Gênero Ranking
Baixar App HOT
O CEO que me comprou
img img O CEO que me comprou img Capítulo 2 Duas pessoas
2 Capítulo
Capítulo 6 Namorando img
Capítulo 7 A sogra img
Capítulo 8 A dívida img
Capítulo 9 Uma solução indesejada img
Capítulo 10 Vamos terminar img
Capítulo 11 Antes do leilão img
Capítulo 12 O leilão img
Capítulo 13 O prêmio img
Capítulo 14 Aquela noite img
Capítulo 15 Oferta de casamento img
Capítulo 16 Os agiotas img
Capítulo 17 O casamento img
Capítulo 18 O homem atrás do rosto img
Capítulo 19 A verdade img
Capítulo 20 Parque de diversões img
Capítulo 21 Uma máscara no chão img
Capítulo 22 A volta do pai img
Capítulo 23 Nem tudo é o que parece img
Capítulo 24 Não posso mais ficar sem você img
Capítulo 25 Por trás do CEO img
Capítulo 26 Epílogo - Felizes para sempre no parque img
img
  /  1
img

Capítulo 2 Duas pessoas

Natanael Johnson

Essa reunião está demorando mais do que previ. Logo hoje que meu amigo Caio vai se apresentar no bar. Que merda de acionistas!

Já não consigo mais esconder minha expressão de tédio. Eles estão falando sobre o mesmo assunto há uma eternidade. Qual o problema dessas pessoas? Medo de arriscar? A equipe de criação criou um aparelho que facilita a vida das donas de casa e está em pauta sobre a produção em massa. Alguns acionistas acharam o artigo inferior aos produzidos anteriormente porque sempre focamos em aparelhos caros e revolucionários para grandes empresas. Quero mudar isso. Não cheguei onde estou depois de tantos perrengues para ajudar quem nasceu rico. E se esses bostas não entenderem vão todos liberar espaço para quem tem mais senso.

Impaciente levantei a mão pedindo que se calassem. Eles podem ter ações, mas sou eu quem manda na porra dessa empresa.

- O produto passou por testes, agradou nas pesquisas, já tem vários investidores interessados... Não vejo mais motivos para discutir. - Me levantei. - Se tem alguém com um motivo real para estendermos essa reunião, por favor, diga. Ou vamos simplesmente seguir com o lançamento como programado.

Depois de um rápido olhar de desaprovação, todos aceitaram encerrar por ali a reunião.

- Vejo vocês em uma próxima. Boa noite, damas e cavalheiros.

Sai da sala rapidamente. E sei que deixei muitos fofocando sobre mim. Não ligo.

É isso, eu sou dono, CEO, acionista majoritário... O todo poderoso fodão da GQ Tecnologic. Fundei a empresa quando ainda estava na faculdade. Por que tenho sócios? Simples, não gosto de passar tanto tempo em empresa. Geralmente só apareço nas reuniões mais importantes. Já tive problemas por isso no passado, mas nada que ver um colega passar alguns anos na cadeia para manter os outros na linha. Não tenho pena de pessoas desonestas. Principalmente aquelas que não precisam disso, levadas apenas pela ambição.

- Vai ficar pensando nisso enquanto dirige para curtir o sábado? - resmunguei abrindo a porta do meu conversível azul.

Tinha a mania tola de ficar lembrando dos momentos em que a GQ era apenas um espaço bagunçado no dormitório da faculdade e todo o malabarismo para mudar de cara para conseguir abrir a empresa. Naquela época ser jovem parecia ser um defeito. As pessoas queriam comprar minhas invenção, não investir em mim. Devo muito a Caio e a Ricardo, meus melhores amigos. Ricardo deu a ideia e a imagem de um de seus tios que vivem isolados em uma fazenda do interior de Minas Gerais e Caio me transformou nele, literalmente. Assim pude conseguir investimento, abrir a empresa e não perder minhas invenções para pessoas sem escrúpulos.

Deu super certo, uso máscara até hoje, sete anos depois, mas deixei de lado aquela aparência inicial e forjei uma venda da empresa para Natanael Johnson, vulgo eu mesmo. Tudo dentro da lei, claro. As pessoas que importam sabem e estão sob contrato de que não devem abrir o bico, ninguém ainda se arriscou.

Passado. Às vezes sinto falta das loucuras. E é por isso que Natan se diverte enquanto Natanael fica com as responsabilidades.

Antes que eu começasse a dirigir, meu telefone tocou.

- Já estou a caminho. - Atendi falando.

- Cara, se você perder minha estreia nesse bar espalho para os quatro cantos do universo o que você guarda debaixo dessas rugas.

- Cala a boca. Você está bêbado. Eu é que espero que consiga tocar alguma coisa, senão vou puxar a vaia. Onde já se viu um artista plástico dar uma de cantor?

- Só vem logo. Está lotado de gatinhas que você pode levar ao abatedouro.

"Está na hora de testar o som, Caio. Uma voz disse ao fundo."

Caio gritou "Já vou."

- Vou desligar e agilizar para chegar mais rápido. Vai lá resolver suas coisas.

Entrei em casa rapidamente para me livrar do disfarce. Isso mesmo. Se não entendeu ainda, uso um disfarce. Tenho meio que uma vida dupla. Como CEO é muito difícil ter a vida que eu tinha antes de GQ Tecnologic. Por isso, quando se trata da empresa, sou um homem velho e rabugento. Além das máscaras realistas, Caio me ajudou também com perucas grisalhas. Não fico tão feio assim. Acho que nem teria como, mas fico diferente. Então posso ser a pessoa que vive dentro de mim sem problema. Posso sair por ai com meus amigos, beber, trepar com várias gatas. Posso ter uma liberdade que meu outro eu não alcança, nem em seus melhores dias.

Coloquei uma calça preta, blusa cinza e uma jaqueta marrom por causa do clima frio.

Quando sai de casa era outra pessoa. Em um carro popular segui para o bar. Todos me conheciam como um dos seguranças da mansão. Os empregados sabem, mas nenhum se atreveria a perder o emprego e a liberdade só para espalhar que o CEO da GQ não é quem diz.

Cheguei no bar quando meus amigos tocavam a primeira música.

Fui direto para o balcão onde se preparava os drinks.

- Está atrasado, Natan. - O dono do bar, e amigo de Ricardo, apareceu ao meu lado, silencioso como sempre, só percebo a sua presença quando é tarde demais.

- Vinte minutos. Desculpa. Não vai acontecer mais. - Se não fosse os malditos na reunião eu teria chegado na hora.

- Deixo passar por ser a primeira vez, mas não vai achando que ser lindo vai te livrar sempre. - Deu uma batidinha em meu ombro e se afastou em direção a uns clientes regulares.

- Pode deixar.

Assim que ele saiu, ocupei meu lugar no meu segundo "emprego"; quebra galho nesse bar. Faço drinks, sirvo de segurança, o que precisarem. O tipo de coisa que só faço por não ser obrigado.

Servi alguns drinks enquanto curtia o som. Meus amigos cantam bem. Fizeram certo em largar as profissões nas áreas em que se formaram para montar a banda.

Continuei curtindo a noite e trabalhando. Até aquele momento.

Eu a vi. Meu olhar se desviou para uma mesa onde estavam duas mulheres. E uma delas era a mais linda que já vi.

Thainara Dubois

- Onde a senhorita está indo, Thainara?

- Na casa da Jasmin. Hoje é dia das garotas. Vamos beber vinho e assistir série de homens bonitos - respondi dando uma rápida olhada em direção a minha mãe que saia da biblioteca.

Ela revirou os olhos de uma forma elegante. Só minha mãe consegue ser elegante em até revirar os olhos.

- Está na hora da senhorita deixar esses programas de menina e se concentrar em se casar com alguém do nosso nível. A maioria das suas amigas já se casaram. E a sua irmã já está caminhando para isso.

Azar o delas. Tenho outros planos.

- Mãe, acabei a faculdade não tem nem seis meses. Nem comecei a trabalhar. Ainda está bem longe do dia em que vou pensar em casamento.

Minha mãe pelo menos uma vez por quinzena me lembra que tenho que seguir o exemplo da minha irmã e me apaixonar por alguém de poder financeiro superior ao nosso, de preferência um CEO. E depois que papai viajou isso piorou, vem falando quase que diariamente. Até parece. Tamires se apaixonaria por Philip mesmo que ele fosse pobre. Eram almas-gêmeas.

- Lá vem essa história de trabalho.

- Vai ter essa história quantas vezes forem necessário. Não serei sustentada pelos meus pais ou meu marido. Quero a minha própria vida.

Tudo que eu queria era ir logo, mas por respeito escutei suas reclamações. Estava cada dia mais difícil ter paciência.

- E eu não quero discutir hoje. Vá. Aproveite sua ilusão de adolescente.

Se a senhora não quer discutir, imagina eu.

- Fique com Deus, mãe.

Ela não me respondeu. Eu já estava acostumada.

Para mamãe eu era a filha rebelde, a ovelha negra. O azar dela é que não teve mais filhos além de Tamires e eu. E como não pode pegar no pé da minha irmã, sobra para mim.

Eu até pretendia passar no quarto da minha irmã para desejar boa noite, mas correr o risco de uma longa discussão com a senhora Beatriz Dubois está fora de cogitação.

Mandei uma mensagem.

"Estou fugindo da mamãe. Durma com os anjos."

Não demorou e recebi a resposta.

"Juízo. Quando for dormir que seja com anjos também."

Suspirei enquanto saia. Sentia falta das noites na farra com a minha irmã. Tinha diminuído um pouco depois que ela se apaixonou pelo filho do senador Gutierrez. As farras passaram a ser em trio.

Suspirei novamente. Até das farras em trio eu sinto falta. Agora minha irmã, cheia de vivacidade, luta para conseguir sair de uma cadeira de rodas depois de uma queda em uma de suas aventuras em escaladas com os colegas de faculdade nas férias. Ela está nessa luta há quase quatro meses. Papai ficou arrasado. Ele nos ama por igual, mas é Tamires que quer seguir seus passos, cuidar de negócios, investir em propriedades. Ela que pretende se tornar a CEO. E apesar de poder fazer tudo isso mesmo em uma cadeira de rodas, ele está movendo céus e terra para conseguir colocá-la de pé. Contratou profissionais caríssimos, que parecem já estar trazendo resultados.

Espero que minha irmã volte a andar logo. Os especialistas disseram que se ela continuar se esforçando poderá voltar a ter sua antiga vida de volta em poucos meses. Uma das coisas que a mantem firme em se recuperar é a força que seu namorado dá. Ele está com ela quase todos os dias, vencendo as barreiras que ela mesmo impõe por medo de que seu amor se torne obrigação. Achei lindo o dia em que o ouvi brigando com ela. Uma parte não saia da minha cabeça. Ele disse: Se insiste em achar que o que sinto é obrigação, lute para voltarmos a ser como antes. Mas me deixe lutar junto. Porque quando você se recuperar ainda serei seu namorado, não o ex. E se não se recuperar, pode me mandar embora com essas desculpas bobas. Só não vou aceitar que não se esforce com tudo que tem.

Pode parecer tolice, mas achei tão romântico. Desde esse dia ela melhorou muito seu humor em relação a deficiência.

Sorri ao imaginar minha irmã curada, correndo para os braços do seu namorado como sempre faziam antes do acidente.

Enquanto pensava em minha irmã, guardei o celular na bolsa e segui para o meu carro.

Jasmin me esperava no portão da sua casa. Usava saia com renda preta com forro e cropped da mesma cor. Eu usava short jeans e blusinha cor de rosa. Nós duas com nossos cabelos castanhos soltos.

Destravei a porta e ela entrou no carro.

- Hoje vou pegar pelo menos dois - comentou.

- Olá para você também, amiga noiva. - Frisei a palavra noiva. Ela esquecia muito facilmente seu compromisso com um homem de quarenta e oito anos - literalmente o dobro da sua idade -, com o qual vai se casar por interesses financeiros.

- Olá. Sou noiva, mas não sou casada. Vai achando que vou ser fiel aquele velhote.

- Amiga, nos formamos juntas. Você com as maiores notas da turma. Não precisa de um homem só por dinheiro.

- Preciso sim. Me formei só por formar, você sabe. Meu destino é viver no luxo. Trabalhar, eca! - ela fez uma careta engraçada.

Só balancei a cabeça e comecei a dirigir enquanto ela colocava uma música agitada no som do carro.

Chegamos no bar e encontramos um lugar que nos deixava frente a frente com o palco. Uma banda tocava forró e vários casais dançavam. Pedimos cerveja. Quando chegaram brindamos e passamos a beber enquanto curtíamos a música.

Eu queria dançar. Por isso comecei a olhar ao redor em busca de algum candidato. Foi quando o vi. No balcão onde serviam os drinks estava o homem mais lindo e sexy que já vi.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022