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O Segredo do Meu Noivo: Uma Traição no Dia do Casamento
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Helena Romano

"Vou pedir ao RH para transferi-la para o departamento de arquivos no subsolo na segunda-feira de manhã. Eu prometo."

As palavras de Bernardo ecoavam na minha cabeça, uma promessa oca e zombeteira contra o pano de fundo da cena caótica que se desenrolava ao meu redor. Ele havia prometido. Ele, Bernardo Arruda, a estrela em ascensão do mundo jurídico de São Paulo, um homem cuja palavra deveria ser sua garantia, tinha olhado nos meus olhos e mentido no dia do nosso casamento.

Eu construí minha confiança nele ao longo de sete anos, tijolo por tijolo meticuloso. Eu acreditei em sua integridade, em seu caráter. Eu apostei todo o meu futuro, e o futuro do nosso filho ainda não nascido, na crença de que ele era um bom homem.

Naquele momento único e devastador, percebi que havia perdido a maior aposta da minha vida.

A cólica aguda em meu abdômen diminuiu para uma dor surda e persistente. Era uma manifestação física da ferida aberta que ele havia rasgado dentro de mim. Olhei para minha mão, aquela que ele acabara de soltar. Estava vazia.

Meu reflexo no chão de mármore polido era uma caricatura distorcida e patética de uma noiva. Uma mulher abandonada. Uma tola.

Meu celular, guardado na bolsa da minha mãe, começou a vibrar incessantemente. Eu sabia que era ele. Um fluxo interminável de mensagens tentando amenizar a situação, gerenciar a crise.

*Carla só estava desidratada. Os paramédicos estão aqui. Ela está bem.*

*Me desculpe, amor. Isso é só uma bagunça. Eu volto logo, prometo. Ainda podemos fazer isso.*

*Helena, por favor, me atenda.*

Eu não senti nada. A vibração frenética era apenas um inseto irritante que eu queria espantar. O homem que enviava aquelas mensagens era um estranho para mim agora.

Respirei fundo, o espartilho do meu vestido cravando em minhas costelas. Eu precisava respirar. Eu precisava pensar. Empurrei para baixo a onda de desgosto e humilhação, substituindo-a por uma camada fria e dura de gelo.

Endireitei os ombros, levantei o queixo e me virei para encarar a multidão atônita. Minha mãe já estava ao meu lado, seu rosto pálido de preocupação.

"O que aconteceu? Onde está o Bernardo?", ela sussurrou, seus olhos percorrendo o salão.

Antes que eu pudesse responder, caminhei até o microfone do celebrante. Minhas mãos estavam perfeitamente firmes enquanto eu o ajustava. O salão caiu em um silêncio súbito e completo. Todos os olhos estavam em mim.

"Peço desculpas por ter desperdiçado o tempo de todos vocês", eu disse, minha voz clara e uniforme, amplificada pelo grande salão ensolarado. "Parece que não haverá casamento hoje. A cerimônia está cancelada. Por favor, aproveitem o espumante e os canapés na saída."

Um suspiro coletivo, mais alto desta vez. Uma avalanche de sussurros irrompeu como fogo em palha seca.

A mãe de Bernardo, Eleonora Arruda, uma mulher obcecada por status social e aparências, abriu caminho pela multidão, seu rosto uma máscara trovejante de indignação.

"Helena! O que significa isso?", ela sibilou, agarrando meu braço. "Você enlouqueceu? Você não pode simplesmente cancelar um casamento! Pense na vergonha! O que as pessoas vão dizer?"

A preocupação dela não era comigo, a noiva deixada sozinha. Era com o nome da família Arruda. Com a imagem imaculada que eles haviam cultivado com tanto cuidado.

Minha própria mãe, Catarina, viu algo em meu rosto que Eleonora não percebeu. Ela notou o leve tremor em minha mão, a maneira como meu rímel à prova d'água cuidadosamente aplicado começava a borrar um pouquinho nos cantos dos meus olhos.

"Helena, querida, você e o Bernardo brigaram?", ela perguntou gentilmente, sua voz cheia de uma preocupação real e profunda.

A pergunta simples e amorosa foi a única coisa que ameaçou quebrar minha compostura gelada. Um nó se formou em minha garganta, grosso e doloroso. Eu queria desabar em seus braços, soluçar como uma criança. Mas eu não podia. Não aqui. Não na frente de todas essas pessoas. Não na frente de Eleonora Arruda.

"Não seja ridícula, Catarina", Eleonora retrucou. "Bernardo a adora. Isso é só a Helena sendo dramática. Onde está meu filho?"

A dor surda em minha barriga pulsou novamente, um lembrete cruel do segredo que eu guardava. Bernardo. O queridinho de todos. O confiável e firme Bernardo Arruda que nunca faria nada para causar uma cena. O homem que, naquela mesma manhã, me prometeu a eternidade.

Virei meu olhar para a mãe dele, meus olhos tão frios e duros quanto os diamantes em minhas orelhas.

"Ele se foi", eu disse, minha voz desprovida de emoção. "Ele fugiu."

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