- Thai, você quer ficar mais?
Pela pergunta, eu soube que Jasmin havia encontrado um parceiro de transa. Devia ser o cara em nossa mesa, porque ele não saiu mais depois que sentou. Às vezes queria ser mais como minha amiga. Porém sou medrosa. Tenho pavor de engravidar antes de me casar. E sou o tipo tola romântica que espera que a primeira vez seja linda. Eu sei que não. Sexo não tem nada de lindo. É natural, mas lindo é querer demais. Se masturbação já não é lá essas belezas, imagina "isso naquilo, aquilo nisso". Eu vejo filmes adultos. Ainda tinha o fato de que se eu estivesse noiva não teria coragem de trair, mesmo sendo um casamento como o dela. Mas não julgo.
Evitei olhar em direção ao balcão do bar enquanto respondia:
- Não. É melhor eu voltar para casa.
- Está bem para dirigir? - o rapaz perguntou.
- Estou. - Depois do banho de água fria que foi a tão esperada dança com Natan, nem tinha como continuar sob efeitos da pouca bebida que consumi.
Pedimos a conta e fomos em direção aos carros. Jasmin em direção ao veículo do seu parceiro.
Foi um susto encontrar Natan encostado no meu carro.
- Já vai, Sol? - perguntou com os braços cruzados sobre o peito musculoso.
- Sim. Está tarde - respondi tentando demonstrar indiferença.
- A noite mal começou.
- Para mim ela já terminou. - O encarei por alguns segundos. Se esse homem pensa que vai brincar comigo está muito enganado. - Você fez aquilo de propósito, não foi? Me chamou para dançar e nem conversou comigo para mexer com minha curiosidade.
- Funcionou? - sua pergunta veio acompanhada de um sorriso de canto arrebatador.
- De certa forma mexeu comigo. Mas funcionaria bem mais se tivesse me dito que estava interessado e aberto espaço para eu dizer o mesmo.
Nem sei como consegui dar de ombros enquanto falava. E juro que quase gemi ao sentir suas mãos me agarrando pela cintura.
- Eu estou bastante interessado.
Essas mãos na minha cintura. Essa pegada. Tudo mostra que esse homem quer terminar a noite com a gente nus em uma cama. É melhor eu dizer a verdade toda.
Deixei um suspiro escapar.
- Eu também estou, porém se procura por sexo é melhor que eu seja clara; não vai rolar. Não hoje.
Vi a cara de espanto, depois incrédulo, depois convencido.
- Terei que ser persistente?
- Não é isso. Eu é que sou virgem e não existe nenhuma possibilidade que a minha primeira vez seja uma transa pós bar. - O espanto na sua expressão foi maior. - Nem devia estar falando isso. Você é só um desconhecido que mexeu comigo. Mas sinto que seria injusto te dar esperança de uma noite ardente que não vai acontecer.
Depois de alguns segundos em um silêncio constrangedor que me fez desejar correr e me esconder, ele perguntou:
- E eu posso ao menos te beijar?
Obrigada, meu Deus! Era tudo que eu queria ouvir.
Senti o sorriso em meus lábios.
- Se não o fizer ficarei realmente muito decepcionada.
Ele avançou sobre os meus lábios.
Nossa! Era muitos metros de homem. Me senti perdida entre todos aqueles músculos que me abraçavam, aquelas mãos que me seguravam com força. Que lugar maravilhoso é dentro do abraço desse homem.
Quando o beijo terminou tive que apoiar em seus braços musculosos. Estava tremula, zonza, ofegante. Só conseguia pensar que um homem desse me partiria ao meio em uma transa.
Ele pegou um pedaço de papel e colocou no bolso do meu short, demorando o toque em minha bunda.
- É o meu telefone - sussurrou em meu ouvido. - Me manda um oi antes de dormir.
Para acabar com a minha sanidade, ele beijou minha orelha depois de falar e abriu a porta do carro que nem lembro quando destravei.
Entrei meio desnorteada e dirigi devagar, olhando-o pelo retrovisor até não poder mais.
O caminho todo para casa fiz bem devagar. No estado emocional em que estava poderia causar um acidente.
Em casa constatei o obvio; minha calcinha totalmente encharcada.
Natanael Johnson
-Fisgou a morena? - Ricardo veio me perturbar assim que cheguei ao balcão.
- Me prepara uma vodca, brother - pedi passando uma mão nos cabelos. Só depois foi que respondi. - Eu fui fisgado. E o terreno é perigoso.
- Como assim? - Ricardo parecia bem interessado. Também era de se esperar, acho que nunca falei de uma mulher dessa forma.
- Pelo carro, é dondoca - respondi como se isso explicasse tudo. O carro de Thainara era um esportivo verde.
- Como se você também não fosse. - Meu amigo riu.
- É que esse tipo de pessoa em 99% das vezes só quer um cara rico para bancar e amantes para se divertir.
Ele me analisou como se medisse minha febre.
- Cara, percebeu que está falando como se estivesse prestes a pedir a gata em casamento? O que houve? Nunca te vi agir assim.
Dei de ombros.
- Sei lá. Talvez por ela ter confessado que é virgem.
- Não seria a primeira virgem na sua vida e nem sabemos se sua confissão é real. Apenas divirta-se.
Bati na mesa o copo vazio que ainda esperava ser preenchido com um drink.
Por fim, fui servido.
- Está certo. Eu, hein! Aquela moreninha mexeu comigo. Se ela ligar a gente trepa e pronto.
Ricardo bateu no meu ombro. Mesmo eu tendo exatos 1,90cm, ele ainda consegue ser mais alto.
- Esse é o Natan que conheço. Você tem vinte e nove. Falta muito para se amarrar e abandonar os amigos.
- Credo! Vamos mudar de assunto. E já tenho o assunto. - Encarei duas loiras, gêmeas. Elas começaram a me encarar desde que voltei ao bar, depois de me despedir de Thainara.
Ele seguiu meu olhar e deu um assobio de aprovação.
- Fica com as duas porque já agendei minha noite de hoje.
- Com prazer - respondi indo em direção as duas.
Inicialmente meus planos era dormir sozinho, porém me assustei com a forma com uma mulher praticamente desconhecida mexeu comigo. Como bom imbecil que sou, resolvi provar que sou um homem livre trepando com duas depois de beijar a moreninha perturbadora.
Poucas horas depois eu saia do bar, que estava fechando, com as duas. As levei para o apartamento que tinha no centro. Era modesto, para quando precisava mostrar a casa de Natan, o rapaz modesto.
Evitei ao máximo olhar o celular. Ainda que estivesse ansioso para saber se a moreninha me mandou uma mensagem.
Deixei a luxúria tomar conta de mim e me esbaldei com as loiras gostosas.
Apenas quando as duas saíram quase de manhã, depois de um ménage com direito a duas bocas no meu pau ao mesmo tempo, que peguei o aparelho celular, finalmente cedendo a curiosidade.
Havia uma mensagem dela.
"Você ainda deve estar trabalhando. Quando puder conversar, me chama."
Era pouco menos de meia noite quando enviou. Agora são cinco da manhã, duvido que esteja acordada, mas arrisquei.
"Indo dormir agora. Desculpe por não responder antes."
Esperei um pouco para ver se havia a possibilidade de um milagre, mas não houve retorno e acabei adormecendo depois de um banho rápido.
Quando acordei, às 13hs, havia uma resposta dela.
"Bom dia! Deve estar cansado. As gêmeas Aguilar me acordaram com um áudio incrível. Se fizeram tudo que elas descreveram..."
Puta merda! Fala sério que essas mulheres se conhecem. É muito azar. Não acredito que vou perder a chance de comer a moreninha mais gostosa que já beijei por uma trepada a três. Que agora nem mais parece que foi tão bom assim.
Comecei a digitar uma resposta, mas desisti e liguei. Ela não atendeu nas duas primeiras vezes. Só na terceira.
- Deve ser urgente para insistir tanto. - Finalmente atendeu.
- Eu nem sei o que te dizer. - Fui sincero.
- Não precisa dizer nada. Nos conhecemos, nos beijamos e fim. - Não gostei nada do seu tom frio.
- Muda alguma coisa se eu disser que só transei com elas porque me senti ameaçado pela forma como você mexeu comigo?
- Não.
- Sol, eu quero continuar de onde paramos, então, por favor, me diz como me desculpar. - Se o tom dela tinha um tom frio, o tom da minha voz era de alguém implorando.
- Comece não me chamando mais de Sol. Tenho a sensação de que me chama assim para não confundir os nomes com todos os nomes de mulheres que passam por sua vida.
Pior que ela não estava errada completamente. Eu tinha mesmo o defeito de não querer a mesma mulher na minha cama duas vezes seguidas. Às vezes até repetia, mas apenas quando o mar estava sem outras sereias disponíveis. E eram raras as ocasiões.
- Nunca chamei nenhuma outra mulher assim, mas posso mudar e te chamar de Meu sol.
- Pior.
É impressão minha ou senti um sorriso em sua voz?
- O que você está fazendo? - Hora de mudar a estratégia.
- Indo para uma feira almoçar bobagens.
- Me diz onde é e vamos almoçar juntos. - Enquanto falava já seguia em direção ao guarda-roupa.
Nem pensar que deixo essa morena escapar sem lutar.