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Quando o Amor Vira Cinzas: A Ascensão de Ana
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Capítulo 2

A minha mãe acordou com o som do meu soluço contido.

Ela levantou-se rapidamente e veio para o meu lado, segurando a minha mão.

"Ana, querida. O que foi?"

"Foi o Pedro", consegui dizer entre lágrimas. "Ele estava a comprar um cão para a Sofia."

O rosto da minha mãe endureceu. Ela não precisava de mais explicações. Pegou no seu telemóvel e saiu do quarto.

Consegui ouvir a sua voz abafada no corredor, firme e zangada.

Ela voltou minutos depois, o rosto pálido.

"Falei com a tua sogra. A Helena."

Clara sentou-se na beira da cama, a sua expressão era uma mistura de raiva e pena.

"Ela disse que o Pedro fez o que era certo. Que a família vem primeiro."

"A família?", perguntei, incrédula. "Eu não sou a família dele? O nosso filho não era a família dele?"

"Para eles, a Sofia é a prioridade. Ela é a 'menina dos olhos' deles. Tu sabes como eles são."

Sim, eu sabia. Desde que me casei com o Pedro, senti que era uma estranha na sua família unida. A Helena e a Sofia eram um clã, e o Pedro era o seu protetor leal. Eu era apenas uma adição, tolerada mas nunca totalmente aceite.

A porta do quarto abriu-se de repente.

Eram eles. Helena e Sofia, de pé no limiar.

A Helena, a minha sogra, tinha uma expressão severa no rosto. Sofia estava atrás dela, os olhos vermelhos, como se tivesse estado a chorar. Ela não segurava o cão.

"Ana", disse Helena, a sua voz fria como gelo. "Viemos assim que soubemos. Que tragédia."

Não havia compaixão na sua voz. Apenas uma formalidade fria.

Sofia deu um passo à frente. "Ana, eu sinto muito. Eu não sabia... Se eu soubesse que estavas mal, eu nunca teria pedido ao Pedro para ir."

As suas palavras soaram ensaiadas.

"Mas tu sabias que eu estava grávida. Sabias que era uma gravidez de risco", respondi, a minha voz surpreendentemente firme.

"Eu sei, mas..."

"Mas um cão era mais importante", completei a frase por ela.

Helena interveio, a sua voz afiada. "Não fales assim com a Sofia! Ela já está a sofrer o suficiente. O Pedro fez uma promessa. E na nossa família, nós cumprimos as nossas promessas."

"E as promessas que ele me fez?", perguntei, olhando diretamente para ela. "A promessa de cuidar de mim e do nosso filho? Isso não conta?"

"Estás a ser dramática", disse Helena, descartando os meus sentimentos com um aceno de mão. "Perder um bebé é triste, mas acontece. Vais superar. A Sofia, por outro lado, é muito sensível. Este stress não lhe faz bem."

Olhei para a minha mãe, que estava pronta para atacar. Segurei-lhe o braço, um aviso silencioso. Esta era a minha batalha.

"Fora", disse eu, a minha voz baixa mas firme. "Saiam do meu quarto."

Helena ofegou, chocada. "Como te atreves?"

"Eu atrevo-me. Vocês não são bem-vindas aqui. Vão consolar a Sofia e o seu trauma por quase não ter recebido um cão a tempo."

A minha calma pareceu perturbá-las mais do que qualquer grito.

Sofia começou a chorar. "Eu não queria isto! Estás a ser tão má!"

"Má?", ri amargamente. "Eu estou deitada numa cama de hospital depois de perder o meu filho porque o meu marido decidiu que o teu desejo de aniversário era mais urgente. Saiam."

Helena agarrou no braço da Sofia e puxou-a para a porta. Antes de sair, ela virou-se e olhou para mim com puro veneno nos olhos.

"Vais arrepender-te disto, Ana. O Pedro nunca te perdoará por tratares a sua irmã assim."

A porta fechou-se atrás delas, deixando um silêncio pesado no quarto.

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