Divórcio: Justiça Para Lucas
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Capítulo 2

Quando cheguei, a festa ainda estava a decorrer.

Balões coloridos estavam amarrados à porta da frente. Através da janela, vi um grupo de adultos e crianças a rir.

Pedro estava no centro de tudo, a segurar um menino pequeno nos braços.

Era o Leo.

Ele estava a sorrir, um sorriso largo e feliz, o mesmo sorriso que eu não via no rosto do Pedro há anos.

Toquei à campainha.

A música parou. Os risos cessaram.

A porta abriu-se e a Sofia apareceu, com o sorriso a desvanecer-se quando me viu.

"Clara? O que estás a fazer aqui?"

Ignorei-a e passei por ela, entrando na sala.

Todos os olhos viraram-se para mim.

Pedro olhou para mim, o seu rosto uma máscara de fúria.

"Eu não te disse para não vires aqui? O que há de errado contigo?"

Ele ainda segurava o Leo, que se agarrava a ele, assustado com a minha súbita aparição.

Caminhei diretamente para ele, parando a apenas um passo de distância.

"Onde está o teu telemóvel, Pedro?" perguntei, a minha voz perigosamente calma.

"O quê?" ele franziu o sobrolho, confuso.

"O teu telemóvel. Dá-mo."

"Porque é que queres o meu telemóvel? Sai daqui, estás a fazer uma cena."

"Dá-me a porra do telemóvel, Pedro," insisti, a minha voz a subir um pouco.

Ele hesitou, depois tirou o telemóvel do bolso e atirou-mo.

Apanhei-o no ar.

Fui diretamente aos seus contactos bloqueados.

O meu nome estava lá, no topo da lista.

Mostrei-lhe o ecrã.

"Porque é que me bloqueaste, Pedro?"

"Porque estás a ser louca! A ligar com mentiras sobre o Lucas estar morto! Queres traumatizar o Leo?"

"O Lucas está morto," disse eu, olhando-o diretamente nos olhos. "Ele morreu no hospital há uma hora. Enquanto tu estavas aqui, a ignorar as minhas chamadas."

O rosto dele empalideceu.

"Não... não é verdade."

"É verdade," disse eu. "E agora, todos aqui vão saber que tipo de pai és tu."

Virei-me para os convidados chocados.

"O meu nome é Clara. Sou a esposa deste homem. O nosso filho, Lucas, morreu hoje, no seu sexto aniversário. Ele engasgou-se e eu levei-o para o hospital. Liguei ao meu marido para pedir ajuda, mas ele estava muito ocupado aqui, a celebrar com a sua ex-namorada e o filho dela."

Um murmúrio percorreu a sala.

"Ele não atendeu as minhas chamadas. E quando finalmente atendeu, acusou-me de mentir e desligou. Depois, bloqueou o meu número."

Olhei de volta para o Pedro, cujo rosto estava agora desprovido de cor.

"O nosso filho morreu sozinho, Pedro. Porque o pai dele estava a cantar os parabéns a outra criança."

Sofia deu um passo à frente. "Isso não é justo! O Leo tem uma condição cardíaca, ele não pode ficar stressado!"

"Uma condição cardíaca?" ri-me, um som oco e sem alegria. "O meu filho está morto. Morto. Entendes o que isso significa? Não há condição pior do que essa."

Pedro finalmente pareceu compreender a enormidade do que eu estava a dizer.

Ele largou o Leo e deu um passo trôpego na minha direção.

"Clara... eu... eu não sabia..."

"Claro que não sabias," cuspi as palavras. "Porque não te importaste em saber."

Atirei-lhe o telemóvel de volta. Ele bateu no seu peito e caiu no chão.

"Vamos divorciar-nos, Pedro."

"Não, Clara, espera..."

"Não há nada para esperar," interrompi-o. "Tu fizeste a tua escolha. Agora vive com ela."

Virei-me e saí da casa, deixando para trás um silêncio ensurdecedor.

Não olhei para trás.

            
            

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