Olho para Ingrid, que está com os olhos arregalados, e acho graça, pois tenho certeza que ela não imaginava que eu comia tanto. Então colocando uma empadinha na pilha de comida, ela balança a cabeça de um lado para outro em desespero. Equilibro o prato enquanto pego o meu suco.
- Não vai deixar um pouco para mim?
Ouço uma voz suave atrás de mim, e ao me virar, esbarro na pessoa derrubando a minha bandeja com metade do buffet, e molho minha roupa e a roupa do meu chefe com o meu suco.
Não acredito que derramei toda a minha comida nele. Justamente hoje que isso aconteceu.
- ¡Oh, qué diablos! Por favor, perdóname!
Eu nervosamente procuro algo para limpar sua roupa suja e molhada. As pessoas me olham em choque, porque nem comecei a trabalhar e já estou fazendo merda.
- Ei, calma! – Ele segura meus ombros e me mantém parada no lugar. – Foi um acidente, está tudo bem!
Acho que nunca o vi tão de perto assim, ele não é o homem mais bonito do mundo, mas é fácil se perder no verde dos seus olhos e me acalmar ao sentir suas mãos quentes me segurando.
Ele da uma sorriso de de canto, mostrando sua covinha e seus dentes claros e bem alinhados. Seus olhos percorrem cada canto do meu rosto, como se quisesse gravar os detalhes.
Caindo na real, eu me afastei dele envergonhada pela cena que as pessoas presenciaram.
- Deixa eu te ajudar com alguma coisa... posso fazer algo? – Perguntei vendo até seu relógio sujo.
- Eu estou bem, você deveria ir se limpar, eu vou me trocar também!
Olho para a minha melhor roupa que vesti para esse primeiro dia, e agora terei que passar o dia parecendo uma criança que comeu sem babador. Envergonhada eu peço licença e saí às pressas para o elevador que me levará até meu escritório.
Quando as portas do elevador se fecham eu me permiti a gritar de raiva.
- Burra, burra, burra... como eu consegui essa proeza logo hoje? Mas que merda!
Chegando na minha sala, tiro a minha roupa de cima, ficando de saia e sutiã eu vejo que não sujei muito a peça de baixo, pelo menos isso. Espero que ele não tenha ficado bravo comigo, seria uma péssima maneira de começar.
Preciso pedir desculpas a ele, ou serei demitida, e o que não pode acontecer neste momento é ficar desempregada e devendo agiota. Sim! Eu peguei 5 mil dólares com um agiota para encontrar um lugar para ficar aqui, e até agora nada. Não posso viver a minha vida toda numa pensão.
Limpo a camisa social branca com rapidez para sorrateiramente ir no seu banheiro e secar no soprador de ar.
- Sabe de uma coisa, eu acho que você já conseguiu chamar a minha atenção!
Levo um susto com meu chefe na porta me olhando como se eu fosse um pedaço de carne, e me sinto queimando por dentro, seu olhar pára nos meus seios, que automaticamente ficam eriçados, até eu escondê-los com as mãos, morta de vergonha, porque ninguém além da minha mãe e meu noivo me viram assim.
- Não entendi! – Tento disfarçar virando de costas, colocando a camisa de volta o mais rápido possível.
Quando me viro para pedir desculpas, ele estava bem atrás de mim, que acabamos nos esbarrando novamente, o olho confusa ainda em seus braços, não entendi o que ele quis dizer. Porém chama a minha atenção, o fato de ele estar com a camisa aberta.
Porra, ele está seminu, e sua pele é tão macia e quente...
- Pelo jeito consegui chamar a sua atenção novamente também! – Ele fala percebendo que eu passei mais tempo do que o necessário em seus braços.
- O que? Não! Eu não... eu só estou distraída hoje, me desculpe! – Me afasto dele pela terceira vez hoje.
Tento olhar para qualquer lugar que não seja seu peitoral com pêlos finos que descem fazendo trilha descendo até...
- Gostei da carta de boas vindas, das flores e dos biscoitos, foi muito atencioso da sua parte!
- Eu... eu só queria causar uma boa impressão no meu "primeiro" dia! – Falo fazendo aspas com os dedos.
- Ah, então já esteve aqui? Eu não te vi! – Ele fala surpreso.
- Sim, mas passei o dia todo adiantando algumas coisas, só sai da sala para ir embora.
- Gostei da iniciativa, acho que nos daremos muito bem juntos!
Notei uma pitada de flerte no seu tom, ele coloca as mãos no bolso da calça fazendo ela abaixar um pouco, a ponto de revelar mais o seu V da perdição. Voltei meu olhar rapidamente para seu rosto e ele sorri preguiçosamente. Sei que ele está me testando.
- Acho mais apropriado o senhor se vestir!
Voltei para a minha mesa e mexo em alguns papeis, na intenção dele entender que não quero essa aproximação.
O Senhor Carmichael voltou para sua sala fechando a porta atrás de si, e respirei aliviada. Se essa for sua maneira de agir comigo, eu não vou trabalhar aqui.
O meu telefone toca, e vejo ser Ingrid.
- Onde você está? Você teve problemas com o senhor Carmichael?
- Estou bem, vim limpar a minha roupa, mas já vou descer, eu estou faminta!
- Te espero!
- Até já!
Pego meu celular, e ando até a porta, eu ainda estou faminta e preciso me alimentar, senão a dor de cabeça chegará e não vai ser legal.
Antes de chegar na porta, ouço a voz do meu novo chefe vindo do interfone que nem havia reparado que tinha na minha mesa.
- Senhorita Gonzalez, poderia vir na minha sala, por favor!
Meu estômago ronca, mas oficialmente começaram os trabalhos, vou até a minha mesa e pego um bloco de nota e uma caneta.
Entro na sua sala e ele está sentado atrás de sua mesa, com algumas pastas na mão. Eu realmente achei que ele ia dar mais atenção às pessoas lá fora, afinal, tem sua família, acionistas e repórteres...
- Sim, senhor Carmichael!
- Não precisa me chamar se Senhor Carmichael, esses são meu pai e meu irmão. Pode me chamar de Tony!
- Desculpe senhor, mas eu prefiro manter o profissionalismo! – Falo me mantendo séria.
Ele me olha por um bom tempo e depois solta um sorriso meio contido, seus dentes bem alinhados brilham enquanto ele balança a cabeça com uma falsa concordância.
- Como quiser, senhorita Gonzalez. Sente-se! – Ele aponta para a cadeira na sua frente.
- Em que posso ajudar?
- É a hora de nos conhecermos melhor! Precisamos nos conectar para que possamos trabalhar em comunhão, e se estivermos em sintonia, vai facilitar a nossa convivência. Querendo ou não, vamos passar a maior parte do nosso tempo juntos!
- Concordo! – Falo ignorando todo o duplo sentido da sua fala.
Ele me entrega uma pasta com informações dos principais clientes, fomos preenchendo informações sobre disponibilidade de horários e me mostrei à disposição da empresa. A conversa foi tranquila e respeitadora, mesmo a minha cabeça doendo pela fome, eu tive que aproveitar para conhecer meu novo chefe.