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O Retorno da Esposa Traída
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Capítulo 1

O cheiro de café fresco e pão torrado enchia o ar. Eu abri os olhos, confusa. A luz do sol entrava suavemente pela janela da cozinha, a mesma cozinha que eu tinha decorado com tanto carinho. Olhei para as minhas mãos, elas eram jovens, sem as cicatrizes e o cansaço que eu me lembrava.

Então, a memória me atingiu como um trem desgovernado.

O fogo. O carro retorcido. O grito desesperado de minha mãe ao telefone quando soube que meu pai teve um ataque cardíaco. A imagem do meu marido, Rafael, com o rosto pálido e derrotado no tribunal. E eu, no final, pulando daquela ponte, com o som das sirenes e o ódio anônimo da internet ecoando nos meus ouvidos.

Eu morri.

Mas agora, eu estava aqui. Viva. Na minha cozinha.

Meu coração disparou. Corri até o espelho do corredor e encarei meu reflexo. Era eu, mas mais jovem. A data no calendário digital na parede confirmou meu medo e minha esperança. Era o dia. O dia em que tudo começou.

Na minha vida passada, este era um dia feliz. Eu acordei cedo para preparar um café da manhã especial para o Rafael, para comemorar nosso aniversário de casamento. Eu era uma influenciadora digital de nicho, focada em decoração e vida doméstica, sempre prezando pela minha privacidade. Eu amava minha vida simples e autêntica.

O erro foi fazer isso no jardim da frente.

Beatriz, uma famosa blogueira de "empoderamento feminino" , estava passando pela rua. Ela não me conhecia, mas viu uma oportunidade. Com o celular na mão, ela filmou a cena: eu, arrumando a mesa, sorrindo enquanto esperava meu marido. Ela postou o vídeo com uma legenda venenosa.

"Em pleno século XXI, ainda vemos mulheres presas ao papel de 'esposa troféu' . Onde está a sua independência? Onde está a sua carreira? O feminismo lutou para isso?"

O vídeo viralizou em minutos. Fui rotulada como "esposa submissa" , um mau exemplo para as mulheres. A avalanche de ódio foi implacável. Minha vida virou um inferno. Meus contratos de publicidade foram cancelados. Meus pais, pessoas simples do interior, foram assediados por repórteres. A pressão fez a saúde do meu pai, que já era frágil, piorar. Ele não resistiu. Minha mãe entrou em uma depressão profunda. Rafael tentou me defender com processos legais, mas a justiça era lenta e a internet, cruel. Perdemos tudo.

Só depois da minha morte, a verdade veio à tona, tarde demais. A raiz de tudo não era o feminismo. Era uma vingança pessoal.

Beatriz era obcecada por Carlos, um produtor musical rico e influente. Anos atrás, ele a rejeitou publicamente. Para justificar a dispensa, ele usou uma desculpa qualquer, dizendo que preferia mulheres como eu, "discretas e prendadas" . Beatriz nunca esqueceu. Quando ela me viu, ela não viu uma mulher, ela viu um alvo. Ela me usou para atacar o tipo de mulher que Carlos supostamente preferia. Ela queria provar a ele que esse ideal era patético e retrógrado.

Eu e minha família fomos apenas danos colaterais na guerra particular dela.

Agora, eu estava de volta. Com todas as memórias, com toda a dor. O cheiro de café não era mais um conforto, era o cheiro do início do fim.

Mas desta vez, não haveria um fim trágico.

Eu não iria chorar. Eu não iria processar. Eu não iria me esconder.

Na minha vida passada, eu lutei contra a imagem que criaram de mim. Tentei provar minha autenticidade, minha força. Foi inútil. Eles não queriam a verdade, queriam um espetáculo.

Então, desta vez, eu daria a eles um espetáculo.

Voltei para a cozinha, minhas mãos firmes. Olhei para a mesa posta com carinho. O plano começou a se formar na minha cabeça, claro e afiado. Se eles queriam uma "esposa ideal" , eu seria a melhor "esposa ideal" que eles já viram. Eu usaria a imagem que Beatriz criou para me destruir, e a transformaria na minha maior arma. Eu abraçaria o rótulo. Eu o transformaria em poder.

Eu não seria mais a vítima. Eu seria a estrategista.

Fui até o meu quarto, abri o guarda-roupa e escolhi um vestido leve, branco, que realçava minha aparência inocente e delicada. Gastei alguns minutos extras na maquiagem, nada pesado, apenas o suficiente para parecer fresca, radiante e um pouco vulnerável. Eu precisava parecer exatamente como a mulher que Beatriz queria que o mundo odiasse.

A vingança não seria apenas contra Beatriz. Seria contra Carlos também. Ele me usou como desculpa, ele acendeu o pavio. Os dois iriam pagar.

Desta vez, eu não perderia. Eu protegeria minha família, garantiria nossa felicidade e faria com que cada pessoa que nos machucou se arrependesse amargamente. A cortina estava se abrindo para o segundo ato da minha vida, e eu seria a diretora desta peça.

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