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Entre o silêncio e a lua
img img Entre o silêncio e a lua img Capítulo 3 O Segredo dos Blackwood
3 Capítulo
Capítulo 6 Sob o Sangue da Lua img
Capítulo 7 Ecos da Maldição img
Capítulo 8 Sob o Caçador da Lua img
Capítulo 9 Entre sangue e promessas img
Capítulo 10 Correntes e Desejo img
Capítulo 11 A Maldição dos Blackwood img
Capítulo 12 A casa dos Ecos img
Capítulo 13 Corações em guerra img
Capítulo 14 Sob luar img
Capítulo 15 A CANÇÃO DA NOITE img
Capítulo 16 ECOS DO CAÇADOR img
Capítulo 17 O Primeiro Ataque img
Capítulo 18 As Consequências img
Capítulo 19 - O Sangue da Lua img
Capítulo 20 A Primeira Luz img
Capítulo 21 Quando o Lobo Sente Falta img
Capítulo 22 - O Primeiro Vínculo img
Capítulo 23 Sob Mira img
Capítulo 24 - Ascensão da Lua img
Capítulo 25 Sangue Prateado img
Capítulo 26 O Coração da Fera img
Capítulo 27 O Preço da Lua img
Capítulo 28 Chamado da Noite img
Capítulo 29 A Criatura Antiga img
Capítulo 30 O Ciclo da Lua img
Capítulo 31 A Marca da Lua img
Capítulo 32 Os Sussurros da Floresta img
Capítulo 33 A Lua de Sangue img
Capítulo 34 O Primordial img
Capítulo 35 A Loba do Eclipse img
Capítulo 36 - O Treinamento da Lua img
Capítulo 37 A Ameaça img
Capítulo 38 O Monitor da Noite img
Capítulo 39 O Cerco da Meia-Noite img
Capítulo 40 O Limiar da Noite img
Capítulo 41 O Reino Esquecido img
Capítulo 42 A Sombra do Guardião img
Capítulo 43 Juramento Lunar img
Capítulo 44 A guerra silenciosa img
Capítulo 45 O preço do trono img
Capítulo 46 A coroa de sangue img
Capítulo 47 O rei da lua img
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Capítulo 3 O Segredo dos Blackwood

Lívia

A segunda-feira amanheceu com o céu coberto de nuvens espessas, o tipo de dia em que o sol parece desistir antes mesmo de tentar.

Eu não dormi direito - cada vez que fechava os olhos, via Noah entre as árvores, os olhos dele brilhando, a voz rouca me mandando fugir.

Mas o que realmente me deixava sem ar era a sensação de que, mesmo longe, ele ainda me sentia.

Como se houvesse algo invisível nos ligando.

Quando cheguei à escola, percebi que algo estava diferente.

Os alunos cochichavam pelos corredores, olhares desconfiados se cruzando.

Uma notícia corria: um morador havia sido encontrado ferido perto da floresta.

Diziam que fora um ataque de animal.

Mas quando passei por Noah no corredor - e vi o arranhão em seu braço -, entendi que talvez o ataque não fosse apenas um rumor.

- O que aconteceu? - perguntei, parando diante dele.

- Nada - respondeu sem me encarar.

- Noah, você está sangrando.

- Não é o meu sangue.

O modo como ele disse aquilo me gelou.

Antes que eu pudesse insistir, ele já tinha se afastado, deixando para trás um silêncio denso e o eco do meu próprio coração acelerado.

Durante a aula de História, não consegui prestar atenção em nada.

Noah estava no fundo, olhando fixamente pela janela, os dedos tamborilando sobre a mesa como se contassem os segundos para algo acontecer.

A cada vez que eu desviava o olhar, o instinto me forçava a olhar de novo.

E então, no meio da explicação do professor, ele levantou-se e saiu.

Sem pedir permissão.

Sem dizer uma palavra.

Algo em mim me mandou segui-lo.

Saí alguns minutos depois, o corredor vazio e o som dos meus passos ecoando.

Quando abri a porta que dava para os fundos da escola, vi Noah parado ali, encostado no muro, com a cabeça baixa e o punho fechado.

- Por que você me seguiu? - perguntou, sem olhar.

- Porque... eu me preocupo.

Ele ergueu o olhar - e por um segundo, eu quase recuei.

Os olhos dele estavam cinzentos demais, como metal líquido.

Bonitos e assustadores ao mesmo tempo.

- Você não devia se aproximar de mim, Lívia.

- Então por que você sempre aparece quando eu preciso? - devolvi.

O silêncio entre nós ficou carregado.

O vento levantou os cabelos dele, e eu percebi a tensão no maxilar, o esforço para manter o controle.

- Você não entende... o que eu sou, o que eu carrego, o que eu posso fazer com você.

- Então me explica, Noah. - minha voz saiu mais firme do que eu esperava. - Me deixa entender.

Ele deu um passo à frente.

Depois outro.

Até que o espaço entre nós desapareceu.

O cheiro dele - madeira, chuva e algo selvagem - me envolveu.

- Se eu te contar, você nunca mais vai me olhar do mesmo jeito.

- Já é tarde pra isso.

Por um instante, o tempo parou.

Os olhos dele desceram até minha boca, e o ar ficou denso, pesado.

Era como se o mundo inteiro estivesse suspenso naquela respiração compartilhada.

Mas então ele se afastou bruscamente.

Como se algo dentro dele o puxasse de volta.

- Os Blackwood não são o que parecem - disse ele, a voz rouca. - Fique longe da floresta. Fique longe de mim.

E foi embora, me deixando sozinha com um coração descompassado e uma nova certeza:

quanto mais ele tentava me afastar, mais eu queria entender o que o prendia à escuridão.

---

Noah

Ela não faz ideia do que está pedindo.

Se soubesse o que vi nas últimas luas, o que fiz pra manter o lobo sob controle, ela fugiria sem olhar pra trás.

Mas em vez disso, ela me encara com aqueles olhos castanhos - quentes, curiosos - e tudo dentro de mim se parte.

O humano tenta falar mais alto, mas o lobo sussurra: Ela é sua.

Eu não posso deixá-la se aproximar.

Não quando o instinto começa a crescer dentro de mim como fogo.

A marca no braço latejava.

O sangue do ataque ainda estava ali, misturado com o meu.

Era sinal de que eles estavam perto.

A matilha que eu deixei pra trás.

Os mesmos que fariam de tudo pra me caçar... e agora, talvez, caçar ela também.

Voltei pra casa antes do pôr do sol.

A casa dos Blackwood ficava afastada, entre colinas e árvores antigas.

Por fora, parecia abandonada. Por dentro, era o único lugar onde eu podia deixar o lobo respirar.

No porão, um espelho quebrado refletia meu rosto cansado.

Aos poucos, os olhos mudaram de cor - do cinza para o âmbar profundo.

E as veias sob minha pele começaram a brilhar como prata líquida.

O rugido veio sem aviso.

Um som rouco, primal, que fez as paredes tremerem.

E no meio do caos, uma imagem atravessou minha mente:

Lívia.

Sozinha. No bosque. Me chamando.

Eu sabia o que isso significava.

A marca estava se formando - o laço entre nós, o mesmo que destruiu meus pais.

E a cada batida do meu coração, a fera dentro de mim sussurrava uma verdade que eu não podia aceitar:

Você pode tentar fugir do destino, Noah... mas ela já é sua lua.

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