A Irmandade acima de tudo -
img img A Irmandade acima de tudo - img Capítulo 2 A Irmandade acima de tudo -
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Capítulo 6 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 7 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 8 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 9 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 10 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 11 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 12 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 13 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 14 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 15 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 16 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 17 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 18 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 19 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 20 A Irmandade acima de tudo - img
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Capítulo 2 A Irmandade acima de tudo -

Dmitri Milanovic

Finalizei minha reunião com Ivan e decidi

ir embora. Agora, os detalhes do que fazer com os

Kapitany e Boris ficariam com ele. Além de ser o

chefe de segurança, Ivan, o terceiro homem de

confiança, na ausência de Vladic, seria o escolhido

para ser o Avtorieyt, devido a seu bom treinamento

e habilidades.

Mas eu não conseguia ver qualquer outra

pessoa trabalhando diretamente ao meu lado além

de Vladic. Se eu havia sido bem preparado para me

tornar Pakhan, Guriev foi moldado para ser o

Avtorieyt. E agora, com meu casamento no dia

seguinte, ele exerceria sua função ainda mais. Se

havia alguém no mundo em que eu confiava, além

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da mulher que escolhi para dividir a vida comigo,

era Vladic.

- Não se preocupe, irmão - senti seu

aperto forte em meu ombro e desviei o olhar da

janela do carro e o encarei - Tudo está sob

controle.

- Espero que tenha razão, Vladic.

- O que está incomodando, Dmi? É por

causa da arena? Teme o que Kyara irá dizer?

- Não. Isso não é algo que ela irá

apreciar, mas quando a pedi em casamento, deixei

claro o que somos e o que fazemos.

Eu não sabia como explicar o que me

incomodava. Ivan tinha repassado os planos de

segurança durante a cerimônia, os três dias de festa,

a noite na arena, até minha viagem de lua de mel.

Contudo, eu tinha uma incômoda sensação de que

algo estava fora do lugar.

- Não sei dizer, Vladic. Talvez sejam só

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coisas da minha cabeça.

Ou estivesse preocupado demasiadamente

com Kyara. Ela andava tensa com o casamento e

fazendo muitas perguntas sobre os Kamanev, em

busca de repostas que eu não poderia dar ainda. A

preparação do casamento já vinha sendo exaustiva

demais para ela. Embora ela tivesse tentado

disfarçar, notei sua perda de peso e ar fadigado. No

entanto, o que realmente me deixou preocupado foi

tê-la encontrado desmaiada no banheiro.

Eu amava Kyara, mas só tive noção da

grandiosidade de meus sentimentos por ela quando

a vi caída. Não conseguia entender como meu pai

suportou a partida de seu grande amor. Em uma das

poucas conversas que tive com Vladic, inclusive

naquele mesmo dia, a única explicação que ele

sugeriu era que tinha sido por mim e pela Bratva.

Já eu acreditava que foi pela Bratva, não

porque ele não me amasse, mas o trabalho passou a

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ser sua mulher, e quando não estava mergulhado

nele, ficava na estufa, pensando e lembrando de seu

amor perdido. Meu otets podia achar que eu não

soubesse, mas na estufa ele costumava conversar

com mat' em voz alta, como se ela ainda estivesse

viva.

- Você só tem que se preocupar em

colocar o terno e se divertir - disse ele abrindo um

sorriso - O resto deixe com a gente.

Assenti e tornei a olhar pela janela.

Provavelmente a maior parte de minha tensão era a

grandiosidade do evento. Toda a Bratva estaria

presente, além de que eu deixaria claro a todos que

não era um homem a quem se devia ameaçar.

Quando finalmente chegamos em casa,

Vladic foi para escritório e eu subi a escada em

direção ao quarto. Enviei duas mensagens a Kyara,

uma, quando saí da sala de Ivan e outra, na metade

do caminho, avisando que estava chegando. Em

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ambas não obtive resposta, por isso acreditava que

ela estivesse no quarto tirando um cochilo.

Um sorriso veio ao meu rosto ao pensar na

forma que iria acordá-la. O sexo entre a gente

estava cada vez mais quente, mas nessa última

semana andei pegando um pouco mais leve,

poupando suas energias. A partir de hoje isso

mudaria.

- Kyara? - chamei no quarto vazio,

pois, a porta do banheiro estava fechada e não

entreaberta como ela costumava esquecer.

Fiquei bastante incomodado em ver que

ela também não estava ali e que seu telefone se

encontrava em cima da cama. Dei uma olhada

rapidamente e vi que minhas mensagens não

tinham sido visualizadas por ela. Franzi a testa, não

havia mais nada que precisasse ser verificado em

relação a cerimônia e comemoração, e mesmo que

tivesse, dei ordem expressas a Savin e Ertel que

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Kyara não deveria mais ser incomodada com isso,

então, duvidada que estivesse presa no escritório

dando andamento em alguma complicação de

última hora, mas ela poderia estar passando tempo

no computador. Porém, o único na sala era Vladic.

- Precisa de algo?

- Achei que Kyara pudesse estar aqui.

Não está no quarto e nem com o telefone dela.

Vladic se ergueu da mesa, vindo até mim.

- Já verificou na biblioteca?

Não o respondi, fui em direção à

biblioteca, tendo Vladic a me acompanhar. Assim

como nos lugares que verifiquei, Kyara não estava

lá.

- Talvez tenha ido na estufa? - sondou

Vladic mais uma vez.

Andei apressadamente até a estufa e de lá,

para a piscina, Kyara não se encontrava em

nenhuma das duas. Então, chamei o primeiro

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Boyevik que esbarrei pelo caminho, e ordenei

imediatamente que reunisse mais homens e

fizessem uma busca detalhada por toda a

propriedade.

Meu maior terror era que Kyara tivesse

passado mal mais uma vez e não tivesse tido a sorte

que teve no banheiro, e bateu com a cabeça em

algum móvel. E se...

- Nós vamos encontrá-la - disse Vladic

ao voltarmos para o escritório, depois de ter ido aos

outros cômodos verificar se em algum momento

nossos caminhos haviam se desencontrado - A

casa é enorme. Ela pode ter parado em algum lugar

para descansar e ter pegado no sono.

Vladic estava sendo otimista, eu pensava

em coisas bem mais preocupantes, mas não era do

tipo de fazer alarde, embora a inquietação que tive

por todo o dia parecesse finalmente ter encontrado

uma explicação.

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Uma hora depois, o chefe de segurança da

casa surgiu com dois de seus homens.

- Procuramos em cada canto, senhor -

ele baixou os olhos diante do meu olhar frio e

implacável sobre ele - Aqui, a Srtª. Smirnov não

está.

Avancei até ele, agarrando sua camisa pela

lapela, e apesar de ser um homem

consideravelmente robusto, ergui-o tanto ao ponto

de fazê-lo ficar nas pontas dos pés.

- Onde está minha mulher?

Eu já a considerava assim por direito. Os

papéis que iríamos assinar e a bênção religiosa

passavam apenas de meras formalidades diante de

meu povo.

- Calma aí, Dmitri - disse Vladic ao me

puxar para longe do homem - Matá-lo não terá

muita serventia, pelo menos, não agora.

Vladic tinha razão, eu puniria esse

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imprestável outra hora, minha missão agora era

encontrar Kyara.

- Talvez ela tenha ido embora - sugeriu

o Boyevik - Minha irmã desistiu do casamento na

porta da igreja.

A calma que decidi manter saiu voando

como um pássaro pela janela. Meu punho foi

certeiro em direção à face do Boyevik que tinha

ousado sugerir isso.

- Se vocês não têm nada inteligente para

dizer - disse Vladic quando veio me conter pela

segunda vez - Fiquem calados, porra!

- Ela não fugiu - disse aos homens, mas

encarava Vladic - Pode me soltar.

Levei a mão ao queixo e comecei a andar

lentamente de um lado ao outro enquanto tentava

manter minha serenidade e refletir com clareza.

- Reúnam todos os empregados - disse

ao chefe de segurança - Alguém deve ter visto ou

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ouvido alguma coisa.

Assim que os três homens saíram, Vladic

se colocou à minha frente, dando voz a um dos

meus pensamentos obscuros.

- Você acha que a Tambovskaya teria

tanta ousadia?

Eu tinha levado um deles diante de seus

olhos, então, a vingança poderia ser esperada. Mas

havia também uma segunda opção e essa eu não

queria sequer imaginar.

- Eu sei que Kyara não fugiu, Vladic -

o aperto em meu peito foi forte o suficiente para me

fazer respirar fundo - Vou descobrir onde ela está

e seja lá quem for que a levou de mim, irá lamentar

ter nascido.

E eu sempre cumpria cada promessa

minha.

Não foi preciso interrogar todos os

empregados. Assim que Darya, assustada e em

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prantos, foi colocada diante de mim, meu mundo

desmoronou à minha volta.

Sonya tinha vindo visitar Kyara e foi após

a visita dela que Kyara não tinha sido mais vista

pela casa.

- Ela disse que veio falar com a irmã -

pranteou ela, torcendo o avental em seu uniforme

- A Srtª Kyara disse que iria recebê-la na sala. Eu

não sabia que...

Ela caiu sobre meus pés manchando os

sapatos pretos com suas lágrimas.

- Por favor, Papa - implorou ela - Eu

não sabia.

No momento, pouparia Darya por dois

motivos. O primeiro, o erro tinha surgido dos

Boyevik responsáveis pela segurança que haviam

permitido que Sonya Kamanev, com seu sorriso

falso e palavras adocicadas, entrasse. Segundo,

Kyara tinha um grande carinho por Darya, e ficaria

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furiosa comigo se eu fizesse algo drástico com ela.

Porque eu iria recuperar Kyara de volta, era só uma

questão de tempo.

- Contate o Ivan - disse a Vladic

enquanto ia até uma das gavetas de minha mesa

onde tirei um revólver - Reúna os Boyevik, vamos

até a casa Kamanev.

Enquanto eu meditava durante o caminho

se arrancava todos os dedos de Boris por ter ousado

tocar em Kyara, ou cada um de seus olhos pelo

atrevimento de sequer olhá-la, isso só para

começar, Vladic cuidava dos detalhes em relação a

invasão à mansão Kamanev.

Sonya também não ficaria de fora. Ela

lamentaria amargamente ter abusado da confiança

de Kyara e, principalmente, por ter invadido minha

casa, tirando dela o que eu tinha de mais precioso.

- Ivan já está lá - disse Vladic ao me

encarar com certo alarme - Olha, Dmitri, eu sei

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que você está puto, e tem toda a razão de estar, mas

vamos manter a cabeça fria, ok. Não queremos que

a Kyara se machuque e isso inclui ela se magoar se

você sair ferido.

- Estou calmo, Vladic - o tranquilizei.

O que era realmente verdade. O ódio

explodindo em mim por Boris Kamanev servia

como um analgésico que me fazia ficar calmo o

suficiente para confrontá-lo.

- É isso que me preocupa - disse

Vladic.

Eu precisava recuperar Kyara e levá-la de

volta para casa. Depois, eu brincaria com o que

seriam meus novos ratinhos preferidos, Boris e

Sonya Kamanev.

- Vamos acabar logo com isso - disse a

Vladic e mal esperei o carro ser estacionado em

frente à casa cercada de carros pretos.

Ivan veio imediatamente ao meu encontro

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quando saí.

- É tudo muito estranho - disse ele -

Tem uns dez minutos que chegamos e nenhum

Boyevik de Kamanev veio verificar tanta

movimentação.

Direcionei meu olhar para o grande portão.

Não havia sinais de segurança ali, como também

não parecia existir em volta da casa.

- Vamos entrar e passem por cima de

quem tentar resistir.

Embora eu quisesse ser o primeiro a entrar

na casa, o protocolo de segurança exigia que a vida

do Pakhan fosse protegida. Em momentos como

esse eu desejava ser um homem comum,

enfrentando um verme.

Após se prepararem e gestos de comando

dado por Ivan, um grupo de Boyevik de ação frontal

invadiu a propriedade. Outros passaram pelo

portão e escalaram muros até que eu tivesse sinal

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positivo para entrar. Contudo, nossa ação ofensiva

se mostrou desnecessária. Nem Boris, Sonya e

Kyara se encontravam ali. Só havia serviçais

assustados na casa, a quem começamos a

interrogar.

- Chega! - disse ao Boyevik com alicate

na mãos, após ele arrancar o sexto dente de um

empregado que estava quase desmaiando diante

dele - Estamos perdendo tempo.

Eu não teria problema algum se

arrancassem todos os membros do homem, se

suspeitasse que ele realmente sabia de alguma

coisa. Estava claro que Boris deixara aquelas

pessoas ali apenas com intuito de nos confundir e

perder tempo, enquanto levava Kyara sabe-se lá

para onde.

- Vejam os aeroportos, portos, estradas e

cace cada Kapitan envolvido com Boris - disse a

Ivan e virei em direção a Vladic - Nós vamos

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retornar para a minha casa e fazer uma base de

investigação lá. Vou encontrar Boris Kamanev nem

que eu tenha que ir até o inferno.

- Nós atravessaremos esse portão juntos

- disse Vladic se colocando ao meu lado - Eles

não sabem com quem mexeram.

Principalmente Kamanev, com esse eu

queria lidar pessoalmente.

Levaria algum tempo, infinitamente longo

para mim, para que uma base de investigação e

segurança fosse instalada num dos cômodos

inativos na casa. No momento, não havia nada o

que fazer além de esperar, e se eu queria recuperar

Kyara das mãos do desgraçado do Boris, tinha que

pensar e agir friamente. As minhas emoções

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precisavam ser desligadas e isso estava acabando

comigo por dentro.

Na primeira formação da Bratva, os

primeiros bárbaros, também conhecidos como

ladrares, criaram um código de conduta: Os

Ladrões Dentro da Lei, com 18 leis. A primeira

delas era abandonar seus parentes. A segunda era

não ter família própria. Sem esposa, sem filhos. Os

antigos Vor acreditavam que esse elo deixaria os

guerreiros fracos. Os cargos eram disputados na

arena, através de lutas sangrentas e mortais.

Isso em nossa irmandade foi mudando

quando o terceiro Pakhan, Vasiliy Bondarenko,

atreveu-se a se apaixonar pela filha bastarda de um

guerreiro. A Bratva foi dividida no que é hoje, e da

outra metade surgiu a Tambovskaya, que ainda

segue essas práticas em relação a ascensão dos seus

líderes. Por isso que na Bratva, um filho matar o

pai, irmão contra irmão, não era considerado crime

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desde que o assunto fosse resolvido em família. E

era nas práticas da Tambovskaya que Boris

acreditava e queria que a irmandade voltasse a

seguir.

Só que a Tambovskaya é um grupo de

selvagens parados no tempo, mais preocupados em

guerrear entre si do que evoluir e combater os

inimigos de verdade. A Bratva não perdeu sua

essência como os antigos Vor suspeitaram, ela

ficou organizada e mais forte. Temos em nossas

mãos governos, países, outras organizações, e eu

iria provar a Boris e a qualquer membro da

Tambovskaya que ficamos cada vez mais fortes.

- Vamos lutar, Vladic - disse ao

entramos em casa.

- É claro que vamos.

Quando cheguei à escada, virei para ele

que claramente não tinha compreendido o que eu

realmente havia falado.

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- Vamos lutar agora... - continuei a

subir a escada - no pátio.

- Você quer treinar agora?

Vladic foi um dos primeiros a enxergar

meus sentimentos por Kyara, se não o primeiro.

Acho que ele percebeu antes de mim. Ele sabia que

internamente eu estava destruído. Mas um Pakhan,

mesmo na Bratva, tinha que se mostrar sempre

firme. Meu pai, embora tenha morrido por dentro

junto com minha mãe, não deixou cair uma lágrima

até o sepultamento dela. Nós tínhamos que provar

que estar apaixonados não nos deixava fracos.

- Quanto tempo levará para Ivan chegar e

ajeitar tudo?

- Conhecendo Ivan, não mais do que uma

hora.

- Então, teremos uma hora de treino -

disse a ele e fui em direção ao meu quarto -

Encontro você no pátio em cinco minutos.

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Fechei a porta deixando-o no corredor com

o olhar confuso. Escorei-me contra a porta olhando

em volta. Silencioso e muito vazio sem Kyara aqui.

Meus olhos caíram em um cabide com uma enorme

capa protetora.

Segui desnorteado até ela. O vestido de

noiva de Kyara. Passei a mão no plástico escuro,

recordando que ela tinha avisado que queria fazer

mais um ajuste essa manhã e que eu nem deveria

chegar perto do quarto sem avisá-la primeiro.

- Onde você estiver - sussurrei

encostando minha testa contra o embrulho - Fique

bem. Eu vou te encontrar, eu juro.

Permaneci ali parado por mais dois ou três

minutos até abrir o closet e buscar uma de minhas

roupas de treino. Vladic já fazia o aquecimento

quando cheguei ao pátio. Sempre preferi treinar

com ele porque além de ser um dos homens mais

fortes que já conheci, era um lutador espetacular e

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não pegava leve comigo por ser o filho do Pakhan.

- Pronto? - indagou ele flexionando os

braços.

Apenas assenti, me coloquei em posição

de ataque e avancei sobre ele, acertando o primeiro

golpe. Eu precisava disso, extravasar minha fúria e

frustração em algo. Vladic sabia que meu ataque

não era contra ele. Minha raiva não era com ele e o

ódio que parecia querer me cegar não era para ele.

Contudo, era seu corpo sofrendo as consequências.

Nariz escorrendo sangue e lábio cortado.

Eu também não estava apenas batendo,

levei uns precisos e merecidos socos que cortaram

o supercílio direito e outro que fazia meu queixo

arder feito o inferno. Nesse momento, estávamos

apenas vestidos com as calças. Com peito e braços

nus, suávamos do cabelo às juntas dos dedos dos

pés. Em certo momento da luta, Vladic preparou a

montada sobre mim e fez um golpe de queda me

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arremessando contra o chão, dando em mim uma

gravata que me manteve imobilizado contra o solo.

- Já chega, Dmitri! - rugiu ele forçando

meu rosto contra o chão enquanto eu tentava me

soltar.

Fui capaz me virar, mas tudo que consegui

foi que Vladic aplicasse um novo golpe, desta vez,

de estrangulamento.

- Não está lutando - disse Vladic

lentamente diminuindo a pressão em meu pescoço

- Está agindo como um garoto de rua brigando.

Ele tinha razão. Depois da primeira gota

de sangue que tirei dele ao dar o primeiro golpe

com o pé, senti necessidade de mais e mais. Eu

queria ver muito sangue.

- A gente vai procurar e recuperar a

Kyara. Enquanto fazemos isso, você pode dar

quantos socos em mim quiser, meu irmão - disse

ele ao tirar o braço do meu pescoço - Mas

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enquanto isso, não vou deixar você enlouquecer.

Você é Dmitri Milanovic, o Pakhan.

Vladic, por toda a vida, e agora Kyara, a

mulher que meu coração escolheu amar, eram os

únicos que conheciam o Dmitri, as outras pessoas

conheciam o filho e, agora, atual Pakhan. Esses

dois eram as pessoas mais importantes da minha

vida, por significados diferentes. Eu não conseguia

ver minha vida sem eles. Acabaria como o meu pai,

somente com o Pakhan sob minha pele seca.

- Vladic - murmurei em um tom

abalado, ele continuou me mantendo preso ao chão,

mas sabia que não precisava mais me conter.

Não precisava dizer mais nada, Vladic

entendia tudo através do meu olhar. Saindo de cima

de mim, ele esticou a mão para me ajudar a ficar

em pé. As pessoas que haviam parado seus afazeres

para nos ver lutar, rapidamente voltaram às suas

atividades.

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Vladic me fez voltar para casa e eu fui

direto para o chuveiro. O corte no supercílio estava

feio, provavelmente iria precisar de alguns pontos,

mas não tão ruim como pretendia deixar Boris

quando colocasse minhas mãos nele. Fiz os

cuidados que pude em frente ao espelho, depois,

peguei um conjunto de terno no closet, preto, que

era assim como me sentia por dentro, sombrio. A

minha vida toda fui preto e cinza, as cores vieram

com Kyara e seu sorriso de querubim.

Quando desci para a sala de investigação,

Ivan e sua equipe já estavam na ativa. Os

equipamentos que ele iria precisar estavam

terminando de ser montados.

- Papa, ordenei que trouxessem o

Dembinsky imediatamente - disse Ivan assim que

entrei – Os outros Kapitany estão sendo caçados.

Além do terno escuro que ele costumava

usar, desta vez tinha um tipo diferente de headset

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na cabeça, assim como os demais homens em seu

comando.

- Eu quero interrogar o Dembinsky, no

meu escritório - disse a ele e fui em direção à

mesa onde aparelhos de escuta e computadores

estavam sendo instalados e testados.

Isso me fez pensar em Kyara. A tela de

bloqueio do meu computador era uma imagem

abstrata se formando, mas quando dava o enter, o

plano de fundo surgia com uma foto nossa, a

mesma que havia em meu celular e que ela

praticamente tinha me obrigado a colocar ali. Na

verdade, eu troquei o gesto, que disse a ela ser

piegas, por uma boa foda em cima da mesa. Mas eu

gostava de olhar para a imagem, vez ou outra,

quando as coisas no trabalho ficavam mais calmas.

Menos de uma hora depois, um Boyevik

surgiu, avisando que Dembinsky já estava em meu

escritório. Caminhei cegamento até lá e quando

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avistei o Kapitan, fui direto em seu pescoço,

fazendo-o se erguer da cadeira.

- Onde ela está, seu desgraçado?

Dembinsky agarrou meus pulsos e seu

rosto foi ficando vermelho conforme eu o

pressionava. Por mim, estava tudo ótimo, poderia

apertar seu pescoço até ver a vida esvaindo de seus

olhos assustados, sentindo um enorme prazer.

Dmitri Milanovic estava adormecido, esse era

apenas de Kyara, sob a minha pele estava apenas o

Pakhan. Ele mataria cada Kapitan com suas

próprias mãos e usaria seus ossos para palitar os

dentes.

Mas eu não podia matar Dembinsky, antes,

precisava das informações que ele tinha.

- Eu não.... - ele tentou falar enquanto

puxava o ar profunda e desesperadamente,

massageando a garganta dolorida, quando o soltei

- não sei do que está falando.

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- Ah, mas você sabe - me agigantei

diante dele o intimidando ainda mais com o olhar.

Suas mãos seguravam firme o braço da

cadeira, puxei o dedo mindinho com força e

Dembinsky urrou de for quando o quebrei.

- E vai me contar tudo o que sabe

enquanto quebro cada um dos seus dedos,

considerando se vou ou não arrancar cada um deles.

Dembinsky era um homem velho e assim

como as crianças, eram menos resistentes à tortura.

Protegemos os mais fracos, desde que nunca

infrinjam a lei, ou traiam seu Pakhan como ele

havia feito.

Nove dedos quebrados depois e muito

sangue jorrando do nariz e boca estourada,

Dembinsky implorava por misericórdia. Ele só

deixou mais claro, contando em detalhes, os planos

de Boris que já conhecíamos, as conversas que

rolavam em todos os encontros e deu nomes e

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confirmou todos os Kapitany que se uniram a Boris

contra mim. Era um número significativo, mas não

me inspirava preocupação. Oito Kapitany de

segunda elite, Dembinsky e Kamanev.

- Eu não sei onde ele está - balbuciou

ele cuspindo sangue - Kamanev nunca

compartilhou com a gente essa parte do plano. A

ideia era aproveitar que todos teriam acesso no seu

casamento e destruí-lo.

Eu sabia quando um verme como ele

estava mentindo ou dizendo a verdade. E assim

como o empregado de Boris, Kapitan Dembinsky

havia confessado tudo o que sabia e eu não perderia

mais tempo com ele. Neste caso, tempo era tudo.

Kamanev não queria apenas a minha morte para

ocupar meu lugar. Ele tinha obsessão doentia por

Kyara. Só de pensar que o maldito poderia estar

tocando-a contra sua vontade me deixava maluco.

- Leve-o daqui, Vladic - ordenei ao me

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afastar de Dembinsky, me controlando para não pôr

fim à sua vida de merda com minhas próprias mãos

- Deixe-o nu e leve-o para os corvos famintos se

alimentarem.

Dembinsky merecia uma morte mais cruel,

ser devorado lentamente pela bicadas da criação de

corvos que mantínhamos em uma das instalações

ao redor da arena para onde os Kapitany estavam

sendo levados, um a um.

- Não! - ele gritava ao ser arrastado

pela porta, mas com as mãos nas costas mantive

meu olhar fixo na janela - Eu sei de outra coisa

muito importante. Por favor, eu juro lealdade.

- Tarde demais, Dembinsky - sussurrei

quando a porta foi fechada atrás de mim - Para

você e todos os que ajudaram Boris até aqui.

Antes de tudo isso acontecer, eu tinha

ideia de fazer uma briga justa. Meus melhores

soldados contra os Kapitany que fizeram aliança

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com Kamanev. Se Kapitan ganhasse pouparia sua

vida e os manteria como escravos. Se meu Boyevik

ganhasse, herdaria o título de Kapitan.

As ações de Boris e o sequestro de Kyara

mudaram tudo isso. Não haveria piedade de

ninguém. Um Kapitan lutaria contra o outro por sua

vida nas jaulas até que só restasse um. Seria um

banho de sangue cruel, no qual meus olhos iriam se

deliciar. Depois disso, duvidava que qualquer

pessoa na Bratva ousaria ameaçar o Pakhan outra

vez.

Estava prestes a voltar para a sala onde

Ivan estava quando meu celular tocou em minha

mesa.

- Milanovic?

Fechei os meus dedos até que os nós

começassem a ficar brancos e minha pele, esticar.

- Kamanev?

Eu sabia que era ele. O risinho provocativo

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não deixava dúvidas disso.

- Peguei você - foi tudo o que ele disse

ao desligar.

Apertei o telefone com a mesma força e

gana que tinha feito no pescoço de Dembinsky.

Eu vou acabar com o desgraçado do

Boris, nem que seja a última coisa que faça em

minha vida!

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