Uma Nova Chance Para O Amor
img img Uma Nova Chance Para O Amor img Capítulo 2 O retorno
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Capítulo 6 Sentimentos que Não Morrem img
Capítulo 7 Entre Olhares e Silêncios img
Capítulo 8 Amor ou Ilusão img
Capítulo 9 Intrigas à Mesa img
Capítulo 10 Entre Conflitos e Revelações img
Capítulo 11 Entre Olhares e Sentimentos img
Capítulo 12 Entre o Desejo e o Arrependimento img
Capítulo 13 Segredos do Passado img
Capítulo 14 A Filha da Traição é a Superação img
Capítulo 15 Ritmo & Raiva img
Capítulo 16 Sentimentos Indesejados img
Capítulo 17 Noite de Reencontros img
Capítulo 18 Reflexo da Ameaça img
Capítulo 19 Verdades Que Nunca Vieram à Tona img
Capítulo 20 Sombras e Trovões img
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Capítulo 2 O retorno

"Sthephania"

Quando completei dezoito anos, decidi estudar em Londres.

A convivência com meu pai se tornava cada vez mais insuportável, especialmente por causa de Selma, minha madrasta. Além disso, ele jamais apoiou minha escolha profissional, insistindo para que eu cursasse Direito a fim de, um dia, herdar seu prestigiado e renomado escritório de advocacia em Nova York. Por dois anos, vivi presa a uma graduação que nunca desejei, até que, finalmente, fui aceita na Queen Mary University of London - a universidade dos meus sonhos. Essa foi minha chance de partir.

Londres me acolheu exatamente como eu esperava. Longe da sombra do meu pai, pude, enfim, seguir meu próprio caminho. Formei-me em Engenharia de Software e Hardware, um campo que sempre me fascinou. Conquistar esse diploma por mérito próprio me proporcionou uma satisfação indescritível.

Agora, anos depois, estou de volta a Nova York.

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O som abafado das rodinhas da minha mala deslizando pelo piso do aeroporto quase se perde em meio ao burburinho ao redor. Anúncios ecoam pelos alto-falantes, convocando passageiros para seus voos. O aroma de café recém-passado se mistura ao cheiro artificial do ambiente, enquanto pessoas passam apressadas - algumas sorrindo em reencontros calorosos, outras se despedindo com olhos marejados.

Meu coração acelera ao reconhecer uma silhueta familiar à minha espera. Wendy.

Ela está próxima à saída, segurando um copo de café em uma das mãos e acenando freneticamente com a outra. Seu sorriso radiante ilumina seu rosto delicado, destacando seus olhos amendoados e os fios negros e lisos que caem elegantemente sobre seus ombros. Sua pele clara parece ainda mais luminosa sob as luzes artificiais do aeroporto.

Assim que me aproximo, ela abandona o copo no primeiro balcão que encontra e praticamente se joga em mim, envolvendo-me em um abraço apertado.

- Não acredito que você está de volta! - exclama, apertando-me contra si.

Wendy é minha melhor amiga desde a infância. Crescemos juntas, unidas pela amizade de nossas mães, que se conheceram ainda no ensino fundamental. A senhora Meiying Yujin imigrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos na juventude e construiu um verdadeiro império no ramo jornalístico. Inspirada por essa trajetória, Wendy seguiu seus passos e se tornou uma jornalista brilhante.

- Eu também senti saudades - respondo, rindo ao me afastar ligeiramente para encará-la.

Ela me analisa dos pés à cabeça, como se quisesse se certificar de que sou real.

- Olha só para você! Senhorita Londres, toda chique. Mas cadê o sotaque britânico?

Reviro os olhos e lhe dou um leve empurrão.

- Nem vem!

Ela ri e pega minha mala, puxando-a enquanto caminhamos para fora do aeroporto.

- Antes que pergunte, Melyssa está ocupada com a inauguração do restaurante - diz Wendy, como se adivinhasse minha próxima pergunta.

- Imaginei. Ainda bem que consegui chegar a tempo.

- Ainda bem mesmo, porque ela teria te matado se perdesse esse momento.

- Sei bem.

Wendy balança a cabeça, divertida, e logo muda de assunto.

- Ela deixou a chave do apartamento comigo, já que você me traiu indo morar com ela.

Arqueio uma sobrancelha, cruzando os braços.

- Eu te traí indo morar com ela? O apartamento é uma das poucas coisas que minha mãe me deixou, e confiei a Melyssa o cuidado dele enquanto estive fora. Além disso, eu não queria ser vela para você e Vini, já que agora vocês moram juntos.

Wendy suspira e ergue as mãos em rendição.

- Ok, você tem razão.

- E muita - provoco.

Ela revira os olhos, soltando um suspiro teatral.

- Amiga, eu não acreditei quando você me contou que ia estudar em Londres. Eu jamais teria essa coragem! Ainda mais sem dinheiro, já que seu pai bloqueou todos os seus cartões e aquele seu salário da cafeteria mal dava para comprar uma bolsa da Gucci.

Dou uma risada baixa e sacudo a cabeça.

- Eu precisava provar a mim mesma que conseguiria alcançar meus objetivos sem depender dele. E consegui. Meu foco era me formar, e eu fiz isso.

Wendy assente, mas seus olhos brilham com aquela expressão típica de quem está prestes a soltar uma fofoca.

- Ele ficou uma fera na sua ausência. E os Oliveira também, já que fugir significava recusar o casamento.

Solto um suspiro.

- Eu não ia me casar com Pablo, e meu pai sabia disso muito bem.

- Valesca não perdeu tempo depois da sua partida. Fontes me disseram que os dois estão saindo, mas Pablo não quer nada sério com ela.

Deixo escapar um riso irônico.

- Era de se esperar. Aquele lá não é do tipo que se prende a alguém. O que eu não entendo é por que ele aceitou essa ideia absurda de casamento.

Wendy me lança um olhar sugestivo.

- Você realmente não sabe?

- Não me venha novamente com esse papo ridículo de que aquele idiota é apaixonado por mim.

- Você sabe que é verdade. Enquanto todas caíam aos pés dele, você sempre foi indiferente. Acho que foi isso que fez com que ele se apaixonasse. E, convenhamos, você é gata.

Reviro os olhos.

- Menos. Muito menos. Tudo o que ele queria era me adicionar à sua lista infinita de ficantes. Por isso se prestava a fazer aquele teatro absurdo de noivado.

Wendy estreita os olhos, pensativa.

- Eu não sei, não...

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