, áspera como cascalho, com um tom sombrio que percorreu sua espinha como um choque elétrico. Aquela voz... aquela voz lhe era incrivelmente familiar, embora tivesse amadurecido, tornando-se mais profunda e perigosa.

O homem se virou lentamente.

Valeria sentiu o ar escapar de seus pulmões. Sua bolsa de grife escorregou de seus dedos e caiu no chão com um baque surdo.

Não era um desconhecido. Não era um empresário velho, acima do peso e com cheiro de charuto.

Diante dela, com um sorriso que não chegava aos seus olhos cinzentos como gelo, estava o garoto que costumava podar as cercas vivas do labirinto de seu jardim dez anos atrás. O filho da cozinheira e do jardineiro. O garoto sujo e silencioso que ela e seus amigos haviam apelidado de "O Mudo".

- Dante... - sussurrou, com a incredulidade estrangulando sua garganta.

- Dante Volkov - corrigiu ele, caminhando ao redor da mesa com a graça predatória de um felino.

Ele já não usava os jeans rasgados nem as botas sujas de lama. Vestia um terno feito sob medida que custava mais do que o carro de Valeria. Seu cabelo preto, antes bagunçado e comprido, agora estava curto e penteado com precisão militar. Mas eram os olhos... aqueles olhos cinzentos continuavam os mesmos, embora agora brilhassem com uma inteligência letal e um ódio frio.

Ele parou a um metro dela, invadindo seu espaço pessoal. Cheirava a sândalo, a especiarias caras e a perigo.

- Você está pálida, princesa - disse ele, cuspindo o apelido com uma mistura de zombaria e veneno. - Esperava outra pessoa?

- Você... você é o dono de tudo isso - balbuciou Valeria, incapaz de ligar os pontos. Como o filho dos empregados domésticos havia se tornado o homem mais rico da cidade em uma década? - Você arruinou meu pai?

- Seu pai se arruinou sozinho - respondeu Dante, sem desviar o olhar dela. Seu olhar percorreu o corpo de Valeria de cima a baixo, detendo-se no terninho branco impecável, avaliando-a não como a uma mulher, mas como a uma mercadoria. - Eu apenas lhe dei a pá para que cavasse a própria cova.

Valeria recuou um passo, esbarrando em uma cadeira de design. O medo começou a substituir o choque. Se Dante era quem detinha a dívida... aquilo não era negócios. Era pessoal. Muito pessoal.

Ela se lembrou vagamente da última vez que o viu. Uma festa na piscina. Risadas cruéis. Ele saindo encharcado e humilhado da propriedade. Uma lembrança borrada que ela havia enterrado sob anos de privilégios.

- Dante, se isso é pelo que aconteceu quando éramos crianças... - começou ela, tentando recuperar a compostura.

Ele soltou uma gargalhada curta e sem humor que a cortou bruscamente.

- "O que aconteceu". Que maneira tão elegante de chamar isso - Dante se inclinou na direção dela, apoiando uma mão no encosto da cadeira, encurralando-a. - Você não está aqui para falar do passado, Valeria. Você está aqui porque seu pai a vendeu para salvar a própria pele.

- Vim para negociar - insistiu ela, embora sua voz soasse fraca até para os seus próprios ouvidos.

- Você não tem nada com que negociar - Dante se afastou e caminhou até sua mesa, pegando uma pasta de couro preto. Ele a jogou sobre a mesa, deslizando-a até ela. - Tudo o que você está vestindo, desde esses brincos de diamante até os sapatos, tecnicamente já é meu. Sua casa é minha. O sobrenome De la Vega não vale nem a tinta com a qual é impresso.

Ele se sentou em sua cadeira de couro, recostando-se com uma arrogância que fez o sangue de Valeria ferver.

- Sente-se - ordenou. Não foi um convite. Foi uma ordem.

Valeria hesitou por um segundo, mas suas pernas tremiam tanto que ela obedeceu, sentando-se na ponta da cadeira de frente para ele.

- Leia - disse Dante, apontando para a pasta. - E assine. Você tem cinco minutos antes que eu ligue para a polícia e mande seu pai para uma cela com assassinos e estupradores.

Valeria abriu a pasta. As letras dançavam diante de seus olhos.

Contrato de Cessão de Serviços e Confidencialidade.

Mas à medida que lia as cláusulas, a bile subia pela sua garganta.

Cláusula 4: Disponibilidade absoluta 24 horas por dia.

Cláusula 7: O empregador tem o direito de decidir a vestimenta, residência e agenda da funcionária.

Cláusula 12: Proibição total de contato com a mídia ou parceiros anteriores.

Ela ergueu o olhar, horrorizada.

- Isso é escravidão. É ilegal.

Dante deu de ombros, indiferente.

- É um acordo privado entre adultos. Se não gostar, a porta está aberta. Você pode ir embora. Mas se cruzar aquela soleira sem assinar, seu pai jantará na prisão esta noite.

Ele tirou uma caneta-tinteiro de ouro e a deixou sobre o papel. O som metálico ressoou como um tiro.

- Você decide, Valeria. Quanto vale o seu orgulho?

Valeria olhou para a caneta. Olhou para Dante, o garoto que um dia ignorou, agora transformado em seu carrasco. Entendeu então que não havia escapatória. Ele havia planejado isso durante anos. Cada detalhe. Cada humilhação.

Com a mão trêmula, ela pegou a caneta. A tinta preta fluiu sobre o papel, selando o seu destino.

Dante sorriu. E, pela primeira vez, Valeria viu o lobo mostrar os dentes.

- Bem-vinda ao meu mundo, Valeria - murmurou ele, guardando o contrato em uma gaveta. - Agora, levante-se. Você tem trabalho a fazer. E a primeira coisa é tirar essa roupa ridícula. Eu odeio branco.

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