A Irmandade acima de tudo -
img img A Irmandade acima de tudo - img Capítulo 3 A Irmandade acima de tudo -
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Capítulo 6 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 7 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 8 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 9 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 10 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 11 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 12 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 13 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 14 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 15 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 16 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 17 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 18 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 19 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 20 A Irmandade acima de tudo - img
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Capítulo 3 A Irmandade acima de tudo -

Kyara Smirnov

Amar alguém é sentir a presença dela,

mesmo quando não se está olhando. Eu conhecia o

cheiro de Dmitri, o toque dele, o magnetismo que

ele emitia, por isso, a pessoa que se encontrava ao

meu lado na cama, deslizando a mão por minha

coxa, não era Dmitri.

Abri meus olhos assustada e rastejei pela

cama ficando o máximo que eu podia das mãos

asquerosas que me acariciavam.

- O que você faz aqui?

O quarto estava na penumbra, mas eu via

perfeitamente a figura de Boris. Odiar alguém

como eu o odiava, também nos fazia reconhecer a

pessoa em qualquer circunstância, o medo nos

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alertava.

- Vim ver como você está - ele se

ergueu e foi até o interruptor de luz, fazendo o

quarto clarear.

Eu não sabia se ficava aliviada por ele ter

se afastado ou se me sentia amedrontada por ter

agora seus olhos lascivos em cima de mim.

- Há quanto tempo está aqui?

Que ele me tocava, não deveria ser muito

tempo, acordei rapidamente ao sentir um toque

estranho. Mas há quanto tempo Boris estava no

quarto?

Lembrei dos primeiros dias na casa de

Dmitri quando ele também me manteve presa. Em

uma das noites, senti a presença dele, que admitiu

ter visitado meu quarto, em uma de nossas

conversas na casa da Suíça, mas ele nunca ousou

me tocar quando estive dormindo.

- Com medo de mim, Kya? - ele tornou

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a se aproximar, a cada passo que dava, eu me

encolhia na cama um pouco mais - Eu nunca te

faria mal, a menos que merecesse.

A revolta despertando dentro de mim

confirmava que neste caso ele me machucaria

muito. Minha maior vontade era avançar contra a

garganta de Boris.

- Seja uma boa menina sempre - ele

continuou a dizer, eu dei uma olhada no quarto à

procura de algo como defesa.

A única coisa por perto era o abajur em

uma mesa próximo à cama. Contudo, Boris

acompanhou meu olhar e fechou a cara em claro

sinal de raiva.

- Não sei que tipo de lavagem cerebral o

Milanovic fez com você - disse ele estreitando os

olhos -, mas eu vou reverter. Voltará a ser a

mesma Kyara por quem me apaixonei.

Eu não acreditava em um amor como o

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dele, e mesmo que acreditasse, a Kyara que ele diz

estar apaixonado não existia mais. Aquela era

medrosa e obediente por medo de represálias. Sou

mais forte hoje e meu amor por Dmitri, estar ao

lado dele, me ajudava a crescer. O problema é que

Boris era um surtado. Ele queria ser meu Joker mas

eu não tinha pretensão alguma de ser a Harley

Quinn.

- Ainda sou a mesma, Boris - disse em

uma voz mansa - Sua irmãzinha.

Para lidar com um louco às vezes era

preciso agir como tal. Contudo, minhas palavras

finais foram como gatilho na ira de Boris que veio

até mim como um búfalo desnorteado e agarrou o

meu queixo com força.

- Você nunca foi minha irmã, nunca -

seu aperto agressivo criou lágrimas em meus olhos

- Será a minha mulher e mãe dos meus filhos. E

eles serão incríveis, meu amor. Guerreiros fortes e

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inteligentes. Uma mistura perfeita de nós dois.

Pensei no bebê em meu ventre e levei o

braço em volta dele como se assim pudesse o

manter protegido de Boris. Graças aos céus ele não

notou o meu gesto e se notou, não soube ler.

Pensar em qualquer contato íntimo com

Boris que rendesse frutos me fazia ficar enjoada a

ponto de querer vomitar.

- Seremos invencíveis - continuou

Boris - Não essa merda patética que são

Milanovic e Vladic Guriev. Falando em Dmitri,

acabei de falar com ele.

Sua revelação me deixou estática.

- O que disse a ele?

- Que estava comigo. Que veio por livre

espontânea vontade e que não pretende voltar.

Pior que ser sequestrada por Boris, eram as

mentiras que ele poderia inventar. Mas Dmitri

jamais acreditaria nele. Ele sabia que eu o amava.

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Tinha que saber. Mas também, o que poderia

pensar um homem que a noiva desaparece um dia

antes do casamento?

- É mentira! - levantei avançando sobre

Boris - É tudo mentira.

Ele agarrou meu pulso, apertando-o forte

até me fazer contorcer.

- Sim, é tudo mentira, não disse nada a

ele, apenas queria ouvir o desespero dele por você.

E queria ver como você iria reagir a isso - disse

ele em um tom de desprezo - Pelo visto, terei um

longo trabalho. Mas posso ser paciente, Kyara.

Esperei por você todos esses anos. Depois, todos

esses meses longe e, agora, posso esperar mais

algumas semanas. Sei como te amansar e logo

estará pedindo que eu a foda, e terá esquecido

completamente Dmitri Milanovic. Até porque não

terá outra coisa para fazer, ele estará morto.

No fundo, eu sabia que não seria assim,

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com raiva e de forma agressiva, que eu conseguiria

lidar com Boris. Dmitri dizia que nas situações

mais tensas precisava-se ter calma e paciência, mas

era muito difícil conseguir suportar calada a tortura

psicológica que Boris fazia.

- A guerra vai começar, Kya. É melhor

escolher logo de que lado prefere ficar - disse

Boris - Ou fará companhia na mesma vala suja

que Dmitri.

Eu preferia um milhões de vezes morrer e

ser jogada em uma vala imunda ao lado de Dmitri

do que pensar em passar um dia que fosse ao lado

de Boris como sua mulher.

- Pense muito sobre isso - reafirmou ele

abrindo a porta - Tempo é o que não lhe falta.

Pelo contrário, pensei ao vê-lo sair, meu

tempo corria rapidamente como areia pelos vãos

entre meus dedos. Eu precisava continuar a me

fortalecer física e psicologicamente para escapar

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daqui, ou, pelo menos, achar uma forma para que

Dimitri me encontrasse e salvasse a mim e o nosso

bebê.

Não sabia quantas horas tinham se passado

desde que Boris saiu do meu quarto e os breves

cochilos que me permiti ter encolhida na cama, mas

o dia já havia clareado quando abri meus olhos

outra vez.

Era o dia do meu casamento com Dmitri.

Evento para o qual passei semanas me preparando e

ansiando. Um sonho que hoje não iria se realizar.

Abracei meu corpo chorando baixinho. Foram dias

preocupada pelo vestido não estar na medida certa.

Agora, me casaria até com essas roupas que usava

se tivesse o homem que eu amava ao meu lado.

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Ainda estava entregue a essa dor física que

a ausência de Dmitri causava em mim quando a

porta foi aberta. Agradeci silenciosamente e

aliviada por não ser Boris, não tinha forças para

lidar com ele.

Feliks trazia uma bandeja com o café da

manhã. Sem olhar para mim ou dizer qualquer

coisa, colocou a comida sobre o criado-mudo e

saiu.

Comi pelo menos um pouco. Embora

soubesse que deveria me alimentar mais, eu não

conseguia.

Mexia distraidamente algo em meu prato

quando, para minha surpresa, Sonya entrou no

lugar do Boyevik.

Fiquei sem reação por alguns segundos

enquanto ela avançava pelo quarto. Diversos

sentimentos passaram por mim.

Raiva. Mágoa. Tristeza. Dor por ter sido

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enganada e traída.

- Sonya.

Ela corria a mão pelo guarda-roupa e

continuou a fazer isso ignorando meu chamado.

- Sonya! - finalmente consegui reagir

indo até ela - Por que você fez isso?

Inconscientemente eu já tinha essa

resposta. Ela nunca foi para mim, por esses anos

todos, a irmã que eu fui para ela. Fui seu bibelô, a

garota que ela se divertia e culpava pelas

traquinagens que aprontava; a garota que mentia e

cubria seus rastros quando era adolescente e a

mulher que colocou os sonhos de ir embora de lado

para ajudar a evitar que Boris a tornasse uma

mulher infeliz se descobrisse a vida leviana que

levava.

- Eu sempre amei você, Sonya - disse a

ela. Dizer essas palavras me feriam por dentro -,

mas você nunca me amou, não é mesmo? Fui

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apenas alguém que você manipulou e usou quando

bem quis.

Só depois de ser amada profundamente por

Dmitri, ter o carinho de Vladic, o respeito e afeto

de Irina e todas as outras pessoas novas em minha

vida, e perder tudo isso, que dei-me conta que os

Kamanev, excluindo os que já morreram, nunca

sentiram nada sincero por mim.

Ela parou de passar a mão sobre a madeira

do guarda-roupa e olhou para mim. Eu não

conseguia ver qualquer expressão em seu rosto.

Braveza, mágoa, arrependimento então, nem sinal.

Seu rosto era uma máscara fria e sem expressão.

- Não vai me dizer nada, Sonya?

Ela começou a caminhar e acreditei que

viria até mim quando seguiu até a porta. E tão

surpresa como me deixou ao entrar, ela saiu. Fiquei

parada no lugar com os punhos cerrados, as unhas

machucando as palmas das minhas mãos.

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Não conseguia acreditar nesses breves

minutos. Frustração e raiva começaram a fazer meu

sangue ferver. Eu tinha desperdiçado meu tempo

desejando respostas quando deveria ter feito Sonya

entender que ela precisava me libertar. Que todo

esse plano de Boris era absurdo e que ajudando-o,

sua vida estava em perigo. Não porque como das

outras vezes estivesse preocupada com ela, mas

porque Sonya podia representar minha única

possibilidade de fuga.

Mexi a maçaneta só para constatar que

estava fechada. Bati o punho contra a porta

chamando Sonya na esperança que estivesse no

corredor ou talvez em algum quarto ao lado do

meu. Gritei até minha garganta arder e minha voz

começar a ficar rouca. Alguns minutos após eu ter

desistido e retornado à cama, Feliks entrou, pegou a

bandeja com os restos do café da manhã e saiu.

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Uma coisa era não sair de casa sem Dmitri

e os Boyevik para manter garantida minha

segurança, outra, era me ver trancada em um quarto

mais uma vez. Dessa vez com a certeza de que o

homem que mantinha as chaves iria me fazer mal,

não apenas fisicamente.

Eu tinha que tentar fugir, mas não

conseguia pensar em nada, então, caminhei até a

janela mais uma vez. Grudei minhas mãos e rosto

contra as grades de ferro. Boyevik armados e

cachorros ferozes faziam o patrulhamento lá em

baixo. Havia muitos homens nos muros, espalhados

pelo campo aberto e de onde eu conseguia ver no

enorme portão. Mesmo que eu conseguisse fugir do

quarto, escapar daqui não seria fácil. Havia muita

gente e cães para me perseguir.

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Meu maior medo era levar um tiro, não por

mim, mas colocasse em risco a vida meu filho.

Voltei para a cama e sentei abraçando meus

joelhos. Para fugir, eu precisava conhecer a casa.

Então, meu plano era praticamente igual ao que tive

quando cheguei à casa de Dmitri, conhecer o

terreno e decidir o melhor momento para a fuga.

Só que diferente de Boris, a intenção de

Dmitri nunca foi me manter trancada no quarto, ele

só usou isso nos primeiros dias para me forçar a dar

informações que acreditava que eu soubesse.

Boris queria me dobrar como um bambu

envergando com o vento. Se eu quisesse que me

tirasse do quarto para conhecer a casa e saber onde

estava, precisava jogar como ele e Sonya, de forma

fria e dissimulada.

Se era a Kyara cordial de antes que Boris

queria de volta, seria a camuflagem dela que eu

usaria para escapar. E comecei a agir quando Feliks

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veio ao quarto trazer o almoço. Pedi educadamente

e com um sorriso doce que ele dissesse a Boris que

queria uma audiência com ele.

- Soube que exigiu me ver - disse ele ao

entrar, parando ao lado da porta aberta, mas que

tinha Feliks à sua guarda.

Boris até era um rapaz bonito, mas

monstruoso por dentro, o que o tornava desprezível

no final.

- Eu solicitei - o sorriso que tentei

emitir soava tão falso que meus lábios tremeram,

me fazendo baixar a cabeça para o prato - Almoça

comigo?

Não obtive nenhuma resposta por um

tempo considerável, até que ergui novamente o

olhar. Boris me encarava com incredulidade,

depois, com suspeita. Eu precisava ser mais

convincente. Ele era louco, mas não burro.

- Não envenenei a comida, Boris - disse

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soltando um risinho e levei uma colherada a boca

- A menos que tenham descoberto que as tintas

nas paredes possam ser usadas como veneno, você

não tem que se preocupar.

Seriam tóxicas ao ponto de causar mesmo

que um desconforto temporário? Irina certamente

saberia se algo como isso era possível.

- É uma pena, mas já fiz minha refeição

- apesar disso, ocupou a segunda cadeira na mesa

de dois lugares - Talvez possamos jantar juntos.

Assenti, mas por dentro tremia com a

possibilidade. Um jantar daria ideias românticas a

Boris e isso era tudo o que eu queria evitar.

- Estava pensando, como você disse, eu

tinha muito para pensar - em diversas formas

muitos cruéis de como Dmitri iria acabar com ele

quando o encontrasse foi uma delas - Você

planejou isso há muito tempo, não é?

Precisava mantê-lo falando para que seu

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foco nunca ficasse em mim, ou melhor, no meu

corpo, como seus olhos estavam.

- Pegar você de volta ou destruir o

Pakhan?

- Vamos começar pelo Pakhan - disse

voltando a comer.

Boris sempre gostou de falar de si mesmo

e das coisas horríveis que fazia como se fossem

dignas de admiração. Massagear o seu ego era a

melhor forma de aproximação. Ela adorava

bajuladores.

- Desde que procurei Milanovic, o filho,

a primeira vez e ele me tratou como se fosse nada.

Eu quase sorri. Esse era o Dmitri que eu

conhecia e amava. Desejei tê-lo conhecido muito

antes. Sem dúvida alguma teria me apaixonado da

mesma forma.

- Eu disse sobre as mudanças que

precisavam acontecer na Bratva, mas ele não me

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ouviu - o ódio em sua voz era tão claro como a

água que eu bebia - Os Milanovic são fracos. O

velho era um decadente que só precisou de um

empurrãozinho para ir dessa para uma pior.

Cuspi a água sobre o prato e procurei

rapidamente o guardanapo enquanto tentava

controlar uma crise de tosse.

- O que... o que você quer dizer?

- Implantei uma espiã na casa dos

Milanovic e entreguei o veneno que causou o

ataque cardíaco dele.

Olhei para ele sem conseguir acreditar.

Boris era ainda mais maquiavélico do que eu

pensei.

- Acha que um plano como o meu foi

pensado da noite para o dia? Acha mesmo que sou

só um cara com raiva ou ciúme de Dmitri? -

indagou se exaltando - Não, minha querida.

Dembinsky, Plotnikov, Matvee, Kovalyov e

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Vakhstein, viemos pensando sobre isso há algum

tempo.

Prendi com força o talher em minha mão,

tentando focar a maior parte da minha atenção

nisso. Boris matou o pai de Dmitri, homem que ele

amava e admirava. Já era a terceira pessoa que eu

sabia que Boris havia executado. Roman, por na

adolescência ter se apaixonado por mim. Fjodor

Kamanev e, agora, Mikhail Milanovic. Quantas

pessoas mais que não mereceram morrer, estavam

na lista de Boris que só parecia crescer?

- Otets Fjodor...

- Meu pai? - ele indagou mostrando seu

desprezo - Não sabia de nada ou teria corrido ao

Milanovic dizendo que seu filho havia ficado

louco.

E ele não estaria errado.

- Nós primeiro tivemos que manter

Dmitri e Vladic bem ocupados para não conseguir

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prestar atenção no que acontecia debaixo de seu

nariz - ele riu se achando um grande gênio -

Quem poderia imaginar que envenenariam o

Pakhan dentro de sua própria casa? Um dos seus.

Se antes eu desprezava Boris, agora, eu o

odiava com todas as forças. Só vi Mikhail

Milanovic uma vez, de longe, na época seu olhar

frio me assustou, mas depois de conhecê-lo através

de seu filho, que usava no trabalho a mesma

armadura, compreendia os dois. Era um escudo

necessário para intimidar e manter o controle.

Ainda assim, malucos como Boris tendiam a surgir

das trevas.

- Meu pai era um fraco que não merecia

estar em meus planos - continuou Boris - E

enquanto avançamos, precisávamos de mais

dinheiro e mais recursos. Eu tive que eliminar o

velho e tomar o controle da família. Mas essa é

uma história muito longa, Kya. Infelizmente, não

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tenho como ficar e passar a tarde contando tudo a

você.

E eu sentia que já tinha escutado o

suficiente. Boris era terrivelmente diabólico.

- É sobre isso que queria falar -

apressei-me em dizer antes que ele saísse - Não

suporto mais ficar trancada no quarto. Posso andar

pela casa e conhecer o jardim?

Ele me estudou por um tempo e abri um

enorme sorriso para ele, fingindo ver Vladic ou

alguém que eu sentia carinho à minha frente.

Precisava ser convincente por mais que isso me

enojasse.

- Hoje não. Mas amanhã eu mesmo a

levo para dar uma volta - disse ele em um tom

brando como se eu fosse uma doente precisando de

cuidados - Descanse, você ainda está muito

abalada.

Sustentei o sorriso até que Boris,

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acompanhado de Feliks, saíssem do quarto. Depois,

joguei o guardanapo em direção à porta, o tecido

não chegou à metade do caminho.

Um dia, Boris Kamanev, esse assassino

odioso, iria pagar por tudo que estava fazendo.

Eu tinha fé nisso porque eu tinha fé em

Dmitri.

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