Divórcio: Justiça Para Lucas
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Capítulo 4

Na semana seguinte, contratei um advogado de divórcio.

O melhor da cidade.

"Quero tudo," disse-lhe na nossa primeira reunião. "A casa, o carro, metade dos seus bens. E quero a custódia total e exclusiva do nosso filho."

O advogado, um homem chamado Sr. Mendes, olhou para mim por cima dos seus óculos.

"Senhora Alves, o seu filho... faleceu."

"Eu sei," respondi, a minha voz firme. "Mas no processo de divórcio, quero que seja registado que ele me abandonou no momento da morte do nosso filho. Quero que a sua negligência parental seja um facto legalmente documentado."

O Sr. Mendes assentiu lentamente, a sua expressão a tornar-se séria.

"Entendo. É pouco ortodoxo, mas podemos argumentar por danos emocionais e negligência. Vai ser uma luta."

"Eu não me importo," disse eu. "Eu tenho tempo. E tenho a verdade do meu lado."

Os papéis do divórcio foram entregues ao Pedro uma semana depois.

A resposta dele foi imediata.

Ele apareceu no meu local de trabalho.

Eu era gestora numa pequena galeria de arte. Era um trabalho tranquilo, um lugar de beleza e calma.

Ele destruiu essa calma no momento em que entrou.

"Clara! Precisamos de falar!" ele gritou, ignorando os olhares chocados dos poucos clientes presentes.

A minha colega, a Ana, tentou intervir. "Senhor, não pode entrar aqui a gritar."

Pedro ignorou-a. Ele marchou até à minha secretária.

"Um divórcio? É assim? Vais tirar-me tudo depois do que aconteceu?"

Levantei-me, o meu rosto impassível.

"O que aconteceu, Pedro, foi que deixaste o nosso filho morrer sozinho."

"Eu não o deixei morrer! Eu não sabia!" a sua voz estava cheia de uma auto-piedade que me enojava.

"Tiveste 17 chamadas perdidas minhas. Isso não foi suficiente para te fazer pensar que algo estava errado?"

"Eu estava com o Leo! A Sofia disse-me que estavas a ser dramática!"

"E tu acreditaste nela em vez da tua esposa," concluí por ele. "Isso diz tudo o que preciso de saber."

"Clara, por favor," ele baixou a voz, tentando parecer conciliador. "Eu cometi um erro. Um erro terrível. Mas amo-te. Eu amava o Lucas."

"O teu amor não vale nada," disse eu, a minha voz cortante. "As tuas ações mostraram isso. Agora, por favor, sai da minha galeria. Estás a perturbar os meus clientes."

"Eu não vou a lado nenhum até me ouvires!"

"Então vou chamar a segurança," respondi, pegando no telefone da secretária.

Ele olhou para mim, o seu rosto uma mistura de descrença e raiva.

Ele viu a determinação nos meus olhos. Ele sabia que eu não estava a brincar.

Ele deu um passo atrás, abanando a cabeça.

"Tu mudaste, Clara. Estás tão fria."

"A morte do meu filho arrefeceu-me," disse eu. "Tu devias tentar. Talvez te desse alguma perspetiva."

Ele saiu furioso da galeria, batendo a porta com força suficiente para fazer tremer os quadros nas paredes.

Sentei-me, as minhas mãos perfeitamente firmes.

A luta tinha apenas começado.

                         

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