O meu filho Lucas estava a celebrar o seu sexto aniversário.
Pela manhã, ele estava cheio de alegria, a sonhar com o seu bolo de super-herói.
Mas o destino trocou-nos as voltas: ele engasgou-se e morreu nos meus braços.
Liguei desesperadamente ao meu marido, Pedro, para pedir ajuda.
Ele atendeu, mas não me ouviu.
Estava a celebrar o aniversário do filho da ex-namorada, o Leo.
A sua voz, quando finalmente me ouviu, era de pura irritação.
Acusou-me de "drama" e desligou na minha cara.
Depois, bloqueou-me.
O meu filho jazia morto a poucos metros de mim, no hospital.
E o pai dele preferiu a festa, achando que era uma simples mentira.
Como podia ele ser tão cego? Tão desprezível?
Nenhum ódio. Nenhuma raiva. Apenas um vazio vasto e frio.
Mas por baixo dessa dor esmagadora, uma resolução se formou.
Ele pagaria. Eu jurei que ele pagaria.
Agarrei no telemóvel e chamei um táxi.
"Para a Rua das Flores, número 12, por favor."
Eu ia cobrar-lhe. Agora.