Destino Marcado
img img Destino Marcado img Capítulo 4 Refúgio entre Amigas
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Capítulo 6 Um Recomeço Solitário img
Capítulo 7 Forjando Seu Próprio Destino img
Capítulo 8 Ameaças Rondando img
Capítulo 9 Confrontos Iminentes img
Capítulo 10 Chance de Recomeço img
Capítulo 11 Decisões e Incertezas img
Capítulo 12 Desafio Inevitável img
Capítulo 13 Rastros do Passado img
Capítulo 14 Encontros Inesperados img
Capítulo 15 Pistas e Revelações img
Capítulo 16 Sonhos, Conexões e Promessas img
Capítulo 17 Brincadeira do Acaso img
Capítulo 18 Reflexões e Decisões img
Capítulo 19 Um Novo Começo img
Capítulo 20 Consequências e Oportunidades img
Capítulo 21 Um Plano Arriscado img
Capítulo 22 Uma Fachada de Mentira img
Capítulo 23 O Fardo do Legado img
Capítulo 24 A Rainha do Império img
Capítulo 25 O Jogo de Xadrez dos Stavros img
Capítulo 26 Momentos de Angústia e Esperança img
Capítulo 27 O Véu se Rompe img
Capítulo 28 Verdades Reveladas e Corações Partidos img
Capítulo 29 Uma Teia de Segredos e Lealdades img
Capítulo 30 Esperança e Incerteza no Hospital img
Capítulo 31 Reencontro Silencioso img
Capítulo 32 Renascimento e Resoluções img
Capítulo 33 Um Lar Grego para Recomeçar img
Capítulo 34 Desejos Contidos, Laços Fortalecidos img
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Capítulo 4 Refúgio entre Amigas

O vestido de noiva - agora amarrotado das carícias apaixonadas - parecia pesar uma tonelada. Enquanto se vestia apressadamente, suas mãos tremiam. Ela não seria mais uma vez a garota inadequada, a que não pertencia ao mundo da alta sociedade.

Cornellius ainda estava ao telefone, agora falando rispidamente em grego com alguém, quando ela escapou silenciosamente pela porta.

O corredor luxuoso do hotel parecia infinito enquanto ela corria descalça, o vestido de noiva arrastando-a atrás dela como um lembrete cruel de suas ilusões românticas.

Cornellius encerrou a ligação com violência, praguejando em grego. O testamento de seu pai era sua última tentativa de controle mesmo após a morte - forçá-lo a um casamento para manter o império Stavros.

"Asha..." Ele se virou para a cama, mas encontrou apenas lençóis vazios, ainda quentes de sua presença.

Seu coração parou por um instante. O silêncio do quarto era ensurdecedor. O vestido de noiva havia desaparecido com ela. No ar, apenas o perfume suave de jasmim que agora reconheceria em qualquer lugar.

"Não..." A palavra escapou como um rosnado enquanto ele alcançava o telefone do hotel. "Segurança. Agora."

Em segundos, as câmeras mostraram: ela atravessando o lobby como um fantasma em branco, descalça, o rosto baixo para esconder as lágrimas. A imagem dela entrando em um táxi fez seu sangue gelar.

"Encontrem aquele táxi. Agora!"

Suas mãos tremiam enquanto vestia a calça, nem se importando em abotoar a camisa. A noite anterior, repleta de paixão, a entrega dela - tão pura, tão completa - ainda queimava em sua memória. A maneira como ela havia confiado nele, como seu corpo virgem havia respondido a cada toque...

E agora ela havia escutado tudo. Sobre o testamento, sobre o casamento arranjado. Devia estar pensando que tinha sido apenas uma diversão, uma última aventura antes de ele se casar com alguma herdeira escolhida a dedo.

"Maldição!" Seu punho encontrou a parede com força suficiente para arrancar sangue.

Ela não sabia. Não sabia que, desde o momento em que a vira no bar, devastada em seu vestido de noiva, algo dentro dele havia mudado. Que cada beijo, cada toque, cada suspiro durante a noite havia sido real. Que pela primeira vez em sua vida, o poderoso Cornellius Stavros havia se rendido completamente a alguém.

Cornellius entrou na sala de reuniões do conselho Stavros, sua presença imponente preencheu o ambiente. O advogado da família segurava o testamento de seu pai como se fosse um objeto frágil.

"Senhores," a voz de Cornellius cortou o silêncio, "tenho uma decisão a anunciar."

Tia Ártemis, a astuta matriarca, inclinou-se para a frente, seus olhos brilhando com expectativa.

"Conforme os termos do testamento de meu pai," Cornellius continuou, "eu me comprometo a me casar seis meses nos próximos."

Um burburinho percorreu a sala enquanto os conselheiros trocavam olhares surpresos. O presidente do concelho pigarreou antes de se pronunciar.

"E sua noiva, Sr. Stavros?"

Um sorriso enigmático curvou os lábios de Cornellius. "Vocês a conhecerão no dia da cerimônia."

Houve uma pausa momentânea, seguida de um murmúrio inquieto entre os presentes. Tia Ártemis abriu a boca para protestar, mas Cornellius ergueu a mão, silenciando-a.

"Minha escolha é pessoal e não está aberta à discussão." Seu tom não deixava espaço para argumentos. "Espero que respeitem minha decisão."

Sem dar chance para qualquer outro comentário, Cornellius se virou e saiu da sala, deixando um rastro de perplexidade para trás. Sua mente já estava focada em uma única missão: encontrar Asha.

Ela havia fugido, mas ele não desistiria tão facilmente. Seis meses era tempo suficiente para rastreá-la, convencê-la a dar-lhe uma segunda chance. Desta vez, ele não a deixaria escapar. Ela era sua, e ele lutaria com unhas e dentes para mantê-la a seu lado.

Com determinação renovada, Cornellius saiu do prédio, seu celular já em mãos, ordenando que sua equipe de segurança intensificasse a busca. Não importava o quanto demorasse, ele a encontraria. E quando a tivesse de volta, nada nem ninguém os separaria.

Asha corria pelas ruas de Nova York, seu vestido de noiva farfalhando atrás dela como uma nuvem branca. As lágrimas embaçavam sua visão, mas ela não parava, não ousava olhar para trás. Seu coração martelava em seus ouvidos, um eco do medo que a consumia.

Finalmente, chegou ao prédio moderno de sua melhor amiga, Nadia. Apertou a campainha com mãos trêmulas, rezando para que ela estivesse em casa. Quando a porta se abriu, Asha se jogou nos braços da amiga, soluçando descontroladamente.

"Asha! Meu Deus, o que aconteceu?" Nadia a envolveu em um abraço apertado, conduzindo-a para dentro do apartamento. "Você está tremendo! Entre, venha se sentar."

Guiando-a até o sofá, Nadia notou o vestido de noiva amassado e os pés descalços. Seu coração se apertou ao ver a expressão devastada no rosto da amiga.

"Asha, querida, o que houve? Você deveria estar se casando agora!" Nadia pegou suas mãos trêmulas, procurando por respostas em seus olhos inchados de tanto chorar.

Asha engoliu em seco, tentando controlar os soluços. "Thackery... ele... ele me abandonou no altar. Com a minha meia-irmã, Ravenna."

"O quê?" Nadia exclamou, chocada. "Mas como? Por quê?"

"Eles... eles descobriram que sou adotada. Thackery disse que não poderia manchar o nome da família Van Der Bloom com alguém de 'origem desconhecida'." Asha soluçou, as lágrimas voltando a escorrer por seu rosto.

Nadia a puxou para um abraço apertado, sentindo a dor da amiga como se fosse sua própria. Asha era como uma irmã para ela, e vê-la tão arrasada partia seu coração.

"Shh, calma, Asha. Você está aqui agora, está segura." Nadia acariciou seus cabelos ruivos, tentando acalmá-la. "Eles não merecem suas lágrimas. Você é muito melhor do que isso."

Gradualmente, os soluços de Asha foram diminuindo, e ela se afastou, enxugando o rosto com as costas da mão.

"Eu... eu não sei o que fazer, Nadia. Tudo desmoronou tão rápido. Eu me sinto tão perdida, tão humilhada."

Nadia apertou sua mão, dando-lhe um sorriso encorajador. "Você não está sozinha, Asha. Estou aqui, e vou cuidar de você, não importa o que aconteça."

Asha assentiu, sentindo-se um pouco mais fortalecida pela presença da amiga. Nadia sempre fora seu porto seguro, sua âncora em meio às tempestades da vida.

"Obrigada, Nads. Eu não sei o que faria sem você." Asha suspirou, olhando em volta do aconchegante apartamento. "Eu nem sei como cheguei aqui. Eu só... corri, sem pensar."

Nadia sorriu, apertando sua mão. "Você sabe que sempre será bem-vinda aqui. Este é seu refúgio, Asha. Fique o tempo que precisar."

Asha assentiu, sentindo o alívio envolver como um cobertor quente. Aqui, longe dos olhares julgadores e das memórias dolorosas, ela poderia finalmente se permitir processar tudo o que havia acontecido.

"Eu preciso tomar um banho," murmurou, sentindo-se suja e cansada. "E... queimar este vestido."

Nadia riu, levantando-se e puxando-a delicadamente. "Venha, vou preparar um banho quente para você. Depois, vamos cuidar desse vestido juntas."

Enquanto Asha se banhava, Nadia separou algumas roupas confortáveis para ela vestir. Quando a amiga finalmente saiu do banheiro, enrolada em uma toalha felpuda, seus olhos pareciam um pouco menos inchados.

"Sente-se, vou trazer algo para você comer." Nadia a guiou até a cozinha, servindo-lhe uma xícara de chá quente e alguns biscoitos. "Você precisa se alimentar, Asha. Vai se sentir melhor."

Asha assentiu, soprando o vapor do chá antes de tomar um gole. O líquido quente a aqueceu por dentro, e ela começou a se sentir um pouco mais humana.

"Obrigada, Nads. Eu não sei o que faria sem você." Asha olhou para a amiga, seus olhos cinza-esverdeados cheios de gratidão.

Nadia sorriu, apertando sua mão. "Você sabe que sempre pode contar comigo. Agora, me conte tudo o que aconteceu. Quero entender melhor essa história."

Asha suspirou, sabendo que precisava desabafar. E assim, entre goles de chá e alguns bocados de biscoito, ela contou a Nadia toda a história - desde o momento em que descobriu o sumiço de Thackery e Ravenna, até o encontro inesperado com Cornellius Stavros no bar do hotel.

Nadia a ouviu atentamente, seu coração se partindo a cada nova revelação. Quando Asha chegou à parte sobre a noite que passou com Cornellius, ela não conseguiu esconder sua surpresa.

"Então, você... você dormiu com ele? Asha, você nem o conhecia!" Nadia a encarou, os olhos arregalados.

Asha corou, baixando o olhar. "Eu sei, Nads. Mas... foi tão diferente de tudo o que eu imaginava. Ele me fez sentir segura, protegida. E quando descobri sobre o testamento do pai dele, eu simplesmente entrei em pânico."

Nadia franziu o cenho, tentando entender. "Testamento? Que testamento?"

Asha suspirou, explicando sobre as condições impostas por Cornellius para herdar a fortuna da família Stavros. "Eu não poderia suportar a ideia de ser apenas mais uma peça em um jogo de poder. Eu não sou uma mercadoria a ser negociada!"

Nadia a abraçou, sentindo a dor e a frustração da amiga. "Eu entendo, Asha. Você fez o certo em fugir. Não merece ser tratada assim."

As duas amigas ficaram em silêncio por alguns instantes, até que Nadia se afastou, segurando os ombros de Asha.

"Escute, você vai ficar aqui comigo por enquanto. Vamos cuidar de você, limpar essa ferida e te auxiliar a se recompor. Você não está sozinha nessa, OK?"

Asha assentiu, sentindo-se imensamente grata por ter Nadia em sua vida. "Eu não sei o que faria sem você, Nads. Você é a melhor amiga que alguém poderia ter."

            
            

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