Eu e o monstro
img img Eu e o monstro img Capítulo 5 1 - Protegendo
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Capítulo 7 1 - Minha mulher img
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Capítulo 10 2 - O odeio img
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Capítulo 12 2 - Nosso erro img
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Capítulo 5 1 - Protegendo

Adrian Price

Aquela garotinha era birrenta quando criança, quando não conseguia o que queria, eu sempre dava um jeito de arranjar. Ela gritava muito quando tinha cinco anos, eu tinha apenas sete anos e mesmo quando ela nasceu eu me comprometi a protegê-la.

Adeline é filha única, não tem um irmão homem, então eu meio que fui seu irmão o tempo inteiro. Na adolescência, a protegia na escola e a ajudava com as matérias com as quais tinha dificuldade.

Quando ela se declarou para mim, eu rejeitei logo de cara, não podia ter um relacionamento com Adeline, por mais que eu quisesse protegê-la.

Sou um filho adotado criado para trabalhar a serviço dessa família, não prestava o suficiente para ser o namorado de Adeline e ainda tinha o fato de nem olhá-la. Conforme ela foi crescendo e seu corpo mudando, eu parei de fixar os meus olhos como fazia antes.

Comecei a olhá-la de longe, não queria ver que a garotinha que eu protegia estava crescendo e que uma hora talvez não precisasse mais de mim para nada.

Foi o que eu achei, me afastei de Adeline quando ela entrou para a universidade, achei que a obsessão em protegê-la devia acabar. No entanto, tudo mudou quando escutei o meu irmão dizendo ao meu pai que se casaria com Adeline.

Nunca, jamais isso aconteceria. Joe gastava todo o dinheiro que ganhava com o meu trabalho na empresa com prostitutas, fora o uso abusivo de substâncias ilícitas que ele tem no quarto dele. Adeline não sabe disso e, se por um acaso ela aceitasse esse pedido, ela teria um casamento de merda.

Sei que se casar comigo também não foi a melhor das escolhas, um casamento com alguém que ela odeia e que denominou de monstro, mas é melhor do que estar presa a um homem abusivo que gasta toda a sua grana com mulheres.

Eu sabia que, se chegasse na casa de Adeline de mãos vazias, eles não me dariam a garota e que provavelmente Adeline aceitaria o pedido do Joe mesmo não o amando, porque seria melhor do que ficar sozinha. Ela sempre achou que acabaria sozinha, me disse isso uma vez.

Foi por isso que decidi comprá-la, não me orgulho do que fiz, foi patético, mas era preciso. No momento em que eu ofereci a grana, o meu pedido foi aceito sem hesitação. Adeline tem uma família podre e não sabe disso, no final eles me deram a minha pequena e finalmente Adeline era minha.

- Acha mesmo que isso vai dar certo? - Trevor pergunta.

Trevor Tracy é o meu amigo de infância, melhor amigo na verdade. Ele também é colega do Joe, já que nós três praticamente crescemos juntos.

Desvio-me do soco que ele quase dispara em mim e então continuo o respondendo no meio da nossa luta de boxe.

- Não tem como pensar nessa possibilidade de dar errado, Adeline já está casada comigo e não tem outra saída para ela a não ser eu.

Luto box quase todas as noites, assim como bebo e fumo. Adeline me acha um badboy por causa disso, mas esses são os meus escapes, costumo dizer que é o jeito de fugir dos meus demônios por pelo menos algumas horas.

- Você não acha que está pegando pesado demais com Adeline? - Tenta me dar um soco de direita, mas eu desvio.

- Não acho, Adeline precisa de alguém que cuide dela, ela é mimada - digo, limpando o suor. - Apesar de a família dela ser uma família podre, eles pelo menos deram a ela tudo o que queria até perceberem que a grana estava acabando.

- Então você acha que praticamente salvou a Adeline e que agora tem algum direito sobre ela?

- Adeline é minha mulher agora.

É tão estranho dizer isso, que Adeline é minha mulher, soa esquisito, já que eu cuidava dela como um irmão. Trevor para de lutar e sai do ringue um pouco irritado comigo.

- Você sabe que Adeline não vai com a sua cara, ela sempre te odiou - avisa, bebendo uma garrafa de água.

Era o que eu achava, que Adeline sempre me odiou desde pequena, mas fui surpreendido quando tinha vinte anos com o seu pedido inusitado de namoro seguido por declaração extensa.

- Fiz o que era melhor para a garota, ela precisava de alguém melhor que o Joe.

- Ou ela precisava de um homem que a amasse de verdade.

Torço o meu pescoço quando penso na possibilidade de Adeline estar casada com outro homem e ainda doando amor para ele.

- Nem eu nem ela precisamos de amor - murmuro.

Eu e Adeline somos parecidos, crescemos em uma família ambiciosa e rica, sendo a minha ainda mais rica. Adeline sempre foi vista como um objeto pelos pais, por isso eles a mimavam. Ela tinha que ser bem vista perante a sociedade.

E eu sou um garoto adotado que teve que fazer de tudo para mostrar o meu valor em minha casa, ainda tenho que cuidar de todos os negócios da empresa da família.

- Você devia deixar a garota livre.

- Ela não está presa, está agarrada a mim como seu marido, mas está livre para sair e se divertir - bufo.

- É claro, mas ela não pode se envolver com homem nenhum - ele ri.

- É claro que não, ela não precisa de alguém que a toque. Ela já tem um homem dentro de casa agora e não precisa ficar caçando um, minha presença já basta.

- Você tem sérios problemas de obsessão, Adrian, me lembro de você dizendo algo sobre deixar Adeline em paz quando tinha uns vinte e um anos.

- Eu disse, mas infelizmente não pude cumprir a minha promessa, Adeline precisava de mim e eu estava disposto mesmo que ela não quisesse - reclamo. - Preciso ir, Adeline vai chegar da universidade e preciso averiguar se está bem.

- Você a trata como se ainda fosse uma garota - Trevor debocha. - Ela é uma mulher bem formada, Adrian - ele enruga os lábios.

- Cala a boca - olho sério e depois vou em direção à porta.

Não gosto de saber como os meus amigos e até mesmo o Joe olham para Adeline agora. Eles olham para a minha pequena com desejo e luxúria. Adeline sempre foi muito bonita, seus lábios são sedosos e bem vermelhos naturalmente e isso atrai a atenção de muitos homens.

Porém eu não, meu único desejo é saber que Adeline está bem e protegida, quero que ela cresça com um bom trabalho e sem a pressão psicológica que ela tinha antes, deixo claro em minha mente que estou apenas cuidando de Adeline.

                         

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