O salão ocupava o topo da Blackthorne Tower, setenta e cinco andares acima de Chicago. As janelas do chão ao teto transformavam a cidade em um mapa de luzes, mas ninguém se importava. Todos os olhos estavam voltados para Damien Blackthorne, o homem capaz de mudar vidas apenas pronunciando um nome. Naquela noite, ele escolheria uma esposa. E todos ali queriam assistir a história se curvar diante dele.
A banda tocava baixo, suave o bastante para deixar os sussurros correrem livres. Rumores saltavam de boca em boca.
"Ouvi dizer que é Elise. A filha do senador."
"Não. Muito delicada. Ele vai escolher Vivian. Ela é cruel o suficiente para se manter ao lado dele."
"Dizem que ele já decidiu. Todo esse espetáculo é apenas para nós."
Damien estava perto do centro de tudo, alto, imóvel, ilegível. Vestia preto, sem gravata, a própria imagem do controle. Ao lado dele estava seu irmão, observando a multidão, pronto para agir se necessário. Em volta deles, investidores e aliados circulavam como abutres esperando restos.
O apresentador se aproximou do microfone. A música diminuiu. O salão inteiro pareceu inclinar-se para frente.
"Senhoras e senhores," disse ele, com uma voz suave e ensaiada. "Esta noite encerramos um capítulo e começamos outro. O herdeiro do império Blackthorne nomeará sua futura esposa, uma mulher digna de permanecer ao lado de um homem que carrega uma cidade inteira nas mãos."
A multidão vibrou em excitação contida. Alguns sorriam confiantes. Outros apertavam suas taças de champanhe como se fossem salva-vidas. As mulheres alinhadas próximas ao palco mantinham o queixo erguido e os olhos atentos, escondendo os nervos atrás de batons perfeitos.
O apresentador continuou, prolongando o suspense, deixando a pressão crescer.
"Essa união não apenas moldará o futuro. Ela garantirá um legado."
E então as portas se abriram com violência.
O som foi limpo, forte, brutal em sua simplicidade. A banda parou no meio da nota. Cabeças se viraram imediatamente em direção à entrada.
Evelyn Lockwood entrou como uma tempestade envolta em seda.
Vermelho. Foi a primeira coisa que todos viram. Um vestido vermelho que se espalhava sobre o mármore como fogo sobre gelo. Seus cabelos estavam presos para trás, seus olhos vivos, perigosos, famintos. Cinco anos desaparecida. Cinco anos enterrada em sussurros, funerais sem corpos, mentiras transformadas em verdade. E agora ela estava ali, não apenas viva... furiosa.
Ela atravessou a multidão como uma faca cortando seda. Cada passo do salto ecoava pelo salão, como um batimento cardíaco, uma contagem regressiva.
Um murmúrio se espalhou rápido.
"Evelyn Lockwood?"
"Ela deveria estar morta."
"Isso não pode ser real."
Sem sequer olhar, ela pegou uma taça de champanhe de uma bandeja e a segurou como uma arma. Sua voz atravessou o salão, firme e cortante.
"Olá, ex-marido. Estou de volta."
O salão congelou.
Todos os olhares se voltaram para Damien.
Ele não se moveu. Nem um centímetro. Nem um piscar de olhos. O homem mais poderoso da cidade encarou a mulher que havia perdido, amado, destruído, ninguém sabia ao certo, e seu rosto permaneceu feito de pedra.
Sem choque. Sem raiva. Apenas uma calma fria e constante.
Aquilo fez os dentes de Evelyn rangerem.
Ótimo, pensou ela. Se ele não vai queimar, eu queimarei tudo por ele.
Ela se virou para que todas as mulheres alinhadas perto do palco e todos os homens observando com olhos gananciosos pudessem ouvir suas próximas palavras.
"Antes que todos finjam que nada aconteceu, vamos deixar algo claro," disse ela. "Damien Blackthorne e eu ainda somos casados. Separados, sim. Mas nenhum divórcio foi assinado. O que significa..." ela fez uma pausa, deixando o silêncio se estender como uma lâmina "...que ninguém aqui ficará noivo esta noite."
Suspiros cortaram o ambiente. Futuros se quebraram como gelo fino. Uma mulher deixou sua taça cair; o vidro explodiu alto no silêncio. Investidores amaldiçoaram baixinho. Mães apertaram seus colares de pérolas. Os sussurros viraram caos sob a luz dos lustres.
Evelyn bebeu o champanhe devagar, saboreando a destruição.
Então caminhou em direção a Damien.
A multidão abriu caminho como se ela carregasse uma faca.
Ela parou diante dele. Perto o bastante para sentir o perfume que ele nunca havia trocado. Seu coração batia como um tambor que ela queria destruir.
"Surpreso em me ver?" perguntou ela, com um tom calmo, quase brincalhão. "Você não deveria estar. Sabia que eu não ficaria longe para sempre."
A expressão de Damien não mudou, mas seu peito parecia uma armadilha de aço prestes a se fechar.
"Você achou que eu tinha morrido depois do que fez comigo?" ela insistiu, o calor queimando em suas palavras.
Ainda assim, ele não respondeu.
Os lábios dela se curvaram em um sorriso pequeno e mortal.
"Eu voltei," sussurrou ela, "para transformar sua vida em um inferno."
O silêncio dele não era medo. Era pior. Era desprezo.
Aquilo rachou algo dentro dela. A raiva floresceu quente e pura.
Ele apenas a observava.
Tudo bem, pensou ela. Vamos ver até quando você consegue fingir.
Ela sorriu para as câmeras e se virou como se não tivesse acabado de lançar uma bomba no meio da sala mais poderosa da cidade.
Pegou o microfone. Ninguém a impediu.
"Boa noite, Chicago," disse ela. "Eu sou Evelyn Lockwood. O único fantasma que Damien Blackthorne não enterrou fundo o bastante... e o único pesadelo do qual ele jamais vai acordar."
O salão explodiu.
Vozes se sobrepunham em choque e sussurros. Câmeras disparavam flashes. Celulares transmitiam tudo ao vivo. Em algum lugar, alguém soltou um grito abafado. Mas Damien não se moveu. Ele não conseguia.
Ela colocou uma pasta preta e dourada sobre o púlpito com uma batida pesada. O som ecoou pelo salão inteiro.
"Isso," disse ela, "é um contrato de casamento."
Murmúrios atravessaram o ambiente como uma onda.
"Assinado. Datado. Legalmente válido."
Evie voltou os olhos para ele, agora queimando em intensidade.
"Você se lembra dos votos, Damien? Aqueles que ignorou quando me jogou fora?"
Ele não falou. Não conseguiu.
A voz dela baixou apenas o suficiente para puxar a multidão ainda mais para perto.
"Eu pensei em destruir tudo. Acabar com tudo o que é seu. Sua empresa, seu nome, seu pequeno reino de vidro. Expor seus segredos. Encerrar seu império com um único comunicado à imprensa."
Ela sorriu sombriamente.
"Mas não. Isso teria sido bondoso demais. Não teria torturado você o suficiente."
O público estava paralisado. Celulares estavam erguidos. As transmissões ao vivo já corriam pela internet e ninguém ousava interrompê-la.
Evie observou o salão lentamente, depois voltou o olhar para ele.
"Então... vamos reescrever a história, certo?"
"E desta vez, todos aqui serão testemunhas."
Ela se inclinou levemente para frente, os olhos afiados o suficiente para cortar.
"Então decidi lhe dar uma escolha. Assine ou veja tudo o que construiu desmoronar. Tijolo por tijolo. Mentira por mentira. Até seu império virar cinzas."
O salão inteiro estava congelado.
Ninguém ousava interrompê-la.
"Vamos ver que tipo de rei você é quando sua rainha volta dos mortos."
Ela se afastou do microfone.
Damien finalmente respirou. Sua voz arranhou o fundo da garganta, mas nenhuma palavra saiu. Seu corpo inteiro parecia ter sido arrastado para uma tempestade que ele acreditava ter enterrado anos atrás.
Evie o encarou, calma e mortal.
"Seu movimento, marido."