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O Alfa que Me Reivindicou
img img O Alfa que Me Reivindicou img Capítulo 6 Carona
6 Capítulo
Capítulo 8 Gramado img
Capítulo 9 Frente a frente com o alfa img
Capítulo 10 Sala errada img
Capítulo 11 Humana peculiar img
Capítulo 12 Convite inesperado img
Capítulo 13 Cachoeira img
Capítulo 14 Na cachoeira img
Capítulo 15 Surpresa atrás de surpresa img
Capítulo 16 Minha img
Capítulo 17 Cio img
Capítulo 18 Fugindo img
Capítulo 19 Sonho img
Capítulo 20 Noite quente img
Capítulo 21 Café da manhã img
Capítulo 22 Na cama img
Capítulo 23 Presas img
Capítulo 24 Discussão acalorada img
Capítulo 25 A bruxa img
Capítulo 26 Pequeno Vic img
Capítulo 27 Dócil img
Capítulo 28 Conexão img
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Capítulo 6 Carona

Gabriela

Acordei cedo, animada e cheia de disposição. Não tive pesadelos, nem sonhos, apenas dormi e descansei minha cabeça. Me sinto incrivelmente renovada. Peguei minha mala, o dinheiro da passagem e saí de casa. Fiquei um tempo esperando um uber que me levasse até a rodoviária, mas justamente hoje não consegui encontrar nenhum carro de aplicativo.

_ Droga... _ Murmurei preocupada.

_ Bom dia, Gabriela! _ A voz do meu vizinho preencheu meus ouvidos.

_ Oi, bom dia Adryan!

_ Aconteceu alguma coisa? Parece preocupada!

_ Não consigo encontrar carro de aplicativo, e a mala é muito pesada para levar no transporte! _ Comecei a morder meu lábio, me sentindo extremamente preocupada.

_ Eu levo você! _ Disse ele sorrindo, e mais uma vez, deixando suas presas à mostra. _ E antes que você recuse, eu preciso ir até o centro, então não vai ser nada demais para mim!

E eu realmente ia recusar, até porque conheço esse homem há um dia, mas no momento não posso exigir. Shifters ainda me deixam com os cabelos arrepiados, mas não há muito o que eu possa fazer quanto a isso.

_ Ok... então se não for incomodo, vou aceitar a sua carona. _ Falei envergonhada.

Adryan tirou o carro da garagem, tão grande quanto ele. O homem ainda fez a gentileza de colocar a minha bagagem no porta malas.

_ Bom, pelo visto você vai para longe mesmo! _ Disse ele quando deu partida no carro.

_ Sim, consegui um emprego fora da cidade, e tive que aceitar. Empregos estão se tornando algo raro por aqui. _ Adryan riu. _ E você conseguiu dormir bem essa noite?

_ Dormi feito pedra. Te devo uma! _ Disse ele sem desviar os olhos da estrada.

_ Que bom.

_ Você parece que teve uma ótima noite também, até seu cheiro está mais saudável!

_ Me-meu cheiro? _ Perguntei gaguejando.

_ Ah... _ Ele ficou meio sem jeito. _ desculpa, eu me esqueço que vocês não falam esse tipo de coisa.

_ Você consegue saber se eu dormi bem através do meu cheiro?

_ Consigo saber se você está cansada, ou saudável. Mas não são todos os shifters que conseguem sentir esses cheiros. Alguns só sentem o básico, e outros sentem até cheiro de doença.

_ Nossa, que incrível! _ Paramos em um sinal vermelho, e notei Adryan me olhando.

_ Você vai trabalhar com lobos? _ Perguntou ele, do nada.

_ Sim, como você sabe?

_ Ontem você cheirava a filhote. Mais especificamente, filhote de lobo. E como você me disse que vai trabalhar fora da cidade, imaginei que fosse trabalhar em alguma matilha.

_ S-Sim.. vou cuidar de um bebê!

_ Oh... _ Os olhos dele brilharam um pouco, e não consegui distinguir o que ele queria dizer.

Adryan voltou a dirigir, e eu me perdi em pensamentos. Todos os dias eu descubro alguma coisa nova sobre essa raça, e todas elas são assustadoras. Há coisas completamente sem registro, e os shifters são uma incógnita.

Assim que Adryan parou o carro no estacionamento da rodoviária, que a essa hora estava vazia, descemos e ele pegou a minha mala, colocando-a no chão. Por sorte ela tem rodinhas, pois está um pouco pesada.

_ Nossa, eu nem sei como agradecer! _ Falei sorridente.

_ Não precisa agradecer. Vou ficar de olho na sua casa, e se precisar de qualquer coisa, inclusive, se precisar que eu te busque, pode me ligar. _ Ele tirou um cartão do bolso e me deu.

_ Obrigado Adryan!

_ Não tem o que agradecer. Ah, e se cuida, ok? _ Ele parecia meio preocupado.

_ Ok... eu sei ser invisível quando necessário, sei que vou me dar bem nesse emprego. _ Falei confiante, mas minha confiança não alcançou meu vizinho que tentou forçar um sorriso, mas sem sucesso.

_ Lobos são... complicados de se lidar. Gostam de marcar território, de morder e são bem inconvenientes quando encontram uma fêmea disposta!

_ Fêmea disposta? _ Perguntei sem entender.

_ É... é quando... _ Ele parou de falar e ficou me encarando. _ é melhor você ir, acho que seu ônibus acabou de chegar. _ Ele deu tchau de longe, e se enfiou dentro do carro novamente.

Corri até a parada, arrastando minha mala comigo. Assim que entrei no ônibus respirei fundo. Agora se inicia uma nova jornada, e confesso que agora estou receosa...

Me sentei próxima à janela, apoiando a cabeça no vidro frio enquanto observava o movimento ainda tímido da rodoviária. Poucas pessoas circulavam por ali, algumas com pressa, outras claramente tão perdidas quanto eu. Apertei o cartão que Adryan havia me dado entre os dedos por alguns segundos antes de guardá-lo na mochila. Era estranho confiar em alguém tão rápido, mas ao mesmo tempo, eu não tinha muitas opções na vida além de seguir em frente e aceitar o que aparecia.

O ônibus começou a se mover devagar, e conforme a cidade ficava para trás, senti um aperto no peito. Não era exatamente saudade, mas também não era indiferença. Era uma sensação estranha de estar deixando para trás a única coisa estável que ainda existia na minha vida, mesmo que essa estabilidade fosse cheia de problemas.

Fechei os olhos por um instante, tentando organizar meus pensamentos. O novo emprego era uma oportunidade, talvez a única real que tive em muito tempo. Um salário bom, moradia garantida, comida... tudo o que eu precisava para recomeçar. Ainda assim, havia algo que me incomodava profundamente, algo que eu não conseguia nomear.

Talvez fosse o fato de estar indo viver cercada por shifters.

Talvez fosse o lobo.

Balancei a cabeça, afastando aquela lembrança. Eu não podia começar a me sabotar antes mesmo de chegar. Já era difícil o suficiente lidar com meus próprios medos sem alimentar paranoias.

A paisagem começou a mudar aos poucos. O concreto foi dando lugar a áreas mais abertas, depois a campos, e finalmente à vegetação mais densa. A cada quilômetro percorrido, o verde ficava mais presente, mais fechado, mais... vivo.

E isso me deixava inquieta.

Meu corpo parecia reagir antes mesmo da minha mente entender o motivo. Meus dedos ficaram frios, meu coração acelerou levemente, e por alguns segundos tive a sensação clara de estar sendo observada. Abri os olhos rapidamente e olhei ao redor, mas não havia nada além de passageiros comuns, alguns dormindo, outros mexendo no celular.

Suspirei fundo, tentando me acalmar.

Isso era coisa da minha cabeça.

Tinha que ser.

Encostei novamente a cabeça na janela e deixei o tempo passar. Em algum momento, acabei cochilando, não tão profundamente quanto na viagem anterior, mas o suficiente para desligar um pouco da ansiedade.

Quando acordei, o ônibus já se aproximava do destino.

Endireitei minha postura, passei a mão no rosto e respirei fundo. Era isso. Não tinha mais volta.

Assim que o veículo parou completamente, me levantei, peguei minha mala e desci com cuidado. O ar ali era diferente. Mais puro, mais fresco... e ao mesmo tempo mais pesado. Era como se cada respiração trouxesse algo que eu não estava acostumada a sentir.

Olhei ao redor, tentando localizar o motorista que havia sido prometido, mas ainda não havia ninguém me chamando. Apertei a alça da mala com mais força e permaneci parada por alguns segundos.

Aquela sensação voltou.

Forte.

Como se algo, ou alguém, estivesse muito perto.

Engoli em seco.

E dei o primeiro passo em direção ao que, eu sentia, mudaria completamente a minha vida.

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