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A Secretária Comprada: O Preço da Vingança
img img A Secretária Comprada: O Preço da Vingança img Capítulo 4 A Gaiola de Cristal
4 Capítulo
Capítulo 6 Assistente ou Mascote img
Capítulo 7 O Fantasma do Passado img
Capítulo 8 Insônia img
Capítulo 9 A Exibição img
Capítulo 10 Ciúmes Primitivos img
Capítulo 11 Na Boca do Lobo img
Capítulo 12 Bem-vinda a casa img
Capítulo 13 A Sabotagem img
Capítulo 14 A Prova de Lealdade img
Capítulo 15 Um Presente Envenenado img
Capítulo 16 O Jantar com a Noiva img
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Capítulo 4 A Gaiola de Cristal

O trajeto da Torre Volkov até a residência privada de Dante foi um borrão de luzes de neon e um silêncio opressivo.

O motorista, um brutamontes com pescoço de touro e olhos inexpressivos que se apresentou simplesmente como "Boris", não disse uma única palavra. Ele dirigiu o sedã negro pelo trânsito da cidade como se fosse um tanque, separando Valeria do mundo exterior por meio de vidros fumê à prova de balas.

Valeria encostou a testa no vidro frio. Viu passar seu restaurante favorito, a boutique onde comprava seus sapatos, o parque onde costumava correr de manhã. Tudo parecia estar a anos-luz de distância, como se estivesse assistindo a um filme de uma vida que já não lhe pertencia.

- Chegamos, senhorita - anunciou Boris, parando o carro em frente a um edifício residencial ultraexclusivo na área mais alta da cidade.

Não houve porteiro para cumprimentá-la com um sorriso, como na mansão de seu pai. Boris a escoltou até um elevador privativo que exigia um scanner de retina para abrir.

- O senhor Volkov tem acesso exclusivo à cobertura - disse o homem, digitando um código de segurança. - Ninguém sobe sem a permissão dele. Ninguém desce sem a permissão dele.

A mensagem era clara: Você é uma prisioneira.

Quando as portas do elevador se abriram diretamente no apartamento, Valeria prendeu a respiração. Se o escritório de Dante era intimidador, sua casa era um mausoléu de gelo e solidão.

O lugar era imenso. Teto com pé-direito duplo, paredes de concreto polido e grandes janelas do chão ao teto que mostravam a cidade inteira brilhando a seus pés como um mar de joias. Mas não havia calor. Não havia fotos de família, nem tapetes persas, nem a bagunça aconchegante de um lar habitado. Tudo era cinza, preto e branco. Móveis de design italiano tão afiados que pareciam capazes de cortar se você se sentasse de mau jeito.

- Bem-vinda, senhorita De la Vega.

Valeria deu um sobressalto. Uma mulher mais velha, vestida com um uniforme preto impecável e o cabelo grisalho preso em um coque apertado, havia surgido do nada.

- Sou Greta, a governanta - disse a mulher com um tom que não admitia réplicas nem simpatias. - O senhor Volkov me informou da sua chegada. Suas coisas já foram... processadas.

- Processadas? - repetiu Valeria, sentindo um nó no estômago. - Onde está a minha bagagem? Meu pai deve ter enviado minhas malas...

- Siga-me - disse Greta, virando-se sem esperar resposta.

Valeria a seguiu por um corredor longo e escuro, decorado apenas com obras de arte abstrata que pareciam manchas de violência sobre telas brancas.

- Este será o seu quarto - anunciou Greta, abrindo uma porta no final do corredor.

Valeria entrou, esperando encontrar um quarto de hóspedes padrão. O que encontrou foi um quarto que parecia uma cela de luxo.

Era espaçoso, sim, com uma cama king size de lençóis cinza e móveis minimalistas. Mas não havia televisão. Não havia prateleiras. Apenas uma cama, uma mesa de cabeceira vazia e um enorme closet com as portas abertas.

Valeria correu para o armário, procurando algo familiar. Procurando seus suéteres de caxemira, seus jeans confortáveis, seus vestidos floridos.

Estava vazio de memórias.

Em vez disso, penduradas em fileiras perfeitas e separadas por cor, havia roupas que ela jamais teria escolhido. Vestidos de seda justos ao corpo em cores escuras: vinho, preto, azul-marinho. Saias lápis com fendas perigosas. Saltos agulha que pareciam armas. Lingerie de renda fina exposta em gavetas de vidro como se fosse mercadoria em uma loja.

- Onde estão as minhas roupas? - perguntou Valeria, virando-se para Greta com a voz trêmula de raiva. - Meus livros. Meu porta-joias. As fotos da minha mãe.

Greta manteve as mãos cruzadas na frente do avental, imperturbável.

- O senhor Volkov deu instruções precisas. Tudo o que vinha da sua vida anterior foi doado ou descartado. Ele insistiu que "a nova Valeria" não precisa de fardos do passado.

- Ele não tem o direito! - gritou Valeria, sentindo as lágrimas queimarem seus olhos. - São as minhas coisas! São as minhas lembranças!

- Ele tem todo o direito, senhorita - respondeu Greta com frieza. - Você assinou o contrato. Agora, sugiro que tome um banho e se troque. O senhor Volkov chegará em uma hora para jantar. E ele gosta de pontualidade.

A governanta saiu e fechou a porta com um clique suave, porém definitivo.

Valeria ficou sozinha no silêncio daquele quarto estranho. Correu até a janela, procurando uma saída, mas estava selada. Estava no quinquagésimo andar. A única saída era o elevador codificado ou a queda livre.

Ela se deixou cair na cama, que cheirava a detergente caro e nada mais. Pegou um dos vestidos pendurados no armário. Era um vestido de veludo preto, lindo, mas cruel, desenhado para exibi-la.

Dante não apenas a havia comprado. Ele a estava apagando. Estava desmantelando Valeria de la Vega peça por peça para reconstruí-la à sua imagem e semelhança.

Ela olhou para as próprias mãos. Ainda usava seu terninho branco, agora amassado e sujo da viagem.

- Você quer uma boneca, Dante? - sussurrou para o quarto vazio, enxugando as lágrimas com raiva. - Tudo bem. Serei a boneca mais cara que você já teve. Mas tenha cuidado, porque bonecas de porcelana, quando quebram, cortam.

Ela se levantou e caminhou em direção ao banheiro de mármore.

A guerra havia começado. E ela estava presa no território inimigo.

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