Ao chegar em casa, todos se despediram polidamente e as meninas foram para seus quartos, enquanto os rapazes regressaram de volta as suas residências.
Lucy mal dormia naquela noite de ansiedade. Estava tão feliz pelo dia agradável que passou com Henry, que não conseguiria pregar os olhos tamanha a agitação.
- Já que não posso revê-lo, vou fazer uma caminhada pela floresta. É sempre revigorante.
Lucy desceu as escadas de camisola, sob a ponta dos pés e caminhou para a saída. Correu até as arvores mais próximas da residência e se embrenhou em meio a escuridão.
A garota nunca teve medo de sair a noite. Na verdade, era o momento em que mais se sentia bem consigo mesma. Caminhando entre as arvores, tocando na superfície das arvores, se sentia cada vez mais calma e em casa. Ela repassou todos os acontecimentos do dia, e apesar da infelicidade de ter de lidar com Jeffrey, o dia havia sido perfeito.
Entrando cada vez mais fundo na floresta, Lucy se deparou com uma espécie de cripta. Havia uma espécie de caixão de cimento vazio e uma pequena entrada com portão onde haviam flores e uma enorme cruz no topo da construção.
O caixão de cimento estava completamente vazio e com a tampa entreaberta, já o portão da cripta estava trancado com um enorme cadeado e dentro podia-se ver várias flores sem vida.
Era o único lugar aberto em toda a floresta e dava pra ser facilmente encontrado para um observador atento.
Lucy deitou em cima da tampa do caixão e ficou olhando as estrelas por algumas horas. De supetão a garota se levanta pois escuta um barulho vindo dali perto. Ela olha em direção ao barulho. Rapidamente passando de maneira entrecortada, ela vê aquele mesmo vulto da outra noite, com olhos vermelhos olhando em sua direção.
Lucy corre em direção aonde vira a tal criatura, mas no fim só encontra um gato por ali entre as arvores e mais uma vez atribui a visão ao fruto de sua imaginação criativa.
A menina volta para a casa e consegue enfim pegar no sono. Durante a noite, teve diversos sonhos com a criatura. A noite foi conturbada, mas melhorou com a chegada do amanhecer que veio acariciar a face de Lucy.
Levantando mais cedo que o habitual, Lucy se arrumou com a ajuda das criadas e se dirigiu a sala de café da manhã. Seu pai ainda estava lendo jornal e toma seu café da manhã antes de ir ao escritório e se espantou em ver Lucy de pé tão cedo.
- Minha querida Lucy. Acordada a essa hora?
- Sim, papai. A ansiedade não me permitiu dormir essa noite.
- Oh, vejo que o pobre rapaz já roubou o coração da minha filha mais preciosa.
-Me conheces bem. E se ele não gostar de mim? Ou desistir que criar um enlace entre nossas famílias?
- Ele seria um completo de um tolo, minha filha. Nenhuma moça agradaria mais um rapaz do que você com sua personalidade maravilhosa.
- Ora papai, não diga isso. Minhas irmãs também são bastante agradáveis.
-Quando se trata de vestidos caros e romances baratos, com certeza elas têm bastante conhecimento.
Lucy riu alto e os dois se abraçaram calorosamente. Após o café, John deu um beijo na testa de Lucy e foi para o escritório trabalhar, enquanto Lucy pediu que o criado enviasse um recado para seu amado.
"Querido Henry,
Após a tarde agradável que passamos juntos, gostaria de convidá-lo para o chá da tarde. Se seus afazeres permitirem, é claro. Desejo imensamente revê-lo.
Sua amiga, Lucy."
O criado guardou o recado no bolso discretamente e se dirigiu a carruagem de carga que ia para a cidade. Enquanto o recado era enviado, Lucy decidiu passear um pouco pelo jardim, antes que o sol passasse a incomodar.
O dia estava fresco, com um sol agradável que não incomodava a pele ou os olhos. Os pássaros e insetos voavam em total sintonia e os esquilos pulavam entre os galhos alegremente.
Era da sua natureza gostar de viver ao ar livre e esperava que Henry não fosse um companheiro controlador, ou até mesmo desagradável em privá-la das coisas que gosta.
Na alta sociedade, a maioria dos maridos impunham as esposas os seus desejos e essas faziam de tudo para não os desagradar. Ser divorciada era pior que a própria morte e Lucy esperava não precisar passar por isso. Por isso a escolha de um bom marido era muito importante para garantir a sua felicidade duradoura.