A Rosa Proibida do Don
img img A Rosa Proibida do Don img Capítulo 4 À sombra da máfia...
4
Capítulo 6 Passos no silêncio img
Capítulo 7 Convite irrecusável img
Capítulo 8 Um palco improvável img
Capítulo 9 Boas-novas img
Capítulo 10 A dureza do ombro amigo img
Capítulo 11 Sombras sobre a sucessão img
Capítulo 12 A diplomacia do novo Don img
Capítulo 13 Jogadas na penumbra img
Capítulo 14 La Notte Rossa img
Capítulo 15 Noite vazia img
Capítulo 16 Um café de manhã de negócios img
Capítulo 17 Faltava algo... img
Capítulo 18 Garota Flamenca img
Capítulo 19 Ecos de traição img
Capítulo 20 A véspera do jogo img
Capítulo 21 E o jogo começa... img
Capítulo 22 Correntes invisíveis img
Capítulo 23 Dança com o destino img
Capítulo 24 Rumo ao Palácio img
Capítulo 25 O Peso da Coroa img
Capítulo 26 Um Novo Acordo img
Capítulo 27 Jogos de Poder img
Capítulo 28 Um Retorno Melancólico img
img
  /  1
img

Capítulo 4 À sombra da máfia...

As ruas de Corleone se estendiam em curvas suaves, margeadas por casas de pedra, envelhecidas pelo tempo e carregando uma vasta história.

O restaurante ficava afastado do burburinho do centro, numa rua discreta, onde o aroma de azeite e ervas se misturava ao ar morno do verão siciliano.

Saindo dali, o caminho até o importante hotel passava por vielas estreitas e praças silenciosas, onde o tempo parecia escorrer muito vagarosamente.

Assustadiça, Sophia sentia que qualquer silhueta ao redor bastava para fazê-la se sentir perseguida, ou vigiada, pelos homens da máfia.

Álvaro percebeu e fingiu não notar. No entanto, algumas silhuetas chamaram atenção, se movendo rápido demais ou observando por tempo demais - não teve como não crer na desconfiança da amiga.

Chegando ao coração comercial da cidade, as ruelas davam lugar a avenidas largas, ladeadas por cafés e pequenas butiques - tinha um quê de casa.

Com tantos carros, Sophia relaxou um pouco - mas só um pouco. Afinal, podiam estar num lugar público, mas isso não significava segurança.

O hotel surgia imponente, a fachada elegante contrastando com a rusticidade vizinha era um ponto de encontro entre o luxo e a tradição de Corleone.

Era estranho não ter cartaz ou aviso sobre a contratação no luxuoso saguão, mas Sophia se dirigiu à recepcionista, uma jovem de aparência impecável.

Medindo-a de cima a baixo e vendo o vestido simples, já soube ser uma local, e não era abastada.

- Boa noite, senhora! - Ainda lhe foi gentil.

- B-boa noite! - Escondendo os problemas em seu íntimo, conseguiu soar confiante. - Eu soube de uma contratação de artistas e venho me candidatar.

- Soube por quem? - A moça já começou a mexer em seu computador. - E com o que trabalha?

- Giuseppe. - Álvaro foi quem falou, já sabendo que a amiga não se encorajaria em citar o nome de um homem que nem sequer falou com ela sobre.

- Danço flamenco. O mais tradicional! - falou com todo o orgulho que sentia de ter aprendido e aperfeiçoado os ensinamentos adquiridos da mãe.

A recepcionista a analisou - era realmente inegável que carregava traços dos vizinhos quentes.

- Formidável! - comentou com surpresa, enquanto tirando alguns papéis e uma caneta para colocar sobre o balcão. - Precisa preencher...

Os dados solicitados não eram incomuns para um trabalho remunerado, mas, ainda assim, Sophia nunca tinha preenchido algo tão detalhado.

Seus trabalhos como dançarina costumavam ser mais informais, afinal, não tinha um diploma que comprovasse quão bem era formada na dança.

- Pode se sentar numa mesa. - A recepcionista apontou ao saguão. - Não precisa ter pressa e, em caso de dúvidas, basta voltar a me consultar.

Assentindo e fitando os papéis, Sophia seguiu a uma das mesas, guiada por Álvaro. Sentou-se e, com muita atenção, preencheu todas as lacunas.

Obviamente, o que mais lhe tomou tempo foi preencher as experiências prévias e as apresentações mais notáveis que já teve em sua vida - eram muitas!

A maioria era fácil de constatar por gravações ou até menções da moça, e ela cuidou de mandar algumas mensagens para confirmar se podia referi-los em tal seleção - claro, ninguém se negou a isso.

Ainda recebeu as boas-novas de futuros eventos, que estariam aguardando sua presença ansiosamente.

Acabou sendo muito mais do que meramente um momento burocrático, mas um momento esperançoso onde a moça, ao fim daquele processo, respirou fundo com um belo sorriso no rosto.

- Aqui, senhorita! - Sophia lhe entregou.

- Se for aprovada, entraremos em contato. - A recepcionista tomou os papéis para revisá-los, não contendo o olhar arregalado ao ver o espaço tomado pelas experiências. - Desejamos-te uma boa sorte!

Trocando cumprimentos e sorrisos simpáticos, Sophia seguiu na direção da porta, ainda mantendo a otimista e confiante postura da dançarina.

- É impressionante como faz isso! - Álvaro riu. - Quer aproveitar este momento para... sei lá... talvez... beber um vinho... e desestressar? - sugeriu.

Bastaram suas pausas dramáticas para a moça já ter entendido que a proposta terminaria daquela forma. Acabou sorrindo, mas refletiu um pouco.

- Antes de negar, podemos ir para a sua casa. - Complementou a proposta. - Eu durmo por lá... assim, tem um reforço para acordar cedo - sorriu.

- Duvido que eu dure tanto tempo acordada... - Ela suspirou, parando na frente de seu carro. - Hoje eu estou particularmente cansada, Al... de verdade...

Foi um dia longo, como tantos desde que chegou à Itália. O verão era uma estação intensa, começando com apresentações de dança aos turistas pela manhã.

A comida, grande parte de seu aluguel e suas contas eram, na maioria dos meses, pagos com as gorjetas recebidas como artista de rua.

Aceitava qualquer outro trabalho após o almoço: costura, da qual sabia bastante; babá dos vizinhos; cozinheira para alguns idosos... até ir ao restaurante.

O expediente no restaurante iniciava geralmente com a dança, remunerada por Giuseppe, e o serviço como garçonete até o fechamento da casa.

Decerto, era uma rotina exaustiva, mas apenas os dias de maior tensão, aqueles que cansam emocionalmente, realmente a deixavam desgastada.

Sentada no banco do carona, recostada na porta, Sophia observou a fachada do hotel enquanto Álvaro demorava a dar partida, distraído com o telefone.

Tempo suficiente para ver a chegada de Alessio. Ele tinha dois homens consigo e já vestia um novo terno. Falava e gesticulava como um empresário.

Sentiu-se fitada, mas seu olhar era indecifrável - intenso e muito breve para ter certeza se foi vista, ou se ele olhava além do carro. Todavia, retesou-se.

De imediato, olhou ao redor e os carros de vidro escuro estavam por toda parte - eles estavam lá e, dessa vez, não era apenas uma ideia neurótica.

- Al... vamos logo! - pediu, incomodada.

- D-desculpa... é meu namorado novo - riu.

- Namorado, Al? - Ela franziu o cenho.

- Claro! - Ele guardou o telefone. - Por quê?

- E você quer saber de amor? - riu do amigo.

- Ai! - Fingiu uma dor no peito. - Sabe que todo mundo tem seu momento de carência, não?

- Isso não te acontece! - Meneou a cabeça.

- Ai de novo! - gargalhou, dando partida. - O que eu posso fazer, se o amor me encontrou? Quer dizer, se eu sou o amor de um cara lindo?

- Continua com essa safadeza e esses amores ainda vão terminar em tragédia - repreendeu, já que aquele era o nono amor de Álvaro naquele ano.

E era só junho!

- E quem está procurando um amor fica assim... igual eu... minguando... ficando para a titia. - A moça lamentou, soltando o ar dos pulmões com decepção.

- Você não procura amor nenhum! - Álvaro retrucou. - Quando foi a última vez que transou?

- Ontem à noite... - Fez o rapaz olhá-la com espanto. - No meu sonho... e foi uma delícia, tá!

Álvaro gargalhou alto e, claro, ela também riu.

- Está achando que um amor vai cair do céu ou te encontrar enquanto, sei lá, você está exibindo esse corpo lindo enquanto dançando na rua, Sophia?

- Por que não posso sonhar com isso?

Não tinha nem tempo para pensar nisso. Já fazia tanto tempo que quase se sentia virgem novamente.

- É justo! - Álvaro assentiu. - Eu também sonho em encontrar o mais rico e mais bonito italiano de Palermo... e ele vai adorar um homem.

Eram brincadeiras, devaneios sobre amor, mas ela sabia que, por ali, certos encontros mudavam tudo - e algo lhe dizia que o dela já havia acontecido...

            
            

COPYRIGHT(©) 2022