Gênero Ranking
Baixar App HOT
A Queda Da Herdeira - O Preço Da Obsessão
img img A Queda Da Herdeira - O Preço Da Obsessão img Capítulo 3 A Moeda de Troca
3 Capítulo
Capítulo 6 ​O contrato de casamento img
Capítulo 7 ​Eu não sou sua prisioneira img
Capítulo 8 Você quer que eu o manipule img
Capítulo 9 Você acha que está jogando comigo. img
Capítulo 10 Agora você entende img
Capítulo 11 Eu não sou mais a herdeira que cai img
Capítulo 12 Você é minha img
Capítulo 13 Dorian cometeu um erro! img
Capítulo 14 Eu não cometo erros img
Capítulo 15 Você ainda acha que tem o controle img
Capítulo 16 ​ Então por que você não me mata img
Capítulo 17 Então por que você ainda não me destruiu img
Capítulo 18 Você está me pedindo para colocar o Dorian contra a própria mãe img
Capítulo 19 A Mentira é a sua língua nativa, mãe img
Capítulo 20 Você é o primeiro img
Capítulo 21 Ele não fez nada img
Capítulo 22 Você mudou, Isadora img
Capítulo 23 Tirem as mãos da minha esposa img
Capítulo 24 Não foi pelo bracelete img
Capítulo 25 Você acha que eles vão durar img
img
  /  1
img

Capítulo 3 A Moeda de Troca

​A manhã na mansão Cavendish não trazia a promessa de um novo dia, apenas a continuação de uma existência vigiada. Isadora acordou não com o sol, mas com o som abafado de passos pesados no corredor. O quarto era uma suíte vasta, decorada em tons de cinza e azul-marinho, tão impessoal que parecia um cenário de exposição.

​Ela sentou-se na borda da cama, sentindo o peso da seda do roupão que encontrara sobre a poltrona. Era caro, obviamente, mas parecia uma armadura de luxo. A porta abriu-se sem uma batida prévia. Não era Victor, nem uma camareira. Era Dorian.

​Ele entrou com a precisão de um predador que marca seu território. Vestia um terno impecável, o colete ajustado ao corpo, a gravata perfeitamente nódulo. Ele trazia consigo o cheiro de café amargo e o ar gélido da madrugada.

​- O café está servido na sala de estar privada - ele disse, a voz desprovida de qualquer calor humano. - Você tem trinta minutos para se vestir.

​- E se eu não quiser? - Isadora desafiou, levantando-se. A coragem era um espasmo, mas ela precisava testar as correntes.

​Dorian atravessou o quarto em três passos largos. Ele não a tocou, mas a sua presença era tão física quanto uma parede de concreto. Ele inclinou-se, o olhar fixo no dela com uma intensidade que fazia o ar parecer denso.

​- Você não está em posição de querer nada, Isadora - ele respondeu, a voz perigosamente baixa. - Seus pais assinaram a transferência da dívida. Você é legalmente, contratualmente e praticamente minha responsabilidade. O "não" é uma palavra que você vai esquecer de usar dentro desta casa.

​Ele virou-se para sair, mas parou na porta.

​- Ah, e vista algo discreto. Hoje você vai acompanhar uma reunião importante. Quero que todos vejam que a herdeira que caiu está sendo bem cuidada... pelo homem certo.

​Isadora sentiu o estômago revirar. Ele não a queria como esposa; ele a queria como troféu. Como uma forma de humilhar a elite que a descartara e, ao mesmo tempo, exibir o seu novo brinquedo.

​Enquanto ela se vestia, seus pensamentos divagavam. Onde estava Clary? O que Sebastian estaria fazendo naquele exato momento? Ela precisava de um plano, de uma brecha. Ela não era apenas uma Vance; ela era uma mulher que tinha sido criada para liderar, para negociar, para entender a política por trás das cortinas de veludo. Ela não seria submissa para sempre.

​A reunião de negócios ocorreu em um escritório que mais parecia o centro de comando de uma empresa de defesa. Mesa de mogno, telas de alta definição mostrando flutuações de ações em tempo real e homens em ternos caros que falavam em números e mortes corporativas.

​Isadora sentava-se ao lado de Dorian, as mãos dobradas no colo. Ela era o objeto de análise. Ela via os olhares que os sócios de Dorian lançavam em sua direção - desejo misturado com desprezo. Eles a viam como a mulher que perdera tudo, a herdeira caída.

​- O contrato está pronto - disse um dos investidores, um homem chamado Elias Thorne, primo distante de Julian. Ele olhou para Isadora com um sorriso lascivo. - É uma excelente oportunidade, Cavendish. Mas, me diga, o que você pretende fazer com a sua esposa quando a utilidade dela... expirar?

​Dorian, que estava assinando papéis, parou a caneta. O silêncio na sala tornou-se ensurdecedor. Ele não olhou para Elias; ele olhou para Isadora. Seus olhos eram dois buracos negros de possessividade.

​- A utilidade de Isadora é algo que só eu tenho o direito de medir - Dorian respondeu, a voz gelada. - Se você estiver preocupado com o futuro dela, talvez deva se preocupar mais com o seu próprio. Seus fundos de investimento estão sob auditoria interna, Elias. Eu sugiro que você se concentre na sua própria falência.

​O investidor empalideceu. Ele não sabia que Dorian tinha acesso a essas informações. Isadora sentiu um calafrio. Ela percebeu que Dorian não a estava "protegendo" do insulto; ele estava mostrando aos seus rivais que ele era o dono da verdade, do dinheiro e da vida de todos ali.

​Após a reunião, enquanto caminhavam pelos corredores de vidro, Isadora finalmente falou:

​- Você está usando a minha humilhação para chantageá-los.

​- Estou usando a sua presença para estabelecer limites - ele respondeu, parando em frente a uma enorme parede de vidro que dava vista para o skyline de Connecticut. - Eles precisam entender que o que é meu, é intocável. Até mesmo as coisas que não me amam.

​Isadora engoliu em seco. A honestidade dele era pior do que a crueldade.

​Em um hangar isolado nos arredores, Sebastian encontrava-se com Julian . O ambiente era frio e cheirava a combustível de aviação.

​- Você tem os documentos? - Julian perguntou, os olhos brilhando com uma mistura de ódio e ganância.

​- Eu tenho tudo o que você precisa para derrubar a Cavendish Corp - Sebastian disse, entregando uma pasta. - Mas, em troca, eu quero a minha irmã fora daquela casa. E quero que o Dorian pague.

​- Eu não quero a sua irmã - Julian disse, rindo sarcasticamente. - Eu quero o império que ele me roubou. Se para isso eu precisar usar a Isadora como isca, eu usarei.

​Sebastian sentiu um aperto no peito. Ele sabia que Julian era um canalha, mas ele não tinha outra escolha. Ele precisava de recursos, e Julian tinha os contatos no submundo.

​- Se você tocar um fio de cabelo dela, eu mesmo te mato - Sebastian avisou, a voz grave.

​- Não se preocupe, Vance. Ela ainda é a joia da coroa. Mas se Dorian Cavendish cair, a joia volta para quem pagou o preço.

​Eles apertaram as mãos. Um acordo entre dois homens que se detestavam, unidos pelo desejo comum de destruir o homem que os fizera sentir impotentes. Enquanto Julian saía, Sebastian olhou para o horizonte. Ele sentia que algo terrível estava prestes a acontecer. Ele precisava avisar Isadora. Mas como entrar em uma fortaleza de vidro onde nem o som conseguia atravessar as paredes?

​De volta à mansão, Clary encontrava-se na cozinha, tentando manter uma fachada de calma enquanto observava Victor limpar uma arma de fogo na mesa de jantar. A tensão entre eles era elétrica, um jogo de gato e rato que começara na noite anterior.

​- Você gosta de armas, Victor? - ela perguntou, tentando soar casual enquanto servia um chá que, na verdade, ela não queria.

​Victor não desviou o olhar da peça que ele lubrificava.

​- Gosto de coisas que funcionam exatamente como foram projetadas. Sem surpresas. Sem falhas.

​- E você acha que pessoas são assim? - Clary aproximou-se, o perfume floral dela invadindo o espaço do homem de gelo. - Projetadas para serem perfeitas e nunca falharem?

​Victor finalmente levantou o olhar. Seus olhos cinzentos eram profundos, quase analisando a alma de Clary.

​- As pessoas são as criaturas mais falhas do mundo, Srta. Miller. É por isso que eu sou pago para garantir que as falhas delas não custem vidas.

​Ele guardou a arma no coldre e levantou-se, aproximando-se de Clary até que a distância entre eles fosse quase proibitiva. Ela não recuou.

​- Você parece achar que é uma exceção - ele murmurou, a voz um rosnado baixo perto do ouvido dela.

​- Talvez eu seja - ela respondeu, desafiadora.

​Ele a encarou por um longo momento. Era um duelo de vontades, um jogo onde a atração era disfarçada de suspeita. Clary não sabia, mas Victor já a tinha investigado. Ele sabia quem ela era, sabia que ela era amiga de Isadora, e sabia que ela estava ali para algo mais do que apenas visitar. Mas, por algum motivo que ele ainda não conseguia explicar, ele não a entregou para Dorian. Ainda não.

​A mansão dos Cavendish era um barril de pólvora, e cada personagem - Sebastian, Julian, Clary, Victor - estava segurando um fósforo aceso. Isadora, no centro de tudo, começou a perceber que, para sobreviver, ela não teria apenas que aprender as regras de Dorian Cavendish; ela teria que aprender a quebrá-las sem ser percebida.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022