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A Queda Da Herdeira - O Preço Da Obsessão
img img A Queda Da Herdeira - O Preço Da Obsessão img Capítulo 2 Mansão dos Cavendish
2 Capítulo
Capítulo 6 ​O contrato de casamento img
Capítulo 7 ​Eu não sou sua prisioneira img
Capítulo 8 Você quer que eu o manipule img
Capítulo 9 Você acha que está jogando comigo. img
Capítulo 10 Agora você entende img
Capítulo 11 Eu não sou mais a herdeira que cai img
Capítulo 12 Você é minha img
Capítulo 13 Dorian cometeu um erro! img
Capítulo 14 Eu não cometo erros img
Capítulo 15 Você ainda acha que tem o controle img
Capítulo 16 ​ Então por que você não me mata img
Capítulo 17 Então por que você ainda não me destruiu img
Capítulo 18 Você está me pedindo para colocar o Dorian contra a própria mãe img
Capítulo 19 A Mentira é a sua língua nativa, mãe img
Capítulo 20 Você é o primeiro img
Capítulo 21 Ele não fez nada img
Capítulo 22 Você mudou, Isadora img
Capítulo 23 Tirem as mãos da minha esposa img
Capítulo 24 Não foi pelo bracelete img
Capítulo 25 Você acha que eles vão durar img
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Capítulo 2 Mansão dos Cavendish

​A mansão dos Cavendish em Connecticut não fora projetada para abrigar pessoas; fora projetada para impedi-las de sair. Enquanto o carro percorria a última milha da estrada privada, cercada por uma floresta densa que parecia se fechar como dedos de gigante, Isadora observou a construção surgir na penumbra. Era uma fortaleza de vidro e pedra negra, uma estrutura imponente que parecia ter sido esculpida diretamente da rocha, desafiando a própria gravidade.

​Dorian permaneceu em silêncio ao seu lado durante toda a viagem. Ele não a olhou, não tentou confortá-la - nem mesmo com uma mentira piedosa. Ele estava mergulhado em seu tablet, lendo relatórios de mercado com a mesma indiferença com que se lê o menu de um café da manhã. Para ele, Isadora não era uma noiva; era um ativo. Um troféu de guerra que ele acabara de conquistar.

​Quando a porta do veículo se abriu, o ar da noite cortou o rosto de Isadora como uma lâmina. Victor Volkov, o homem que ela vira brevemente no hotel, já estava lá, imóvel como uma estátua de granito. Ele não fez uma reverência, apenas assentiu para Dorian e seus olhos cinzentos fixaram-se em Isadora por um segundo - um olhar impenetrável que a fez sentir-se, pela primeira vez, como se estivesse sendo escaneada.

​- Bem-vinda ao lar, Isadora - Dorian disse, saindo do carro e estendendo a mão para ela. Não era um convite; era uma ordem.

​Ela aceitou a mão dele, sentindo o calor da pele contra o frio da sua. Enquanto subiam os degraus de mármore, o peso do que havia acontecido nas últimas horas parecia cada vez mais real. O escândalo no Pierre, o abandono de Julian, a queda de seu pai. Ela era uma morta-viva andando em um mundo de titãs.

​Ao entrarem no hall principal, o luxo era tão opressor que causava náusea. O teto de vidro revelava o céu noturno, e uma escadaria em caracol ocupava o centro da sala. No topo dela, uma mulher esperava. Julianna Cavendish. Ela não parecia ter envelhecido um único dia em vinte anos; seu porte era rígido, seus olhos, idênticos aos de Dorian, carregavam uma crueldade que não precisava de palavras para ser sentida.

​- Você trouxe lixo para dentro da minha casa, Dorian? - A voz de Julianna ecoou pelo salão, clara e afiada como cristal quebrado. Ela desceu os degraus lentamente, ignorando Isadora como se ela fosse um móvel mal posicionado.

​Dorian não hesitou. Ele deu um passo à frente, colocando-se entre Isadora e sua mãe, uma proteção que, no fundo, Isadora sabia que era apenas a proteção de um dono sobre a sua propriedade.

​- Ela é a minha escolha, mãe. E, a partir de hoje, ela é o que define o futuro dos nossos ativos. Sugiro que você se acostume com a presença dela antes que eu decida que a sua opinião não é mais necessária nesta casa.

​Julianna soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor. Ela parou diante de Isadora, analisando-a com um desdém que queimava.

​- Ela é fraca. O cheiro de derrota da família Vance ainda está impregnado nela. Você está brincando com fogo, Dorian. Se você acha que essa garota vai ajudá-lo a lidar com o Marcus, você é mais tolo do que eu pensava.

​Marcus. O nome pairou no ar, trazendo consigo uma tensão palpável. Isadora não sabia quem era Marcus, mas a forma como Dorian endureceu a mandíbula foi uma resposta suficiente.

​- Victor - Dorian chamou sem desviar os olhos da mãe. - Leve Isadora para o quarto. Garanta que ela tenha tudo o que precisa. E certifique-se de que ninguém entre sem a minha autorização direta.

​Victor aproximou-se, mantendo uma distância profissional, mas eficiente.

​- Siga-me, Srta. Vance.

​Isadora olhou para Dorian uma última vez. Ele estava preso em uma troca de olhares frios com a mãe, uma guerra silenciosa que ela mal conseguia compreender. Ela se virou e seguiu o segurança. Enquanto subiam, ela sentiu, pela primeira vez, que a mansão não era apenas um prédio. Era um labirinto, e ela acabara de entrar no centro dele.

​Enquanto isso, a quilômetros de distância, em um apartamento modesto nos arredores de Manhattan, Sebastian Vance observava o noticiário com uma garrafa de uísque pela metade na mão. Ele jogou o controle remoto contra a parede, vendo o rosto de sua irmã estampar as telas.

​- Maldito Cavendish - ele sibilou, os olhos injetados de raiva.

​Ele não se importava com a ruína do pai; Arthur Vance sempre fora um homem que merecia o que lhe acontecera. Mas Isadora... Isadora era a única coisa que ele ainda respeitava. E ela estava nas garras de um homem que não tinha piedade.

​O celular sobre a mesa vibrou. Era uma mensagem de um número bloqueado: "Ela está na mansão de Connecticut. O jogo começou, Sebastian. Se você quer tirá-la de lá, vai precisar de mais do que coragem. Você vai precisar de um aliado que odeia o Dorian tanto quanto você."

​Sebastian releu a mensagem, um sorriso torto e perigoso surgindo em seus lábios. Ele sabia exatamente quem havia enviado aquilo. Julian Thorne. O noivo desprezado.

​- O inimigo do meu inimigo - ele murmurou, levantando-se.

​Ele foi até o armário, afastando algumas camisas velhas para revelar um cofre escondido na parede. Digitou a senha e retirou um envelope pardo contendo documentos que poderiam destruir não apenas Dorian Cavendish, mas toda a dinastia de sua família.

​Ele sabia que seria uma missão suicida. Sabia que se fosse pego por Victor , não sairia vivo. Mas ele tinha uma carta na manga, algo que ninguém, nem mesmo o onipotente Dorian, sabia que existia. Ele iria para Connecticut. Ele iria buscar a irmã.

​De volta à mansão, Isadora estava sentada à beira da cama em um quarto que parecia mais uma suíte de um hotel cinco estrelas do que um quarto de dormir. O luxo não a confortava; o silêncio era ensurdecedor. Ela sentia-se vigiada por cada canto, por cada câmera escondida nos sensores de movimento.

​A porta abriu suavemente e Clary Miller entrou. A melhor amiga de Isadora tinha sido autorizada a vir, provavelmente como uma concessão de Dorian para manter a calma de sua nova "aquisição".

​- Isa! - Clary correu para ela, abraçando-a com força.

​Isadora sentiu as lágrimas que ela vinha segurando desde a manhã finalmente transbordarem.

​- Clary... eu perdi tudo. Eu sou uma prisioneira aqui.

​Clary soltou-a e olhou ao redor, os olhos brilhando com uma mistura de medo e determinação.

​- Eu vi o que aconteceu lá fora, Isa. Eu vi a cobertura da imprensa. Mas você não está sozinha. Sebastian me mandou uma mensagem antes de eu vir. Ele está tramando alguma coisa.

​- Ele não pode! - Isadora exclamou, sentindo o medo pelo irmão. - Dorian vai destruí-lo se ele tentar qualquer coisa.

​- Sebastian não é o mesmo garoto mimado de antes - Clary disse, baixando a voz. - Ele mudou. E eu... eu vou ajudar. Eu consegui entrar, não consegui? Dorian acha que somos apenas garotas assustadas. Ele subestima a gente.

​Isadora olhou para a amiga. Clary sempre fora a mais ousada das duas.

​- E Victor? - Isadora perguntou, lembrando-se do homem que a trouxe até ali.

​- O guarda-costas? - Clary soltou uma risada nervosa. - Ele é assustador. Mas até as máquinas mais perfeitas têm falhas, Isa. Eu vou descobrir a dele.

​Naquele momento, Isadora percebeu que a vida dela não seria apenas a submissão que Dorian esperava. Com Sebastian tramando nas sombras e Clary ao seu lado, ela percebeu que, talvez, a "queda da herdeira" fosse apenas o primeiro paço de uma guerra que ela estava começando a aprender a lutar.

​A porta do quarto abriu-se novamente. Victor estava lá. O rosto dele era uma máscara impassível.

​- Srta. Miller - ele disse, a voz profunda e sem emoção. - O tempo de visita terminou. Sr. Cavendish a espera lá embaixo.

​Clary deu um último aperto de mão em Isadora, um sinal silencioso de que elas tinham um pacto. Enquanto ela saía do quarto, Isadora viu Victor observar o movimento da garota com uma intensidade que, por um milésimo de segundo, não pareceu fria. Pareceu... curiosidade.

​Isadora estava sozinha novamente. Ela se levantou e caminhou até a janela, olhando para a vasta floresta lá fora. Ela era uma herdeira em um palácio de sombras, mas enquanto olhava para o horizonte escuro, ela percebeu que Dorian Cavendish cometera um erro fatal: ele a trouxera para dentro de seu castelo, sem perceber que, às vezes, o maior perigo para um rei não é o exército lá fora, mas a rainha que ele tranca no quarto.

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