Não para a mansão, mas para a ala hospitalar particular que a família Vitiello possuía.
Dois soldados invadiram meu apartamento enquanto eu dormia, arrombando a porta com força desnecessária. Eles não falaram. Apenas me agarraram, me arrastando para fora da cama em meu pijama fino.
"O que está acontecendo?", ofeguei, tropeçando enquanto me jogavam no banco de trás de um carro que esperava.
"Cala a boca", um deles latiu, sem olhar para trás. "O Chefe precisa de você."
Quando chegamos ao hospital, o caos reinava.
Enfermeiras corriam pelos corredores. Médicos gritavam ordens conflitantes. Em meio à confusão, vi Matteo parado perto do posto de enfermagem, seu rosto pálido.
"O que foi?", perguntei a ele, minhas pernas tremendo sob mim.
"É a Sofia", disse Matteo, recusando-se a me olhar nos olhos. "Houve um acidente no jantar de ensaio. Um lustre caiu. Ela... ela perdeu muito sangue."
Eu o encarei.
*Carma*, pensei, a palavra com gosto de bile. Mas mantive meu silêncio.
"Ela tem um tipo sanguíneo raro", Matteo continuou, sua voz tensa. "AB negativo. Não temos o suficiente em estoque."
Eu sabia o que estava por vir antes que as palavras saíssem de sua boca. Eu era AB negativo. Era uma das poucas coisas que Dante e eu não compartilhávamos, mas Sofia e eu sim.
De repente, Dante apareceu da sala de trauma.
Ele estava coberto de sangue - o sangue dela. Sua camisa branca impecável estava encharcada de carmesim, grudada em seu peito. Ele parecia selvagem, desesperado, um homem descontrolado. Ele me viu e avançou, agarrando meus ombros com tanta força que pensei que meus ossos frágeis se estilhaçariam sob seu toque.
"Você", ele sussurrou, seus olhos maníacos. "Você tem o sangue dela."
Olhei para ele. Ele estava apavorado. Não por mim. Por ela.
"Dante", eu disse suavemente, minha voz mal um sussurro. "Eu não posso."
"Você vai", ele rosnou, me sacudindo. "Você nos deve isso. Você tirou minha mãe. Você não vai tirar minha esposa."
Ele não sabia.
Ele não sabia que meu sangue estava envenenado com marcadores de câncer e medicação pesada. Ele não sabia que me drenar agora, em minha condição frágil, era nada menos que uma execução.
"Não é seguro", tentei dizer, minha respiração falhando.
"Conectem-na!", Dante berrou para os médicos, me ignorando. "Tirem tudo se for preciso! Apenas salvem-na!"
Os médicos hesitaram, olhando para minha estrutura frágil, minha pele translúcida.
Mas ninguém dizia não ao *Capo dei Capi*.
Eles me arrastaram para uma sala adjacente à de Sofia. Eles me empurraram para uma maca, o papel estéril amassando sob mim.
Uma enfermeira arregaçou minha manga. Seus olhos se arregalaram de horror com a tapeçaria de hematomas, as marcas de agulha frescas dos meus próprios tratamentos, a pura magreza do meu braço.
"Senhor", ela sussurrou, virando-se para Dante. "Ela parece..."
"Faça!", Dante bateu a mão na parede, o som ecoando como um tiro.
Olhei para ele uma última vez.
Ele não estava olhando para mim. Ele estava olhando através da divisória de vidro para Sofia, sua mão pressionada contra o painel. Ele a amava. Ou pensava que amava. Ele queria tanto que ela vivesse que estava disposto a me matar para garantir isso.
"Tudo bem", sussurrei no silêncio.
Fechei meus olhos. Acenei para a enfermeira trêmula.
"Tire."
A agulha entrou. Foi uma picada aguda, seguida imediatamente pelo calor doentio da vida sendo sifonada do meu corpo. Virei a cabeça e observei o tubo ficar vermelho. Meu sangue vermelho. Indo para ela.
Senti o frio se aproximando nas bordas da minha visão, uma névoa cinzenta rolando sobre mim. O bipe rítmico do monitor diminuiu. Meu coração palpitou, um pássaro cansado batendo as asas contra uma gaiola.
*Estou pagando minha dívida, Dante*, pensei enquanto a escuridão subia para me encontrar. *Estou te dando um futuro limpo.*
A sala começou a girar violentamente. Os sons do hospital - os gritos, os alarmes - desapareceram em um rugido surdo e subaquático.
"Salvem minha esposa", a voz de Dante ecoou, distante e distorcida.
Eu me entreguei.