- Nada disso, minha querida. Para um dia revigorante, precisará de uma manhã revigorante. A Sra. Louis está preparando um banho para você e a cozinheira um belo café da manhã para seu desjejum.
Sabendo que não conseguiria vencer a mãe pelo cansaço, Lucy se arrasta da cama em direção a banheira.
As ajudantes da Sra. Louis cuidadosamente a ensaboaram e esfregaram dos pés à cabeça, usando sabão perfumado e esponjas macias. A água estava morna, e cada toque era suave e reconfortante. Enquanto a água escorria de seu corpo, ela se sentia mais revigorada a cada segundo.
Após um banho luxuoso, as ajudantes a ajudaram a sair da banheira e a secaram com toalhas felpudas. Sua pele estava rosada e macia, como uma pétala de rosa.
Em seguida, elas começaram a vesti-la, cuidadosamente selecionando um vestido deslumbrante. O vestido era uma verdadeira obra de arte, feito de seda delicada e rendas finamente trabalhadas. Era de um tom de amarelo pálido que destacava a tez de Lucy, e possuía mangas bufantes que caíam elegantemente até os cotovelos. O corpete ajustava-se perfeitamente ao corpo da jovem, realçando sua cintura esbelta, e a saia fluía graciosamente até o chão.
Enquanto a vestiam, suas ajudantes cuidavam de cada detalhe. Colocaram-lhe delicados sapatos de cetim, adornados com laços de seda que combinavam com o vestido. Seus cabelos foram cuidadosamente penteados em cachos suaves que caíam sobre seus ombros, e uma tiara de pérolas foi colocada com maestria em sua cabeça.
Quando finalmente Lucy olhou-se no espelho, mal pôde acreditar na visão que a refletia de volta. Ela estava deslumbrante, como uma personagem de um romance de época. Seus olhos brilhavam de felicidade e antecipação, e ela sabia que estava pronta para receber seu pretendente com toda a graça e elegância que sua mãe havia insistido.
Lucy caminhou graciosamente até a sala de jantar para o café da manhã e se deparou com Sophia e Helena tão graciosamente elegantes como a si mesma. Embora a escolha das cores dos vestidos das suas irmãs não a agradou, ela sempre achou que as irmãs iriam amadurecer e melhorar as cores das vestimentas com o passar dos anos.
Ela que nunca fora dada a romances, decidira se comportar como uma dama durante aquele dia. Nunca tivera um dia em sua vida que sua mãe dedicou um dia todo apenas para o seu trato, pois estava mais preocupada em arrumar um casamento para as suas irmãs mais ajuizadas. E esse dia todo girava apenas em torno de Lucy e seu pretendente e ela iria aproveitar o máximo essa oportunidade.
Na mesa do café, todas sentaram formalmente para o desjejum e sua mãe se deliciou com tamanha educação e requinte das filhas.
-Me deleito dos bons modos e requinte de vocês, minhas filhas. Em especial Lucy, que me surpreendeu sendo boazinha e fazendo as coisas corretamente. Espero que esse rapaz bote um pouco de juízo nessa sua cabecinha de vento.
-Ora mamãe, eu tenho juízo. Só guardo para usá-lo quando me convém.
Sua mãe não cedeu a provocação de Lucy e as irmãs cochichavam baixinho uma pra outra e riam do gracejo provocado pela irmã.
O café da manhã transcorreu calmamente e as meninas subiram para retocar a maquiagem.
- Lucy é muito sortuda de ter laçado o primeiro pretendente que apareceu. Esse casamento é muito vantajoso, pois atrairá outros jovens de igual fortuna para nós duas, Sophia.
- Que bobagem, Helena. Ultimamente tenho lido e meus romances me mostraram que devo casar por amor. Seria esplêndido me casar com um objeto de minha afeição.
-Tu que pensas, tola Sophia. Casar com um homem de boa fortuna garante uma boa educação aos filhos, viagens a lugares elegantes e vestidos da mais alta qualidade.
- E quem disse que quero ter filhos? Apenas um amor tranquilo é suficiente para me satisfazer.
- Que disparate! Se mamãe ouvir tal absurdo certeza que te mandaria a um sanatório.
A conversa foi interrompida pela entrada de Lucy no quarto das meninas:
- Me ajudem. O que acham do meu vestido? Não está exagerado? E se ele não gostar de mim como pensa? E se minha companhia não for agradável?
Helena despejava perguntas e mais perguntas sobre as irmãs andando de um lado para o outro do quarto sem parar. Helena a pegou pelos dois braços e a fitou seriamente nos olhos:
-Deixe de bobagens, irmã. Não vejo motivos para ele não cair de amores por você. Guarde sua ansiedade pra si e iremos tornar esse passeio o mais agradável possível para vocês. E pare de andar de um lado a outro. O vestido não ficará mais bonito com você transpirando sem parar.
Foi o suficiente para Lucy sentar na beirada da cama e recuperar o juízo.
Lucy nunca se preocupou com a aparência, mas o jovem rapaz despertava toda sua feminilidade e desejos que antes estavam adormecidos. Decidiu que iria conhece-lo e decidir se gostaria de estender essa relação a algo mais sério.
Algumas horas depois, Sr. Henry chegou numa carruagem luxuosa com mais dois amigos.
Todos desceram da carruagem e se dirigiram a porta da casa da família.
O mordomo anunciou a entrada de todos a sala de descanso:
- Senhoras, temos visitas. Sr. Henry Thomas, Sr. Jeffrey Brown e Sr. Nicholas Gerald.
A Sra. Wood ao ouvir que mais rapazes iriam ao passeio ficou encantada, mas não mais que Helena e Sophia que sentiam que suas preces foram atendidas.
Mal os rapazes entraram na sala, Sophia logo trocou olhares com Nicholas. Os dois ficaram petrificados olhando um pro outro enquanto a Sra. Wood falava sobre qualquer coisa que nenhum dos dois prestaram atenção.
Enquanto isso, a Sra. Wood elogiava as vestes de Henry e passava orientações da hora que as moças deveriam regressar ao lar.
Após alguns minutos, todos se dirigiram para a carruagem em direção a praça central, onde era comum os jovens passearem e conversarem nos dias quentes do verão.
Durante o percurso todos ficaram muito calados. Lucy fitava insistentemente Henry, enquanto os rapazes cochichavam entre si. E as gêmeas trocavam uma palavra ou outra e davam risadinhas.
Sophia não conseguia olhar diretamente para Nicholas sem ficar envergonhada. Então passou boa parte da viagem com o olhar baixo ou apreciando a paisagem. Já Nicholas disfarçadamente olhava a garota sem a deixar constrangida.
O que ninguém notara no passeio foi o olhar malicioso de Jeffrey em Lucy. Ele mediu cada curva do corpo de Lucy com os olhos, que estava distraidamente encarando Henry.
Ele a desejou instantaneamente e queria se aproximar do objeto de desejo do amigo, mesmo que isso significasse a ruina de sua amizade com o rapaz. Com o sacolejar da carruagem, ele conseguia ver o nuance dos seios de Lucy que já estavam bem desenvolvidos para uma garota de dezessete anos. Imaginou todo tipo de obscenidade com a garota naquele curto passeio, mas nada disse, afinal não poderia demonstrar tão verdadeiramente a impureza de seus pensamentos a ninguém, que não a si mesmo.