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O Alfa que Me Reivindicou
img img O Alfa que Me Reivindicou img Capítulo 7 Bizarro
7 Capítulo
Capítulo 8 Gramado img
Capítulo 9 Frente a frente com o alfa img
Capítulo 10 Sala errada img
Capítulo 11 Humana peculiar img
Capítulo 12 Convite inesperado img
Capítulo 13 Cachoeira img
Capítulo 14 Na cachoeira img
Capítulo 15 Surpresa atrás de surpresa img
Capítulo 16 Minha img
Capítulo 17 Cio img
Capítulo 18 Fugindo img
Capítulo 19 Sonho img
Capítulo 20 Noite quente img
Capítulo 21 Café da manhã img
Capítulo 22 Na cama img
Capítulo 23 Presas img
Capítulo 24 Discussão acalorada img
Capítulo 25 A bruxa img
Capítulo 26 Pequeno Vic img
Capítulo 27 Dócil img
Capítulo 28 Conexão img
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Capítulo 7 Bizarro

Gabriela

Já tem uma semana que estou cuidando do pequeno Vic, que de pequeno não tem nada. Até o momento ele não tentou me morder, nem fez nada que eu pudesse achar estranho. Ele é uma criança de ouro, carinhoso, quer ficar o tempo inteiro no meu colo e acabou virando meu grude. Até para dormir estou tendo dificuldades, porque ele insiste em ficar comigo o tempo todo. Valéria disse que isso é muito estranho e que talvez ele esteja me associando à mãe falecida, o que não faz muito sentido, já que meu cheiro provavelmente é completamente diferente do dela.

Ainda não encontrei meu patrão, o senhor Ethan, mas sei que ele não está na propriedade, já que teve um imprevisto e precisou viajar no mesmo dia em que havia voltado. Por um lado isso me deixa mais tranquila, porque consigo respirar e me adaptar ao ambiente, mas por outro me preocupa. E se ele não gostar de mim? Se me demitir, o pobre Vic vai acabar magoado, porque mesmo em tão pouco tempo ele se apegou a mim de uma forma que eu nunca imaginei.

_ Ei, garotão, já está na hora da soneca. _ Falei enquanto acariciava os cabelinhos dele.

Ele odeia dormir à tarde, mas se não cochilar quem sofre depois sou eu, porque Vic fica irritado e preciso evitar qualquer situação que possa terminar em machucado. Depois de alguns minutos, ele finalmente deitou no meu colo e adormeceu, com a respiração tranquila e o corpo relaxado.

Coloquei o pequeno na cama com cuidado e desci para tomar café. Encontrei Valéria na cozinha e, assim que entrei, ela já estendeu uma xícara cheia. Aceitei sem pensar duas vezes e me sentei de frente para ela na mesa redonda. Notei imediatamente que havia algo errado. Ela estava quieta demais, pensativa demais, e seus olhos pareciam mais atentos do que o normal.

_ Está tudo bem? _ perguntei, um pouco receosa.

_ Não. _ Ela soltou um suspiro pesado antes de continuar. _ Sinto que há algo errado com alguns dos machos da propriedade. Estão mais agitados, com o pavio curto e... violentos.

_ Isso não parece nada bom. _ murmurei, sentindo um desconforto crescer no peito.

_ Pode ser por causa da lua de sangue que está próxima, ou então o cio começou a se espalhar mais cedo do que o esperado. _ Ela fez uma careta, claramente incomodada. _ Consigo sentir o cheiro deles daqui.

_ Lua de sangue?

_ Sim. Qualquer lua cheia já mexe com os lobos, mas a de sangue, que acontece a cada sessenta anos, é ainda mais intensa. E Ethan, como alfa, vai sentir isso mais do que todos.

_ Então seria melhor ele arrumar uma namorada logo, não acha?

Valéria me encarou por um segundo antes de começar a rir, exibindo as presas de forma despreocupada.

_ Você realmente acha que é tão simples assim? _ perguntou, ainda rindo.

_ Eu pensei que... bom... _ Não consegui terminar a frase e preferi ficar quieta.

_ Para nós não funciona assim. Principalmente para lobos. Cheiro, toque, até o humor influenciam. São coisas que para vocês parecem pequenas, mas para nós fazem toda diferença.

_ Toque?

_ Sim. Quando não existe química, é como tocar algo sem vida. Não tem calor, não tem reação. É desconfortável.

_ Nossa, deve ser estranho...

_ E o cheiro pesa ainda mais. Tem machos aqui que me dão vontade de sair correndo só de sentir o odor.

_ Ainda bem que eu não sinto nada disso. Já está difícil sem esses critérios todos, imagina se tivesse.

Nós duas rimos, e por um instante tudo pareceu leve. Mas essa sensação durou pouco.

Valéria ficou séria de repente, e eu segui o olhar dela até a porta. Um homem alto entrou, com uma presença que preencheu o ambiente de forma quase sufocante. Eu já o tinha visto pela casa, principalmente à noite, mas nunca havia falado com ele.

_ Senhoras. _ Ele fez um leve aceno. _ O senhor Ethan pediu que a senhora Valéria me acompanhe até os muros. Preciso mostrar algo.

Valéria se levantou imediatamente, sem questionar, e passou por mim com passos firmes. O homem veio logo atrás, mas antes de sair ele puxou o ar com força, como se estivesse analisando algo.

Ou alguém.

Quando seus olhos pararam em mim, senti meu rosto esquentar. Era impossível esquecer que eles conseguiam perceber tudo. Ele sorriu, mostrando as presas de forma lenta, e aquilo não teve nada de amigável.

Um arrepio percorreu minha coluna.

Ele saiu logo em seguida, deixando para trás um silêncio estranho.

_ Que estranho... _ murmurei, mais para mim mesma.

Terminei meu café e decidi ir até a biblioteca. Era um dos poucos lugares da mansão onde eu me sentia um pouco mais confortável. O ambiente era silencioso, organizado, com aquele cheiro de livros que sempre me acalmou.

Comecei a procurar qualquer coisa sobre lua de sangue, passando os olhos pelas prateleiras, mas não encontrei nada útil. Nenhuma explicação direta, nenhuma informação concreta.

Peguei o celular e tentei pesquisar, mas os resultados eram vagos demais, como se alguém tivesse escondido as partes mais importantes da história.

Aquilo me deixou inquieta.

Suspirei e caminhei até a janela, observando a área externa. A floresta parecia mais densa do que o normal, silenciosa demais, como se estivesse aguardando alguma coisa.

Afastei aquele pensamento.

Provavelmente era só impressão minha.

Saí da biblioteca e comecei a andar pelos corredores da mansão. Já conseguia me localizar melhor, mas ainda assim aquele lugar carregava uma energia estranha. Os funcionários estavam diferentes, mais quietos, mais atentos, como se todos estivessem esperando algo acontecer.

Subi até o quarto de Vic e abri a porta com cuidado. Ele ainda dormia, tranquilo, abraçado a um brinquedo. Aquela cena trouxe um pouco de calma.

Me aproximei e passei a mão pelos cabelos dele.

_ Você não faz ideia de onde está metido... _ murmurei.

Fiquei ali por alguns minutos, apenas observando, até que um som distante chamou minha atenção.

Um uivo.

Baixo, mas intenso o suficiente para fazer meu corpo inteiro reagir.

Olhei na direção da janela.

Veio da floresta.

Engoli em seco, sentindo um arrepio subir pela espinha.

Talvez eu realmente devesse me preocupar mais do que estou me permitindo. E no fim das contas, retornei para a biblioteca.

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