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O Amor Construído Sobre Mentiras Silenciosas
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Capítulo 5

Ponto de Vista de Elisa:

O rosto de Bruno era um espelho de sua culpa – constrangimento, vergonha e um brilho de defensiva. Ele parou a alguns metros de mim, as mãos enfiadas nos bolsos. Ele não conseguia encontrar meu olhar.

Fingi não notar. Aproximei-me, estendendo a mão para tirar uma partícula de cinza de sua camisa branca. Meus dedos tremeram levemente, mas mantive meus movimentos firmes, meu rosto cuidadosamente inexpressivo. O toque foi mecânico, desprovido de qualquer calor.

Peguei meu celular e digitei: *Sua mãe está preocupada. Ela me pediu para te encontrar.* Mostrei para ele ler.

Suas sobrancelhas se franziram, uma admissão silenciosa da preocupação de sua mãe. Nesse momento, uma voz estridente cortou o ar. "Bruninho! Quem é essa? Sua cachorrinha de guarda muda de novo?" Amanda, com seu cabelo ruivo selvagem, emergiu das sombras esfumaçadas, seus olhos se estreitando para mim. "Ainda tentando se agarrar a ele, Elisa? Patético."

Senti minha mão instintivamente alcançar Bruno, meus dedos se fechando em seu braço. Digitei furiosamente no meu celular: *Vá para casa, Bruno. Por favor. Seus pais precisam de você.* Era um apelo desesperado, um teste final.

Ele olhou de mim para Amanda, seu rosto preso entre dois mundos. Seus olhos suplicaram para mim. *Elisa, por favor. Apenas vá para casa. Eu vou mais tarde.* Sua voz era baixa, cheia de uma frustração que pareceu um soco.

Ele gentilmente tentou soltar meus dedos de seu braço, seu toque ainda familiar, ainda capaz de enviar um arrepio pela minha espinha, mas desta vez, foi um arrepio de pavor.

Eu recuei, minha mão se afastando da dele como se ele tivesse me queimado. Eu não o deixaria me oferecer um conforto que ele não sentia. Não mais.

Ele suspirou, seus olhos nublados por uma tristeza que parecia performática. Ele não falou, não gesticulou. Apenas ficou ali, preso.

Meu coração endureceu. Peguei meu celular novamente, meus polegares voando pela tela. *Eu não gosto da Amanda. Se você ficar com ela, eu vou embora. Pra sempre.* Foi a primeira coisa verdadeiramente dura que eu já disse a ele, uma declaração de guerra, entregue em preto e branco.

Seus olhos se arregalaram, surpresa brilhando em seu rosto. Ele piscou, claramente pego de surpresa pela minha franqueza. *Elisa, não seja boba. Não faz cena.* Ele gesticulou, suas mãos se movendo rapidamente. *Você é sempre tão boazinha. Não comece a dar show agora.* Ele me tratou com condescendência, descartou meus sentimentos como teatro infantil.

*A Amanda é só... ela é só um pouco selvagem às vezes. Não é nada sério.* Ele a estava defendendo, dando desculpas por sua crueldade. A ironia era um gosto amargo na minha boca.

Uma risada oca me escapou, um som silencioso e zombeteiro. Puxei minha mão da dele, a última conexão entre nós rompida.

Sua mão caiu, a perda súbita do meu toque deixando um vazio frio em sua palma, uma dor oca em seu peito. Ele ficou congelado, me observando.

"Bruno! Vamos!" choramingou Amanda atrás dele, sua voz exigente, impaciente. "Ela só está tentando causar problemas!"

Bruno soltou um rugido de frustração, virando-se para gritar com Amanda, a máscara de compostura cuidadosamente construída finalmente rachando. "Cala a boca, Amanda!", ele gritou. Sua explosão foi súbita, violenta, cheia de raiva reprimida.

Caminhei até o carro que me esperava, a porta já aberta. Olhei no retrovisor. Bruno ainda estava no beco, Amanda agarrada ao seu braço, a cabeça enterrada em seu ombro, o corpo tremendo com o que pareciam ser soluços. Meus lábios se curvaram em um sorriso minúsculo, quase imperceptível. Eu venci.

Alguns minutos depois, a porta do passageiro se abriu. Bruno entrou, o cheiro de fumaça de cigarro velha impregnado em suas roupas. Ele bateu a porta, o som ecoando no espaço confinado.

"Me leva pra casa", ele murmurou, sua voz monótona, derrotada.

No retrovisor, Amanda ainda estava lá, batendo o pé, lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela parecia furiosa, frustrada.

A vingança de Amanda foi rápida e brutal.

Na manhã seguinte, meu celular vibrou incessantemente. O grupo da turma no WhatsApp estava explodindo. Mensagens, fotos, vídeos - uma torrente de lixo digital. Meu estômago revirou. Era eu. Fotos minhas, seminua, no banheiro. Vídeos meus sendo atormentada. As imagens, distorcidas e embaçadas, mas ainda inconfundíveis, enchiam minha tela. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair. Meu corpo tremia com um medo frio e desesperado.

Bruno, sentado ao meu lado no carro, se inclinou, curioso. *O que foi?*, ele gesticulou, a testa franzida de preocupação.

Apertei rapidamente o botão de bloqueio, desligando a tela antes que ele pudesse ver. Eu não podia deixá-lo ver. Ainda não.

Forcei um sorriso tenso e artificial, balançando a cabeça. *Nada. Só o grupo da turma.* Minhas mãos gesticularam as palavras, meu rosto uma máscara em branco. Entramos na escola, lado a lado, uma imagem de normalidade, mas por dentro, eu estava desmoronando.

Os sussurros começaram imediatamente, um zumbido baixo e venenoso. Os olhos nos seguiram, desviando quando eu os encontrava. Fingi não ouvir, não ver. Mantive a cabeça erguida, o maxilar cerrado, o olhar fixo à frente. Mas cada sussurro, cada olhar, era uma faca se revirando em meu estômago.

Bruno, alheio no início, rapidamente percebeu a mudança. Ele continuava se virando, seu rosto ficando mais pálido a cada minuto que passava. Ele viu os olhares, ouviu os tons abafados. Sua preocupação, antes uma performance, agora parecia assustadoramente real.

Assim que chegamos à nossa sala, Bruno marchou até Amanda, agarrando seu braço e puxando-a para o corredor. Suas vozes, abafadas, mas acaloradas, chegaram até a sala.

Amanda estava chorando, soluços altos e teatrais. "Não fui eu! Eu juro! Eu nunca faria isso!", ela lamentava, suas negações soando vazias. Ninguém acreditou nela. Nem os alunos, nem os professores, e certamente não Bruno. Ele a conhecia bem demais.

Seus olhos, vermelhos e inchados, encontraram os meus do outro lado da sala. Estavam cheios de um ódio cru e puro.

Mais tarde naquele dia, aconteceu de novo. Amanda, junto com sua gangue, me encurralou no banheiro feminino. Desta vez, não havia saco de lona, nem pretexto. Apenas malícia crua e desenfreada.

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