O final de semana chegou e, em meio ao caos na minha vida pessoal, compareci à festa da tia Leide, acompanhado dos meus dois filhos. No caminho, eu os adverti sobre a importância de serem simpáticos com todos, afinal não quero eles com fama de mal educados.
Assim que chegamos, tia Leide, muito simpática, veio nos receber com toda a sua exuberância e luxo digna de uma legítima anfitriã.
- Como é bom ver o quanto essas crianças cresceram! - Ela disse, abraçando os meus dois filhos.
- O tempo voou para todos nós - Falei, lembrando que já fazia dois anos que a mãe deles nos havia abandonado.
Eles sorriram para a tia Leide. Eu os observei enquanto contavam como iam na escola, até que ela me olhou, pediu com licença aos dois e me levou para um canto reservado.
- Haniel, está mais do que na hora de procurar refazer a sua vida. Essas crianças precisam de uma figura feminina em casa. Tia Leide fala baixinho.
- Tia Leide, da minha vida cuido eu - Respondi ríspido.
- Haniel, só um cego não vê os olhares dessas crianças. A dor é nítida, principalmente na Talita.
- A senhora não pode interferir na criação dos meus filhos, nem meu pai fez isso. E a senhora sabe o porquê de tudo isso: eles sentem falta da Cíntia. - Sussurro.
- Eu sei disso. O seu pai é outro perdido, um libertino. Ninguém nunca teve o controle da vida dele. Mas salve os seus dois filhos antes que seja tarde. - Ela me alerta.
Disfarço a minha tensão, mas nem em sonho me vejo acompanhado de outra mulher. Tenho coragem de assumir para mim mesmo que fiquei traumatizado. Sofri o maior golpe da minha vida quando Cíntia se virou para mim e disse que ia embora por não amar mais a mim nem à minha família, e simplesmente nos largou, indo embora com outro homem. Nunca esqueci o maior baque da minha vida.
Aproveitei a festa para conversar um pouco com meus familiares, enquanto Talita brincava com seus primos, Gael estava sentado em uma mesa, conversando com alguns adolescentes. Dylon também me fez companhia e confessou que a tia Leide acabara de lhe apresentar uma mulher, Ariana Rossi. A história, como sempre, se repetia: tia Leide querendo casar todos da família.
A noite até que foi animada. Ainda na festa, papai me avisou que talvez volte para casa daqui a um mês, e mandou parabéns para a tia Leide. Dylon foi embora primeiro, e logo em seguida fomos nós. Chamei Talita e Gael e viemos para a mansão.
Quando chegamos, as crianças entraram em casa. Eu fiquei sentado um pouco no jardim, pensativo, lembrando o quanto fui feliz ali um dia. De repente, algo tocou meu coração: a ideia de ir morar em outra casa. Talvez assim eu conseguisse enterrar as sombras do passado de uma vez.
Fiquei sentado no jardim solitário. Já era tarde quando entrei e fui tomar um relaxante muscular, na tentativa de dormir sem essa tensão que pesa sobre os meus ombros e que me acompanha há anos.
No dia seguinte, acordei com a intenção de procurar uma casa nova, mas não compartilhei essa ideia com ninguém, muito menos com Dylon, que é o meu primo mais chegado. Apesar de sermos confidentes não conto a minha vida para ele.
Tomei café sozinho no escritório e logo procurei um corretor. Comentei sobre o meu desejo de mudar de casa, e prontamente ele me enviou fotos de mansões, uma maior que a outra. Analisei todas as casas, uma a uma, e mandei chamar Raquel.
- Em que posso ajudar, senhor Haniel? - Raquel pergunta a me encarar.
- Chame Gael e Talita e os leve para o shopping - Ordenei.
Raquel saiu para ir chamá-los. Fiquei tranquilo no escritório até que ela voltou ao escritório.
- Algum problema Raquel?
- Talita e gael não querem ir, aliás nem saíram do quarto hoje. - Raquel fala triste.
Bati fortemente na mesa como um completo descontrolado.
- Não é possível! Esses dois foram criados para dificultar a minha vida? Todo dia é uma greve. - Gritei alto.
Raquel se retirou, eu comecei a quase acreditar que tia Leide tinha razão quando diz que eu preciso encontrar outra mulher, de preferência de pulso firme. Alguém tem que dobrá-los, porque a minha paciência já se esgotou. Não consigo sequer conversar com os dois porque já me irrito o suficiente. Ando de um lado para o outro, controlando-me para não fazer besteiras. Sinto-me mal por ter perdido o controle de tudo.