Ele se levantou de sua cadeira de couro e caminhou lentamente ao redor da mesa, parando bem na frente dela. Valeria se obrigou a não recuar, a manter o queixo erguido, embora por dentro estivesse tremendo.
- Sou sua assistente executiva - disse ela, agarrando-se à pouca dignidade profissional que lhe restava. - Organizarei sua agenda, filtrarei suas ligações e...
Dante soltou uma risada sombria, interrompendo-a.
- Assistente executiva? - repetiu ele, como se fosse a piada mais engraçada que já tinha ouvido. - Valeria, tenho três pessoas com mestrado em Harvard que brigam para me trazer o café. Não preciso de você para isso.
Ele se inclinou na direção dela, invadindo seu espaço pessoal até que Valeria pôde sentir a mistura inebriante de sua colônia cara e tabaco.
- Não te contratei por suas habilidades, princesa. Te contratei pelo seu sobrenome. E pela sua obediência.
Valeria franziu a testa.
- Então o que você espera que eu faça?
Dante começou a enumerar, marcando cada ponto com um dedo, dando um passo a mais a cada palavra.
- Primeiro: A sua agenda é a minha agenda. Se eu tiver uma reunião às três da manhã em Tóquio, você estará lá. Se eu decidir jantar à meia-noite, você me servirá o vinho. Não há horário de expediente. Não há fins de semana. O seu tempo me pertence.
Valeria engoliu em seco.
- Isso é ilegal. As leis trabalhistas...
- Você leu a Cláusula 4 - cortou ele. - Você renunciou aos seus direitos trabalhistas em troca da dívida do seu pai. Próximo ponto.
Dante contornou a cadeira onde ela estava sentada, sua mão roçando deliberadamente o ombro de Valeria. Ela ficou tensa com o contato, sentindo o calor da palma dele através do tecido de seu paletó.
- Segundo: A sua imagem. - Ele fez uma pausa, e Valeria sentiu o olhar dele percorrendo suas costas. - Esse terninho branco da Chanel... é ridículo. Você parece uma virgem sacrificada. E na minha empresa, a inocência é uma fraqueza.
- É um terno de grife - retrucou ela, ofendida.
- É uma fantasia - corrigiu ele em seu ouvido, provocando-lhe um calafrio. - A partir de amanhã, você usará o que eu disser. Meus alfaiates virão à cobertura logo cedo. Você jogará fora tudo o que trouxe. Roupa íntima, sapatos, vestidos. Tudo.
Valeria virou-se bruscamente para olhá-lo.
- Até a minha roupa íntima? Isso é pervertido!
Dante não se abalou. Seu rosto era uma máscara de pedra.
- É controle, Valeria. Quero que toda vez que você se vestir de manhã, lembre-se a quem pertence. Não quero ver nem um único fio da "velha" Valeria. Aquela garotinha mimada morreu no momento em que seu pai perdeu aquela aposta.
Ele se afastou e caminhou até uma mesa lateral onde havia uma jarra de água e vários dispositivos eletrônicos. Pegou um smartphone de última geração, preto e elegante, e o jogou no colo de Valeria.
- Terceiro: Comunicação. Me dê o seu telefone.
Valeria protegeu sua bolsa instintivamente.
- O quê? Não. Tenho meus contatos, minhas fotos, meus...
- Me dê - ordenou Dante, estendendo a mão com a palma aberta. Ele não gritou, mas a autoridade em sua voz era absoluta. - Ou o acordo está desfeito e eu ligo para a polícia agora mesmo.
Com os olhos cheios de lágrimas de raiva, Valeria pegou seu iPhone e o deixou cair na mão dele. Dante nem sequer olhou para o aparelho; deixou-o cair na lixeira de metal ao lado de sua mesa com um baque surdo.
- Esse - apontou ele para o telefone preto no colo dela - é o seu novo número. Só tem um contato salvo: Eu. Tem GPS ativado 24 horas por dia. Se você tentar sair da cidade, eu saberei. Se tentar ligar para a imprensa, eu saberei. Se tentar entrar em contato com seus velhos amiguinhos do clube de campo, eu os bloquearei.
Valeria olhou para o dispositivo preto como se fosse uma granada. Estava isolada. Completamente sozinha na toca do lobo.
- Por quê? - sussurrou ela, erguendo o olhar para ele. Seus olhos castanhos brilhavam com uma mistura de medo e desafio. - Por que está fazendo isso, Dante? Me odeia tanto assim porque não quis sair com você quando tinha dezesseis anos? É isso? Um ego ferido?
A temperatura na sala pareceu cair dez graus.
Dante se aproximou dela, desta vez rápido, encurralando-a entre seus braços e o encosto da cadeira. Apoiou as mãos nos braços da cadeira, prendendo-a. Seu rosto estava a centímetros do dela, e Valeria pôde ver uma tempestade em seus olhos cinzentos.
- Não se faça de ingênua, Valeria - rosnou ele, com uma intensidade que a deixou sem fôlego. - Não foi apenas uma "rejeição". Você e sua maldita família me trataram como lixo. Me humilharam. Me fizeram acreditar que eu não valia nada.
Fez uma pausa, respirando com dificuldade, como se estivesse contendo uma violência antiga.
- Agora, eu tenho o poder. E vou te ensinar como é a sensação de não ser ninguém. Você será a minha sombra, Valeria. Vai ver como eu comando o mundo enquanto você só pode olhar e obedecer. E quando o ano terminar... quando eu tiver te quebrado o suficiente... então, e só então, você poderá ir embora.
Ele se afastou bruscamente, como se a proximidade dela o queimasse. Ajeitou o paletó, recuperando sua frieza habitual em um instante.
- Vá para o elevador. Meu motorista a levará até a cobertura. Suas malas já estão lá.
Valeria se levantou, sentindo-se tonta.
- E você?
Dante sentou-se novamente atrás de sua mesa e abriu uma pasta, ignorando-a deliberadamente.
- Eu tenho trabalho. Não me espere acordada. Ah, e Valeria...
Ela parou na porta, com a mão na maçaneta de cristal.
- Não tente fugir - disse ele sem levantar o olhar. - Meus seguranças não são tão gentis quanto eu.
Valeria saiu da sala, sentindo que as paredes se fechavam sobre ela. Enquanto o elevador descia, ela se olhou no espelho de metal polido. Ainda usava seu terninho branco, mas já se sentia manchada.
A gaiola havia se fechado. E a chave estava no bolso de Dante Volkov.