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Entre o silêncio e a lua
img img Entre o silêncio e a lua img Capítulo 4 O Lobo da Colina Norte
4 Capítulo
Capítulo 6 Sob o Sangue da Lua img
Capítulo 7 Ecos da Maldição img
Capítulo 8 Sob o Caçador da Lua img
Capítulo 9 Entre sangue e promessas img
Capítulo 10 Correntes e Desejo img
Capítulo 11 A Maldição dos Blackwood img
Capítulo 12 A casa dos Ecos img
Capítulo 13 Corações em guerra img
Capítulo 14 Sob luar img
Capítulo 15 A CANÇÃO DA NOITE img
Capítulo 16 ECOS DO CAÇADOR img
Capítulo 17 O Primeiro Ataque img
Capítulo 18 As Consequências img
Capítulo 19 - O Sangue da Lua img
Capítulo 20 A Primeira Luz img
Capítulo 21 Quando o Lobo Sente Falta img
Capítulo 22 - O Primeiro Vínculo img
Capítulo 23 Sob Mira img
Capítulo 24 - Ascensão da Lua img
Capítulo 25 Sangue Prateado img
Capítulo 26 O Coração da Fera img
Capítulo 27 O Preço da Lua img
Capítulo 28 Chamado da Noite img
Capítulo 29 A Criatura Antiga img
Capítulo 30 O Ciclo da Lua img
Capítulo 31 A Marca da Lua img
Capítulo 32 Os Sussurros da Floresta img
Capítulo 33 A Lua de Sangue img
Capítulo 34 O Primordial img
Capítulo 35 A Loba do Eclipse img
Capítulo 36 - O Treinamento da Lua img
Capítulo 37 A Ameaça img
Capítulo 38 O Monitor da Noite img
Capítulo 39 O Cerco da Meia-Noite img
Capítulo 40 O Limiar da Noite img
Capítulo 41 O Reino Esquecido img
Capítulo 42 A Sombra do Guardião img
Capítulo 43 Juramento Lunar img
Capítulo 44 A guerra silenciosa img
Capítulo 45 O preço do trono img
Capítulo 46 A coroa de sangue img
Capítulo 47 O rei da lua img
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Capítulo 4 O Lobo da Colina Norte

Lívia

A chuva caiu pesada naquela noite, grossa e fria, como se o céu quisesse lavar a cidade inteira.

Eu tentava estudar, mas os trovões me distraíam.

Cada relâmpago iluminava o quarto e, por um instante, eu jurava ver uma silhueta parada do lado de fora da janela - alta, imóvel, observando.

Balancei a cabeça.

Era só paranoia. Ou medo. Ou talvez os dois.

Desde que Noah dissera para eu ficar longe da floresta, algo dentro de mim ardia de curiosidade.

Era como se, quanto mais ele me alertava, mais eu sentisse vontade de desobedecer.

E quando o relógio marcou meia-noite, a decisão já estava feita.

Peguei o casaco, desci em silêncio e saí pela porta dos fundos.

O ar estava frio e úmido.

As luzes da rua morriam antes da curva que levava ao bosque.

A cada passo, a névoa engolia mais o caminho, e o coração batia como um tambor.

"Você não devia estar aqui."

A voz dele ecoava na minha mente, mas eu segui mesmo assim.

A floresta era diferente à noite - viva, quase respirando.

Galhos se moviam como mãos e o vento sussurrava nomes.

O meu, entre eles.

De repente, um som - baixo, rouco, como um rosnado contido.

Vinha do alto da colina.

O instinto dizia para correr, mas o coração... o coração me empurrava pra frente.

Quando cheguei ao topo, o que vi tirou o ar dos meus pulmões.

Havia um lobo.

Enorme. Negro como sombra, os olhos dourados brilhando no escuro.

Ele não parecia um animal comum - havia algo humano naquele olhar.

E, por um segundo, senti... paz.

Como se ele me reconhecesse.

Como se o medo e a curiosidade se misturassem num mesmo arrepio.

- Noah? - sussurrei, sem saber por que.

O lobo deu um passo à frente, o olhar fixo em mim.

E, então, outro relâmpago cortou o céu.

Quando a luz passou, o animal já não estava lá - apenas pegadas na lama, levando até a clareira, onde encontrei algo jogado:

Uma camiseta preta.

Molhada. Rasgada.

Com o cheiro dele.

Senti as pernas tremerem.

O coração disparou, e o som distante de passos humanos veio da floresta.

- Lívia! - A voz dele. - O que você está fazendo aqui?!

Ele surgiu do escuro, o corpo suado, o olhar selvagem, a respiração ofegante.

Sem camisa, com a pele marcada de arranhões e o pescoço latejando.

- Você está ferido!

- Eu te disse pra não vir - rosnou, aproximando-se rápido. - Você não tem ideia do perigo que corre.

- Eu te vi! - gritei. - Eu vi o lobo!

Ele parou, os olhos arregalados.

O silêncio que se seguiu foi quase doloroso.

A chuva caía entre nós, fria, insistente.

E então, em voz baixa, quase um sussurro, ele disse:

- Então... agora você sabe.

Meu coração bateu tão forte que doeu.

O mundo pareceu girar.

Ele desviou o olhar, os ombros tensos.

- Não era pra você descobrir assim.

- Descobrir o quê, Noah? O que você é?

Ele respirou fundo, os olhos mudando de cor bem diante de mim - do cinza para o âmbar vivo.

E quando falou de novo, a voz já não soava inteiramente humana.

- Eu sou o que te disseram pra temer nas histórias.

O que vive entre o sangue e a lua.

O que nunca devia te amar.

A chuva cessou.

Tudo ficou em silêncio.

E, ainda assim, o que mais ecoou dentro de mim foi o "amar".

Antes que eu pudesse responder, ele já tinha se afastado, sumindo entre as árvores - deixando-me sozinha, tremendo, com a certeza de que minha vida jamais voltaria a ser a mesma.

---

Noah

Ela não devia ter me visto.

Não daquele jeito.

Não enquanto o lobo ainda pulsava sob minha pele.

Cada vez que ela diz meu nome, algo dentro de mim se parte.

Metade de mim quer protegê-la.

A outra metade quer marcá-la - torná-la parte de mim.

Mas eu não posso.

Eu não devia.

A maldição dos Blackwood nunca perdoou quem se apaixonou por uma humana.

Fechei os olhos e ainda senti o cheiro dela na chuva.

Doce. Quente. Inocente demais.

E ao mesmo tempo, a única coisa capaz de me trazer de volta quando a fera ameaça tomar o controle.

O problema é que o laço já começou.

E uma vez que o lobo escolhe... não há volta.

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