A Irmandade acima de tudo -
img img A Irmandade acima de tudo - img Capítulo 5 A Irmandade acima de tudo
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Capítulo 6 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 7 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 8 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 9 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 10 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 11 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 12 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 13 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 14 A Irmandade acima de tudo img
Capítulo 15 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 16 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 17 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 18 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 19 A Irmandade acima de tudo - img
Capítulo 20 A Irmandade acima de tudo - img
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Capítulo 5 A Irmandade acima de tudo

Dmitri Milanovic

Toda metade esquerda do meu corpo

pendia para fora da cama e a outra metade me

mantinha nela. Foi assim que despertei,

desengonçado e com a garrafa de vodka vazia em

minha mão. Era preciso mais do que isso para me

garantir uma boa ressaca, mesmo assim, meu

estado era deplorável.

Esfreguei o rosto amassado pelo

travesseiro de Kyara, que eu havia procurado à

noite, ainda continha o perfume dela. Afastei o

travesseiro assim como tentei com todas as forças

afastar a dor que isso me causava. Até ter Kyara de

volta, seria apenas o Pakhan. Era preciso que fosse

dessa forma.

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Antes de sair da cama, peguei o papel com

os votos de Kyara que havia deixado cair no chão e

depositei no mesmo lugar que ela havia deixado.

Levantei e segui para o banheiro onde joguei a

garrafa vazia no cesto de lixo. A água caindo sobre

minha cabeça podia relaxar os músculos tensos em

meu corpo, mas a minha mente seguia frenética.

Saí do box e encarei o espelho enquanto

me secava. Precisava dar um jeito no corte do

supercílio que sempre voltava a sangrar quando

tocado. Havia uma caixa de primeiros socorros no

gabinete. Eu mesmo daria um jeito nessa merda.

Depois dos pontos, segui para o closet e

retirei uma das dúzias de ternos que havia dentro

dele. Calcei os sapatos e olhei para o anel do

Pakhan em meu dedo. Eu tinha mandado que

ajustassem uma réplica, com detalhes mais suaves e

femininos para Kyara, o mesmo anel que meu pai

havia dado à minha mãe, e meu avô, para sua

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esposa.

Colocaria no dedo de Kyara logo após a

aliança na cerimônia de casamento. Ainda estava

guardado no mesmo lugar no bolso do terno que

constava meus votos a ela. Isso não era o nosso

fim, só era um adiamento não planejado.

Desci e fui à sala montada para a

investigação à procura de Ivan. Deveria estar

possesso por Vladic ter permitido que eu apagasse

por tanto tempo, mas ele tinha razão, meu corpo e

mente precisaram dessa pausa para enfrentar as

horas difíceis que teríamos pela frente.

Eu sabia que não havia nenhuma notícia

importante ou avanço no caso, Vladic teria me

acordado imediatamente se tivesse. Mas eu queria

saber em que pé as coisas andavam.

Encontrei Ivan com Vladic e, ao lado

deles, dois dos seus homens. Havia pelo menos uns

dez dentro da sala, avaliando equipamentos,

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concentrados em escutas e analisando mapas.

- Papa - Ivan foi o primeiro a me ver e

cumprimentar.

- Dmitri - Vladic veio até mim e me

deu uma boa estudada com os olhos.

Bati suavemente em seu braço.

- Está tudo bem, Vladic.

E podia dizer que realmente estava. Eu

precisava manter a cabeça calma e agir com frieza,

isso que traria Kyara e meu filho seguros de volta

para casa. E eu faria tudo para tê-los comigo de

novo, até sufocar meus sentimentos.

- O que você tem de importante, Ivan?

Conseguiu algo com o meu celular.

Até onde eu sabia, queriam investigar de

que lugar originou a ligação de Boris.

- Veio de Moscou e encontramos o

telefone em uma lixeira - disse Vladic - Mas

isso não ajuda muito. Ele pode ter ido de

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helicóptero e voltado para seja lá qual buraco

mantém-se escondido.

Olhei para Ivan e tive certeza que ele

pensava o mesmo.

- Se Boris queria fazer acreditar que

estava em Moscou... - dei voz aos meus

pensamentos.

- É porque ele realmente não está -

disse Vladic.

A procura por Kyara era como tentar

encontrar uma agulha em um palheiro.

- Mais alguma coisa? - perguntei a

Ivan.

- A Srtª Novitsky tem ligado

constantemente.

- Ela era uma das damas de honra. O que

disseram para os envolvidos no casamento e

convidados?

- Apenas que foi adiado e que o Pakhan

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não receberia visitas ou faria audiência até o

próximo comunicado - Disse Vladic.

- Mas Irina é insistente - disse Ivan e

olhou em volta da sala - Nós temos equipamentos

de alta tecnologia aqui, acha que Irina pode ser útil

em alguma outra coisa? Ela é boa com essa coisa

de tecnologia, pode ter alguma coisa nova. Devo

chamá-la?

- Acho melhor não a envolvermos nisso

- disse Vladic.

Acreditava nunca ter chamado a atenção

dele em qualquer circunstância. Vladic era

sarcástico e tinha um humor ácido, mas sempre

agia de acordo com cada ocasião e seu trabalho era

executado de forma exemplar. Mas sua birra, ou

seja lá como devesse denominar a sua relação com

Irina, não era bem-vinda agora.

- Não me interessa suas desavenças com

Irina - disse em tom extremamente seco - Eu

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quero Kyara de volta!

- Não é por isso - protestou ele - Irina

já se envolveu muito no caso Tambovskaya, não é

justo trazê-la para isso também. Com todo respeito,

Pakhan, ela é só uma cientista.

A questão com Irina era outra, eu podia

ver. Puxei Vladic para um canto, mantendo a

conversa entre a gente.

- Ela é importante para você - disse a

ele, estudando seu olhar consternado.

- Não, eu só acho que...

- Corta essa, Vladic, não tenho saco para

essas suas desculpas - cortei-o antes que viesse

com uma justificativa que nem ele mesmo

acreditava - Vou dar mais algum tempo a Ivan.

Eu conseguia entender Vladic querer

proteger Irina de qualquer respingo que essa guerra

pudesse causar, faria o mesmo por Kyara se

estivéssemos em papéis diferentes, mas minha

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família vinha em primeiro lugar. E por considerá-lo

como parte dela, daria esse tempo a Ivan para que

conseguisse mover céus e terra para encontrar

minha mulher e meu filho.

- Mas se ele repetir que Irina pode ser

uma peça importante - disse a ele -, vou mandar

buscá-la. Por agora vou pedir que ele veja se

alguém ligado ao laboratório de Irina pode ser tão

útil quanto ela.

Vladic assentiu e retornamos para o lado

de Ivan. Logo depois minha atenção estava

completamente focada em cada informação nova

que recebia. Uma delas veio de Nikolai algumas

horas mais tarde.

- A arena está pronta - disse ele -

Todos os traidores já se encontram lá e os Kapitany

de Primeira e Segunda Elites que não o traíram

estão sendo enviados para assistir o torneio e

realizar um novo juramento ao Pakhan.

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Não era apenas mais um ritual para

reafirmar minha supremacia. Os Kapitany

possuíam seu próprio exército de Boyevik e eu

precisava de cada soldado que pudesse se aliar aos

meus e partirmos juntos para enfrentar Boris

quando finalmente o encontrasse.

- Ivan, você fica aqui cuidando das

investigações - disse a ele - Mantenha uma linha

direta comigo. Quando tiver que ir para a arena,

quero que todas as informações sejam direcionadas

para lá. Quando der o sinal, partiremos com os

Boyevik.

Boris seria esmagado antes de conseguir

entender o que acontecia à sua volta.

Acertei os últimos detalhes com Nikolai e

só percebi que Vladic tinha saído quando precisei

dizer algo a ele. Concluí que saiu para resolver algo

importante e tornei a me concentrar em Ivan. Isso

era o que me mantinha longe de enlouquecer.

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Vladic Guriev

Fazia dois dias que Kyara tinha sido

sequestrada e iríamos para o terceiro. Embora

Dmitri estivesse agindo com racionalidade, sabia

que por dentro ele estava acabado. Eu conhecia

esse garoto desde que era um bolinho enrolado no

cobertor.

Ainda me lembro de quando criança, me

pendurar em seu berço para poder olhá-lo de perto.

Eu cresci e fui criado não apenas para ser seu

homem de confiança. Fui treinado para dar a minha

vida por ele, e daria.

Estava fazendo o possível para ser a razão

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quando ele era a emoção. Segurando as pontas,

mantendo tudo e todos em ordem, obrigando

Dmitri a manter a calma, mas estava foda. Eu

também gostava de Kyara, gostei dela desde a

primeira vez que a vi e notei que com ela, mesmo

negando, Dmitri era diferente.

As pessoas queriam a glória de ser o

Pakhan, mas não tinham ideia do peso e

responsabilidade que isso trazia. Fiquei feliz que

ele tivesse encontrado alguém que pudesse ficar ao

seu lado e suavizar uma parte de sua vida.

Estava tudo errado. Hoje seria o casamento

deles. Era para estar iniciando mais duas semanas

de lua de mel onde teria que aguentar ouvir pelos

cantos os dois foderem na casa da Suíça.

Deveríamos estar comemorando a chegada do novo

Milanovic e futuro Pakhan.

Em vez disso, tinha aguentado Dmitri

tentando se manter em pé. Eu, muito próximo de

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explodir a bomba relógio dentro de mim enquanto

observava as horas avançarem e Kyara estava sabe-

se lá Deus onde, presa a um maluco.

Enquanto Nikolai falava, eu me

concentrava em manter esses pensamentos

turbulentos no lugar quando meu telefone tocou.

Era Irina. Eu tinha ignorado dezenas de

ligações dela. Primeiro, porque Dmitri estava

desnorteado demais para que eu prestasse atenção

em qualquer outra pessoa que não fosse ele. Já

enfrentamos situações difíceis, como a morte de

Mikhail Milanovic e antes dele, sua esposa. Nós

dois fizemos missões em campo e já colocamos

nossas vidas em risco, mas era diferente. Dmitri

estava apaixonado e ele deixava a porra do coração

falar por ele.

É por isso que não queria Irina metida

nessa merda. Eu não conseguiria me concentrar

sabendo que sua vida poderia estar em risco. O

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lance com a Tambovskaya ainda me deixava muito

puto. Não que eu estivesse perdidamente

apaixonado como Dmitri. Mas a gente tinha uma

ligação de amor e ódio. Mais ódio do que amor e

grande parte, devo admitir, por minha culpa. A

garota me tirava do sério não só pela inteligência,

mas também por não ter se mostrado nem um

pouco mexida por qualquer tentativa de sedução

que eu tivesse jogado sobre ela, então, passei

apenas a provocá-la, raiva era melhor que nenhum

sentimento. E já que estava sendo sincero comigo

mesmo, irritar Irina sempre me deixava de pau

duro.

Ela era uma chata, intelectual arrogante e

nem se vestia do jeito sexy que eu apreciava, acho

que era por isso que mantinha meu interesse nela.

Por baixo de toda frieza e roupa sem graça, deveria

existir uma tigresa selvagem querendo ser domada.

Por experiência sabia que as recatadas ou ignoradas

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por outros homens eram as mais quentes na cama.

O telefone voltou a tocar. Aproveitei que

Dmitri estava ocupado com Ivan e Nikolai e saí.

- O que você quer, Novitsky?

- Vladic? Até que enfim consegui falar

com você - disse ela - Quero saber o que está

acontecendo. O casamento foi cancelado, mas não

dizem nada. Ouço murmúrios aqui e ali. Como está

Kyara? Quero falar com ela.

Tentamos manter o máximo de informação

possível em relação ao sequestro de Kyara em

segredo. Não desejávamos que nenhuma

informação tática do que faríamos chegasse a

Boris, a não ser as que queríamos no momento

certo.

- Isso não é possível - disse a ela - O

mensageiro foi claro. O Pakhan não irá receber

ninguém.

- Não quero ver o Dmitri - ataca ela -

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Quero falar com Kyara!

O atrevimento de Irina me divertia mais do

que irritava. Esse não era o dia. Estava há horas

sem dormir e lidando com uma situação muito

tensa.

- Já disse que não é possível.

- É verdade, não é? - disse ela com

choro na voz - Alguma coisa aconteceu a Kyara.

Foi Kamanev ou a Tambovskaya?

- O Kamanev e é tudo o que eu posso te

contar. Falo com você quando puder.

Encerrei a ligação aos berros dela no

mesmo momento que vi Nikolai se aproximar.

- Ele está reagindo bem - disse ele,

acendendo um cigarro.

- Você acha? - declinei do cigarro que

oferecia e cruzei os braços.

Uma das coisas que Nathasha Milanovic

nos proibia era fumar e beber feito um gambá perto

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