Eu não perdi tempo. Comecei a postar conteúdo regularmente, sempre dentro da imagem que eu estava construindo. Vídeos curtos de receitas rápidas e deliciosas, dicas de organização doméstica que pareciam saídas de uma revista de luxo, tutoriais de como criar um ambiente acolhedor em casa. Tudo era esteticamente perfeito, filmado com uma qualidade impecável.
Mas o segredo não estava apenas na imagem. Eu usava meu conhecimento real. Eu sou formada em design de interiores e tenho um talento nato para a culinária. As dicas que eu dava eram genuinamente úteis, as receitas, deliciosas. As pessoas testavam e comprovavam. Isso construiu uma camada de credibilidade e confiança sobre a imagem de "esposa perfeita" . Eu não era apenas um rostinho bonito e vulnerável, eu era competente.
Os comentários mudaram completamente.
"Luana, fiz sua receita de bolo de cenoura, meu marido amou! Obrigada!"
"Suas dicas de organização salvaram meu casamento! Minha casa nunca esteve tão arrumada."
"Você é uma inspiração! Mostra que a gente pode ser feliz cuidando da nossa família."
Eu me tornei um símbolo. Para muitas mulheres, eu representava a validação de uma escolha de vida que o feminismo radical de pessoas como Beatriz tentava apagar. Eu nunca critiquei o feminismo ou as mulheres que trabalhavam fora. Eu apenas celebrava o meu próprio caminho, o que me tornava imune a ataques diretos.
Enquanto isso, Beatriz estava se remoendo de raiva. Ela via meus números subindo, minha popularidade crescendo. Ela, a grande blogueira do empoderamento, havia criado sua própria rival por acidente. A mulher que ela tentou humilhar estava se tornando mais famosa do que ela.
A oportunidade de ouro para o próximo passo do meu plano apareceu na forma de um e-mail. Uma marca famosa de eletrodomésticos de luxo, a mesma que patrocinava Beatriz há anos, me ofereceu um contrato. Um contrato muito maior do que o dela. Eles queriam que eu fosse o novo rosto da sua linha de cozinha.
Eu sabia que isso a destruiria por dentro.
Assinei o contrato e, alguns dias depois, a primeira peça da campanha foi ao ar: um vídeo lindo, cinematográfico, de mim preparando um jantar sofisticado na minha cozinha impecável, usando os produtos da marca. O vídeo terminava comigo e Rafael jantando à luz de velas, sorrindo um para o outro. Era a personificação do sonho doméstico.
A reação foi imediata. O vídeo teve milhões de visualizações. A marca registrou um pico de vendas. Eu estava no topo.
Beatriz não aguentou.
Naquela mesma noite, um novo perfil anônimo começou a me atacar nos comentários. As mensagens eram diferentes do ódio genérico. Eram pessoais, venenosas, cheias de uma raiva específica.
"Essa aí é uma fraude. Aposto que tem dez empregadas pra limpar a sujeira dela."
"Essa cara de santa não me engana. Mulherzinha sonsa que só quer arrancar dinheiro de homem."
"Essa felicidade toda é fake. Nenhum casamento é perfeito assim. Ela tá mentindo pra vocês."
Era óbvio quem estava por trás daquilo. A linguagem, a obsessão, a inveja pura. Beatriz era descuidada na sua raiva.
Eu não respondi. Não bloqueei. Eu apenas tirei prints de tudo. Cada comentário, cada ataque. Eu os salvei em uma pasta segura no meu computador, chamada "Evidências" . Rafael, com seu olhar de advogado, me ajudou a documentar tudo, registrando os IPs e os horários.
Eu sabia que Beatriz não pararia por aí. A inveja era como um veneno que a consumia por dentro, e ela precisava expelir. Ela me daria mais munição. Tudo o que eu precisava fazer era continuar sorrindo para a câmera, mantendo minha imagem impecável e esperando.
Eu estava tecendo uma teia, e Beatriz estava caminhando direto para o centro dela, cega pelo próprio ódio. E logo, eu puxaria os fios.
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