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O Alfa que Me Reivindicou
img img O Alfa que Me Reivindicou img Capítulo 5 Vizinho
5 Capítulo
Capítulo 8 Gramado img
Capítulo 9 Frente a frente com o alfa img
Capítulo 10 Sala errada img
Capítulo 11 Humana peculiar img
Capítulo 12 Convite inesperado img
Capítulo 13 Cachoeira img
Capítulo 14 Na cachoeira img
Capítulo 15 Surpresa atrás de surpresa img
Capítulo 16 Minha img
Capítulo 17 Cio img
Capítulo 18 Fugindo img
Capítulo 19 Sonho img
Capítulo 20 Noite quente img
Capítulo 21 Café da manhã img
Capítulo 22 Na cama img
Capítulo 23 Presas img
Capítulo 24 Discussão acalorada img
Capítulo 25 A bruxa img
Capítulo 26 Pequeno Vic img
Capítulo 27 Dócil img
Capítulo 28 Conexão img
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Capítulo 5 Vizinho

Gabriela

Por incrível que pareça, passei a viagem de volta inteira dormindo tranquilamente, algo que não acontecia há muito tempo. Foi um descanso pesado, profundo, como se meu corpo finalmente tivesse encontrado um momento de paz depois de tantos dias de tensão. Quando acordei, já estava próxima de casa e senti como se um peso gigantesco tivesse saído das minhas costas. E talvez tivesse mesmo, porque agora eu finalmente teria como pagar minhas contas, e essa vinha sendo a minha maior preocupação nos últimos dias.

No fim das contas, cheguei em casa sem sono algum. Ao invés de descansar, me joguei direto nos afazeres, abrindo armários, mexendo nas gavetas e basicamente colocando tudo de cabeça para baixo. Comecei a separar o que realmente precisava levar, tentando ser prática, mas ao mesmo tempo percebendo que não era tão fácil assim escolher o que deixar para trás.

Valéria havia dito que eu teria um quarto só para mim na ala de hóspedes, o que já era mais do que eu esperava. Pelo que entendi, os quartos daquela mansão seguiam um padrão alto, com banheiro grande, espaço confortável e tudo o que uma pessoa precisaria para viver bem. Eu não estava em busca de luxo, muito menos conforto, meu foco era trabalho, estabilidade, sobreviver. Mas se a vida estava me oferecendo a chance de dormir em uma cama melhor do que a minha, eu não seria idiota de recusar.

Era até estranho perceber como tudo mudou tão rápido. Até ontem eu estava completamente angustiada, sem saber o que fazer, com medo de perder tudo o que ainda tinha. E agora... eu estava ali, cantarolando baixo enquanto limpava a casa, lavava algumas roupas e organizava uma mala muito maior do que o necessário.

Talvez fosse o alívio.

Ou talvez fosse o início de algo que eu ainda não entendia.

Valéria também comentou que eu usaria um uniforme, com uma cor específica que indicava que eu era humana. Aquilo me fez pensar por alguns segundos. Eles sentem cheiro, então no fundo não fazia diferença, mas como ela mesma disse, era uma forma de distinguir visualmente, de manter uma organização dentro da propriedade.

Além disso, eu teria seguranças sempre por perto quando estivesse com o pequeno Vic. Isso me deixou mais tranquila, mas ao mesmo tempo reforçou o perigo da situação. Por mais que ele fosse apenas um bebê, ainda era um shifter, e não qualquer shifter... era filho de um alfa.

Se ele se irritasse, eu poderia facilmente me machucar.

Mesmo assim, algo dentro de mim insistia em dizer que Vic não era perigoso, pelo menos não da forma que todos descreviam. Eu o senti diferente, como se fosse apenas uma criança que não soube lidar com a ausência da mãe. Eu sabia exatamente como era esse vazio, essa sensação constante de falta, de saudade que nunca vai embora.

Dizem que os shifters criam um vínculo com a mãe ainda dentro do ventre, e que esse laço é forte o suficiente para permanecer mesmo depois do nascimento. Se isso for verdade, então Vic provavelmente sente falta de alguém que nunca chegou a conhecer de verdade.

Esse pensamento me apertou o peito.

Ao mesmo tempo, algo não encaixava. Pelo que sempre ouvi, as fêmeas shifters são fortes, resistentes, capazes de gerar vários filhos sem grandes complicações. Então por que aquela história parecia tão... errada?

Afastei esse pensamento antes que ele crescesse demais. Eu não estava em posição de questionar nada.

Parei por alguns minutos para fazer um lanche. Enquanto fritava um ovo, tentando não queimar dessa vez, minha campainha tocou. Franzi a testa, estranhando o horário. Não estava esperando ninguém.

Caminhei até a porta com cautela e olhei pelo olho mágico.

Um homem.

Desconhecido.

Fiquei alguns segundos parada, analisando, até lembrar que havia visto um caminhão de mudança no dia anterior na casa ao lado. Provavelmente era o novo vizinho.

Mesmo assim, abri a porta com cuidado.

_ Boa noite, vizinha! _ disse ele com um sorriso que, de alguma forma, pareceu estranho.

_ Boa noite... você é o novo vizinho, certo?

_ Sim, me mudei ontem. Peço desculpas pelo horário, mas a câmera da lateral da sua casa está fazendo um barulho... extremamente irritante.

Ele tentou soar casual, mas algo me chamou atenção imediatamente. Seus olhos. O dourado misturado com laranja não deixava dúvidas.

Um shifter.

Observei melhor. Ele era alto, muito alto, com ombros largos e um corpo que passava uma sensação clara de força. Não era o tipo de pessoa que passaria despercebida em lugar nenhum.

_ Oh... de-desculpa... eu não sabia... _ murmurei, sentindo um leve desconforto.

_ Por favor, não me entenda mal... é que o barulho é realmente irritante, e desde ontem está me incomodando muito. Eu não consegui dormir a noite inteira.

Ele parecia sincero, apenas cansado.

_ Tudo bem, eu vou desligar a câmera, aí você me diz se melhorou, ok?

Ele assentiu.

Deixei-o na porta e fui rapidamente até o interruptor, desligando a câmera lateral. Eu sabia exatamente qual era o problema, um ruído baixo que já tinha me acostumado a ignorar, mas que claramente não passaria despercebido para alguém com audição sensível.

Voltei até a porta.

_ Pronto, melhorou?

Ele fechou os olhos por um instante, como se estivesse testando o silêncio, e então soltou um suspiro aliviado.

_ Nossa... muito obrigado. Eu realmente não estava aguentando mais.

_ Eu imagino. Se eu soubesse que você era um shifter teria desligado antes.

_ Está tudo bem. Aqui na região quase não tem, então não achei que seria um problema.

_ E por que você veio pra cá?

Perguntei sem pensar muito. Às vezes minha curiosidade fala mais alto do que deveria.

_ A internet é melhor. Em áreas com muita vegetação a conexão é péssima. Mas não é definitivo, só fico aqui durante a semana.

Assenti, entendendo.

Ele estendeu a mão.

_ Prazer, Adryan.

_ Gabriela. _ respondi, apertando sua mão.

_ Acredito que vamos nos ver bastante então.

_ Na verdade não muito. Vou começar um trabalho fora e devo passar a semana longe.

No mesmo instante, o nariz dele se contraiu.

_ Tem algo queimando.

Demorei um segundo para processar, mas quando entendi, corri direto para a cozinha.

_ Droga!

Desliguei o fogão às pressas. O ovo estava completamente passado do ponto, quase carvão.

Peguei a panela e coloquei debaixo da água, e a fumaça subiu rapidamente, tomando conta do ambiente.

_ Desculpa, eu esqueci completamente...

_ Tudo bem. Eu também não sei cozinhar, então não posso julgar. _ disse ele, rindo de leve.

Aquilo quebrou um pouco da tensão.

Conversamos por mais alguns minutos, coisas simples, superficiais, e em nenhum momento ele tentou invadir meu espaço ou entrar na casa. Isso me deixou mais tranquila. Apesar da presença forte, ele parecia respeitar limites.

Depois de um tempo, nos despedimos.

Fechei a porta e encostei por um instante, respirando fundo. Era estranho perceber como minha vida estava mudando rápido demais. Um novo emprego, um novo ambiente, um vizinho shifter... tudo acontecendo ao mesmo tempo.

Voltei a arrumar minha mala enquanto aguardava o lanche que pedi, já que minha tentativa de cozinhar tinha falhado completamente.

No meio das coisas, encontrei uma foto antiga.

Eu e meus pais.

Passei o polegar pela imagem, sentindo o peito apertar.

A saudade veio forte, como sempre vinha quando eu menos esperava. Não importava o quanto eu tentasse seguir em frente, aquilo nunca desaparecia completamente.

Algumas lágrimas escorreram sem que eu pudesse impedir.

Continuei arrumando minhas coisas mesmo assim.

Porque, no fim das contas, não importa para onde eu vá, eu sempre vou carregar essa parte da minha história comigo. Não apenas nas lembranças, mas nas marcas que ficaram, tanto as visíveis quanto aquelas que ninguém consegue enxergar.

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