Felizmente, a hora do almoço chegou rápido, e foi o momento em que Ciana teve um instante de paz; a voz da chefe não era mais ouvida.
-A hora do almoço é a única hora em que vejo seu rosto feliz.
-A Monica não está aqui.
-Vamos lá, Ciana, quando te ofereci o emprego, você sabia exatamente o que esperar.
Dorelis tinha toda a razão; ela a havia avisado muitas vezes. O temperamento da chefe era feroz; nenhum funcionário a suportava. Até ela se surpreendeu ao pensar que havia aguentado aquela louca por dois anos.
Sua amiga tinha sido um grande apoio, e ela lhe devia muito; não podia decepcioná-la. Precisava fazer um bom trabalho e impedir que Monica pensasse que tanto ela quanto Dorelis eram inúteis.
-Eu sei, me desculpe, amiga. Vou tentar chegar cedo para evitar que você se meta em encrenca.
-Estou mais preocupada que você se meta em encrenca.
As duas amigas sorriram e balançaram a cabeça enquanto continuavam a comer seus almoços...
De volta ao escritório, com alguns minutos de sobra, as amigas perceberam que os funcionários estavam um pouco inquietos. Foram até o elevador, confusas com o que estava acontecendo.
-¿O que será que está acontecendo?, perguntou Ciana à amiga enquanto entravam no elevador.
-Não faço ideia, mas todo mundo está muito inquieto, e quando agem assim, é porque...
Mas, nesse instante, alguns funcionários entraram no elevador e começaram a fofocar. As amigas permaneceram em silêncio, na esperança de vislumbrar o que estava acontecendo. Mas as mulheres não disseram nada; apenas olharam por cima do ombro.
Assim que as portas do elevador se abriram, as duas jovens se viraram para olhá-las e sorriram.
-¿O que vocês duas estão aprontando? -Dorelis as confrontou.
-Vocês vão precisar de muita sorte esta tarde.
As portas se fecharam, deixando ambas se sentindo pior do que antes.
-¿O que diabos há de errado com essas duas? ¿Por que disseram isso?
-Ah, não! -Dorelis franziu a testa.
-¿O que está acontecendo?
O elevador chegou ao andar do escritório de Monica, e ambas saíram ao mesmo tempo, mas Ciana não conseguia parar de encarar a amiga. Ela não gostou nada da expressão dela. Algo lhe dizia que as coisas não estavam nada boas para ela.
Dorelis trabalhava naquela empresa há anos; podia-se dizer que ela sabia muito sobre tudo o que acontecia lá.
-¿Dorelis, você pode me dizer o que está acontecendo? -perguntou ela, sentando-se.
-Bem... -mas sua amiga não terminou a frase porque ambas ouviram um grito vindo do escritório.
-NÃO OUSE ME DIZER O QUE FAZER! EU PROÍBO VOCÊ DE ME DIZER O QUE FAZER, DROGA!
As duas encararam a porta sem dizer uma palavra. Naquele momento, Ciana soube que o problema não era com ela.
-Ah, não! -ouviu a amiga dizer, o que a deixou ainda mais confusa.
Sua chefe estava histérica, e aquele temperamento estava à flor da pele desde a manhã.
-¿O que está acontecendo? ¿Por que ela está tão brava?
-Você sempre quer bancar a mais esperta, e eu não vou deixar você me pisar. Eu tomei uma decisão, e você tem que aceitá-la", continuou a chefe, gritando.
-¿Mas quem está lá dentro com ela? -Ciana já estava bastante curiosa.
-¿Aonde você vai? ¿Acha que terminamos? ¿Veio até aqui só para me dar essa reclamação idiota?"
Nesse instante, as duas jovens se endireitaram em suas cadeiras assim que ouviram a maçaneta girar. Ciana baixou o olhar, não querendo que Monica a encarasse e acabasse descontando nela.
-Estou falando com você, não me deixe falando sozinha.
A loira ouviu a voz estridente da chefe; na verdade, estava curiosa para olhar para cima. Mas repetia para si mesma que não era da sua conta, que não precisava ser voyeur, já que Monica era alguém a ser temida.
-Eu já falei com você, Monica, e pare de fazer esse show na frente dos funcionários.
Ciana parou de digitar imediatamente, sentindo o corpo todo congelar. Um suor frio percorreu seu corpo, deixando-a tensa.
-¿E o que me importam os funcionários? ¿Você acha que eu me importo?"
-Não vou continuar discutindo com você sobre isso, muito menos aqui, mas fique tranquilo, ainda não terminamos.
-Não, vamos encerrar esta conversa agora mesmo, Phil.
Ouvir aquele nome fez seus olhos se arregalarem e seu coração disparar. Não era só a voz, era o nome também. Seria... ¿Possível?
-Chega. Você sabe muito bem que cometeu um erro grave que custará caro à empresa, tudo por causa da sua imprudência. Agora preciso resolver esse problema antes que você a leve à falência.
-Eu consigo resolver qualquer problema sozinha. Não preciso que você faça nada. E proíbo você de interferir nisso. Temos um acordo, ou você se esqueceu, ¿querido marido?"
¿Marido?
Ciana não conseguiu mais se conter e lentamente ergueu o olhar, observando a figura masculina parada bem em frente à sua mesa. Quando viu o rosto do homem, não pôde acreditar.